Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 80

Mauro Malin

>>Grito da terra
>>Mídia e democracia

Por Mauro Malin em 24/08/2005 | comentários

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Grito da terra


Convém levar a sério o alerta do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, sobre as dificuldades do setor. Está no jornal Valor desta quarta-feira.


Luiz Hafers, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, acaba de dar por telefone a seguinte declaração:


“É lamentável que alguém que sabe, que fez e que quer se canse por conta de uma política que só vê uma coisa, a inflação. Existe toda uma ação a mando da Febraban. Quem faz a agenda, a prioridade, é o sistema financeiro, com a desculpa do dragão da inflação. E nos acusa de ser a favor da inflação quando nós somos contra a estagnação.”


Hoje, 24 de agosto, faz 51 anos que Getúlio Vargas se suicidou.


A polícia e o traficante


Desde que a IstoÉ desta semana o colocou na capa ao lado de jogadores de futebol moralmente reprovados por camaradagem com o traficante Bem-te-Vi, da Rocinha, o cantor Gabriel, o Pensador foi envolvido em acusações sustentadas numa única peça. Uma gravação em que um acusado de tráfico de drogas diz que Gabriel estava numa festa com Ronaldinho em que se consumiam drogas.


Os repórteres trabalham em tabelinha com policiais, promotores e oficiais de justiça. Os editores, com medo da concorrência, aceitam o que vem. Chama a atenção nessa história que muita gente consiga chegar ao tal Bem-te-Vi, menos a polícia.


Mídia e democracia


O Observatório da Imprensa de ontem na televisão foi primoroso. Girou em torno da entrevista do ministro Antonio Palocci no domingo e sintetizou uma discussão da maior relevância para o futuro da mídia e da democracia no Brasil.


Alberto Dines mostrou como a mídia, na segunda-feira, omitiu um dos fatos principais que levaram o ministro a falar: uma criticada reportagem publicada pela revista Veja desta semana. Luís Nassif, da Folha de S. Paulo, disse que disputas empresariais pesadas pegam carona no noticiário no noticiário do “mensalão”, como uma espécie de trama paralela que se vale da falta de discernimento produzida nas redações por um estado de catarse. Ribamar Oliveira, do jornal Valor, defendeu a última checagem dos dados, antes da corrida às manchetes, que está deixando de ser feita. Ancelmo Gois, do Globo, elogiou Palocci por ter tido o espírito público de chamar a imprensa e cumprir a obrigação de se explicar. Sugeriu que Lula siga o exemplo: ele e seu governo ganham para isso, disse Ancelmo.


O Observatório na TV de ontem fez reviver uma constatação antiga: nem sempre os jornalistas mais preparados e competentes de cada veículo são os que tomam as decisões finais sobre as edições. Muitos preferem ficar longe do comando, que traz tantos aborrecimentos.


O programa será reprisado no próximo sábado às oito da noite na TV-E do Rio de Janeiro e numa rede de emissoras públicas.


Ladeira abaixo


As falhas da mídia não significam que ela inventou a crise do mensalão. O governo Lula mostra uma espantosa capacidade de revelar novos problemas. É só ler as seções de política dos jornais de hoje.


Que tal uma imprensa diária?


A entrevista de Palocci pode ter ajudado a imprensa a se tornar de fato diária, nota o editor do Observatório online, Luiz Egypto.


Segundo Luiz Egypto, o destaque da edição é a entrevista coletiva do ministro Antonio Palocci, realizada no domingo passado. Para o Observatório não interessa o mérito do que ele disse ou deixou de dizer, mas sim os aspectos midiáticos de sua fala.


A começar pela crítica contundente que fez aos métodos de apuração da revista Veja. E a continuar pelo fato de a coletiva ter ocorrido num domingo, dia em que as redações vivem praticamente às moscas. Neste ponto o ministro prestou um enorme favor ao jornalismo brasileiro: contribuiu para acabar com o vácuo noticioso do fim de semana e marcou um precedente que pode tornar nossa imprensa diária de fato… diária.


Outro aspecto importante, ressalta o editor do Observatório da Imprensa online, tem a ver com a cobertura da crise, que muitas vezes se baseia em acusações, suposições e insinuações como se fossem fatos. Isto fere o interesse público. Convém ir devagar com o andor porque o santo – uma jovem democracia de apenas 20 anos – ainda é de barro.


Leituras do Ibope


Cada jornal deu hoje um peso diferente à pesquisa do Ibope divulgada ontem. No Estadão, foi a manchete da capa. Na Folha, nem entrou na primeira página. No Globo, entrou, mas discretamente. E há quem acredite que jornal não faz política.


Cartões corporativos


Um leitor do Observatório da Imprensa chama a atenção para importância da reportagem da revista IstoÉ Dinheiro sobre o uso e abuso por integrantes do governo de cartões de crédito corporativos. O assunto terá de ser debatido no Congresso.

Todos os comentários

  1. Comentou em 24/08/2005 Persio Piccinini

    Dines, apesar de gostar muito das suas opiniões, vc foi apressado em comentar que Palocci falou no domingo por causa da VEJA e que a culpa toda é da VEJA e MP em divulgar as coisas antes da hora. O fato é que agora começam a aparecer 18 ligações de Buratti para o celular e residencia de Palocci – assim como a imprensa acaba errando no calor dos fatos, as suas análises estão prejudicadas por esta mesma efervescência. Esta crise é a primeira da era da internet, do celular e do computador, ou seja, muito diferente de outras que vc já viveu. Por isso, vc precisa analisar com mais cautela. Essa sobrecarga de informações e dados será a tônica desta crise – além disso, fatos pontuais e cômicos, como o dinheiro na cueca e o Land Rover, alimentam muito o imaginário popular, como se a coisa remetesse a uma novela ou reality show, o que é natural. Muito Obrigado e Abraços

  2. Comentou em 24/08/2005 Diogo Santos

    Antes do comentário: por que não saiu o áudio até agora (15:34), não quero ser chato é pq normalmente sai mais cedo. Obrigado.

    O assunto dos cartões de crédito é de extrema importância, pq se constatar que foi vetada a possibilidade de quebra de sigilo dos cartões de crédito do Planalto, não será possível constatar possíveis ‘erros’ de conduta seja de quem for. Temos que ficar de olhos abertos.

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