Quinta-feira, 29 de Junho de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº947

Programa nº 554

Mauro Malin

>>Fuga para a frente
>>Senado afunda sozinho

Por Mauro Malin em 29/06/2007 | comentários

Ouça aqui

Download

Fuga para a frente
 
As autoridades e os principais jornais do Rio querem transformar uma fuga para a frente em ação planejada. Estabeleceu-se curiosa polêmica. A Folha e o Estadão põem hoje a tônica na crítica à brutalidade da incursão no Alemão. O Globo diz que os jornais de S. Paulo não gostam de cobrir ou não sabem cobrir problemas de segurança. A tese é conhecida, mas o argumento específico do jornal não se sustenta. Diz o Globo que os jornais paulistas deram manchete para a operação bélica no Rio e, com isso, minimizaram o assassinato de um casal por assaltantes. O assassinato é uma tragédia inominável, mas a operação no Rio é um assunto jornalístico de maior relevância.


Militarismo
 
O Globo não só aplaude a improvisação policial como pede em editorial o uso das Forças Armadas na segurança pública. Quer agravar a fuga para a frente.
 
Atores esquecidos

 
Nem uma linha escrita sobre um novo e importante ator no quadro da criminalidade carioca: as chamadas milícias, ressurgência, em novos moldes, dos antigos grupos de extermínio que disputam com traficantes o controle territorial de determinadas áreas. Nem uma linha, também, sobre a participação policial na criminalidade.


Estado ausente
 
Volta a ladainha de que o Estado está ausente das favelas, o que é completo equívoco. A principal linha de ação do Estado está na declaração do comandante do batalhão da PM de Olaria, igualzinha à de um capitão-do-mato que perseguiu o líder de quilombo Manuel Congo. Abre aspas: “A partir de agora, traficante do Alemão só tem três opções: ou foge do morro, ou morre ou será preso”, fecha aspas. Repito: ou morre ou será preso. Matar é a primeira opção. Mas o Estado está presente de muitas outras formas. Todas elas subordinadas ao cálculo eleitoral.


Referência colombiana
 
Nem diante do que aconteceu agora na Colômbia – o assassinato de 11 deputados que eram reféns da guerrilha – os jornais brasileiros desistiram de apontar políticas de segurança adotadas em cidades colombianas como exemplo a ser estudado e mesmo seguido no Brasil. Não perceberam que o presidente Alvaro Uribe acabou se enredando em ligações com os paramilitares e que não há verba americana que resolva esse tipo de problema.

Na Cultura AM
 
A partir de segunda-feira este programa passará a ser transmitido, no mesmo horário das 9 da manhã, pela Rádio Cultura AM de São Paulo, 1.200 kHz.


Senado afunda sozinho
 
Alberto Dines diz que o Senado não precisa da ajuda da imprensa para se afundar no pântano.


Dines:
 
– “O Brasil precisa de instituições que não se abalem com manchetes de jornais” disse ontem o presidente Lula ao reconduzir Antonio Fernando de Souza ao cargo de Procurador Geral da República. Não se sabe se o presidente considera nossa imprensa muito forte ou nossas instituições demasiadamente frágeis. Ou os dois. Mas a decadente república francesa conseguiu resistir em 1898, há mais de um século,  à mais famosa manchete de todos os tempos, o famoso “J’Accuse” do escritor Emile Zola denunciando a tremenda injustiça contra o capitão Dreyfus. O Senado da República deteriora-se não por causa das denúncias de Mônica Veloso, a “musa dos escândalos”, ou por causa da reportagem investigativa do Jornal Nacional revelando os estranhos negócios pecuários do senador Renan Calheiros. A imprensa apenas relata as manobras do governo e do seu principal aliado, o PMDB, para manter Renan Calheiros na presidência do Senado. A mais alta instituição legislativa do país não precisa de qualquer crítica, desmoraliza-se sozinha. Imola-se sem carrascos. Por livre e espontânea vontade.


A cebola de Renan, Roriz, Leomar…
 
A metáfora da cebola cabe para a situação atual do Senado: após cada camada de encrencados, como Renan e Roriz, surge nova camada. Agora, constata-se que o novo presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha, é investigado no Supremo Tribunal Federal sob a acusação de receber propinas em troca de emendas ao Orçamento da União.


Política das TVs 
 
É curiosa a diferença de tratamento dado ao caso Renan pela Globo e pela Band. A Globo bate forte todo dia. A Band procura, em seu noticiário, desqualificar as acusações contra Renan. Será que se trata apenas de diferentes critérios jornalísticos? 

Todos os comentários

  1. Comentou em 02/07/2007 carlos alberto

    A diferença é muito simples, a BAND, faz jornalismo e a GLOBO sensacionalismo…além de muito ‘mentiríssmo’

  2. Comentou em 01/07/2007 Francisco Mazziotti

    Caros Mauro Malin e Alberto Dines
    Gostaria de solicitar minha demissão do cargo de ouvinte do OI na rádio Cultura FM.
    Embora goste muito do OI (curtinho) não tenho interesse em me transferir para a frequência AM.
    É uma pena. Mas não faz mal. A gente se encontra na próxima encarnação.

  3. Comentou em 01/07/2007 Patrícia Lemos

    Sabe, depois que assisti a sua fala no encontro hoje de manhã, fiquei com a sensação de que a verdade causa arrepios. Arrepiada estou.

  4. Comentou em 30/06/2007 Josed de Almeida Bispo

    Em Política das TVs: Tem mais curiosidade. O Jornal da Band ganhou disparado do JN e demais jornais da Globo na eleição de melhor noticiário da Revista Imprensa. Nassif teve 65 na categoria blog; CartaCapital 75 na categoria Revista Semanal… Por que será, hem Malin? Estaríamos nós pobres mortais de saco cheio do negativismo macartista criado pelo complexo direitista-midiático paulista?

  5. Comentou em 30/06/2007 Frederico P. Strube

    Quem critica tem a obrigação de apresentar solução alternativa. Provavelmente, o Estadão e a Folha acreditam que basta conversar civilizadamente com os traficantes do Rio. Reclamar do Estado ausente é fazer referência a uma das principais causas do problema, mas nada tem a ver com a ação de combate empreendida. O arsenal descoberto e apreendido é prova contundente de que os bandidos estavam armados para uma guerra. Eles estavam lá em cima, muito bem armados. Esses jornais de SP sugerem que se faça o que? Que a polícia vá até eles desarmada, para evitar tiroteio, e dê voz de prisão? É a velha história dos direitos humanos: quando bandidos são mortos, os ativistas protestam; quando policiais são mortos, ignoram.

Programas Anteriores

1 2 3 4 5 última

1 de 2625 programas exibidos

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem