Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

Programa nº 1108

>>Fugindo da notícia
>>A guerra profana

Por Luciano Martins Costa em 25/08/2009 | comentários

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Fugindo da notícia

Os jornais ainda buscam rescaldos da controvérsia criada pela ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sem haver esclarecido as razões que poderiam mover uma ou outra na causa em questão: quem teria, afinal, interesse em apressar ou retardar a fiscalização sobre as atividades de negócios da família Sarney.

Nem mesmo a revelação de que o marido da ex-secretária está envolvido em processo que tem como acusada a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, amplamente divulgada na internet, parece ter motivado a chamada grande imprensa a esclarecer seus leitores e avançar um pouco além do diz-que-diz.


Não é possível que os jornais mais poderosos do País não tenham recursos para montar uma equipe de investigação e vasculhar o processo sobre o projeto Usimar, que tem conexões também no célebre caso Banestado, no qual foram citados como suspeitos de utilizar uma conta ilegal em um banco de Foz do Iguaçu para mandar dinheiro para o exterior mais de 130 personalidades da política, dos negócios e do mundo das celebridades.


A história que parecia se resumir a uma tentativa de pressionar uma funcionária exemplar, ou, na versão oposta, se refere à manifestação de rancor de uma funcionária graduada expelida de cargo de confiança, joga no colo da imprensa a oportunidade de tentar esclarecer um dos mais importantes casos de fraude financeira já descobertos no País.


Mas a imprensa parece preferir fugir da notícia.


Se, como dizem alguns estudiosos, a corrupção representa um dos principais obstáculos ao desenvolvimento, ao desviar boa parte da riqueza nacional dos investimentos produtivos ou de interesse social, esta era uma boa chance para a imprensa contribuir no esclarecimento de uma das mais clássicas formas de ataque ao erário.


Sabe-se que a Receita Federal joga um papel crucial na investigação dos crimes financeiros e que há interesse de grupos poderosos em seu controle.


Simplesmente noticiar que doze superintendentes se demitiram de seus cargos, tardiamente, diga-se de passagem, em solidariedade à ex-secretária, é pouco. Muito pouco.


Fiquem atentos os leitores e ouvintes, pois os jornais e revistas de circulação nacional certamente não deixarão de atender a expectativa do respeitável público e devem revelar nos próximos dias todo o mistério que envolve aquilo que parecia uma simples briga de comadres.


Ou não. 


A guerra profana


A disputa entre as poderosas redes Globo e Record, que não tem entre seus protagonistas nenhum personagem que possa ser chamado de santo, coloca em debate mais uma vez a questão da propriedade dos meios de comunicação.


O conflito, que vem sendo chamado de guerra religiosa, porque uma das partes, a Record, é um dos mais belos frutos da inciativa do empreendedor religioso Edir Macedo, deveria estar provocando amplos questionamentos na imprensa sobre a exploração dos serviços de comunicação no Brasil.


Mas não se vê por aí nenhuma disposição dos jornais e revistas em questionar as ilegalidades e favorecimentos que marcam o setor de radio e televisão.


Enquanto isso, as duas emissoras disputam a atenção do público com reportagens e editoriais que extrapolam as mais comezinhas recomendações do bom jornalismo.


 A alternativa dos interessados em conhecer os bastidores dessa disputa, que de vez em quando se transforma em luta encarniçada de titãs da comunicação, é acompanhar os debates oferecidos pelo Observatório da Imprensa na Televisão.


Além de dissecar os detalhes do processo movido contra dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus, que são acusados de crimes financeiros e fiscais produzidos com o dinheiro dos fiéis e dos desavisados, o programa vai abrir a oportunidade para a discussão da concordata entre o governo brasileiro e Vaticano, que coloca em xeque a questão da natureza laica do Estado.


Esse é um dos temas que a imprensa manteve distante do público durante muito tempo.


Nesta terça-feira, ao vivo, às 22h40, pela TV Brasil, e em São Paulo pelo canal 4 da NET e canal 181 da TVA.


Com uma novidade: a íntegra do programa estará disponível no site da TV Brasil a partir das sextas-feiras.

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