Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

Programa nº 2380

>>A mão que puxa para baixo
>>Minando a confiança

Por Luciano Martins Costa em 06/08/2014 | comentários

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A mão que puxa para baixo

Passado quase um mês do encerramento da Copa do Mundo, é interessante analisar como o noticiário da imprensa pode ter afetado as expectativas da população sobre a capacidade do Brasil de sediar um grande evento como aquele.

Uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, inédita até este momento, revela que 68% dos consultados foram influenciados pelo noticiário intenso sobre problemas na organização da Copa.

As manifestações de rua, em primeiro lugar, e as notícias veiculadas pelos jornais, revistas, rádio e TV, criaram um ambiente pessimista que persistiu até que os fatos desmentissem essa expectativa.

A coleta de opiniões foi realizada entre os dias 18 e 21 de julho, com 2002 pessoas de 16 anos ou mais, entrevistadas em 141 municípios de todas as regiões do País.

O instituto considera uma margem de erro de 2 pontos percentuais e aplica um nível de confiança de 95% na acuidade das respostas.

A amostragem obedeceu a estratos representativos, na população,  das devidas proporções em termos de raça/cor, gênero, idade, escolaridade, renda familiar, porte e característica do município onde vivem, conforme sua localização, se na capital, em região metropolitana ou no interior.

Os números gerais mostram que 43% dos entrevistados consideraram, que, independentemente do desempenho da seleção brasileira, a Copa do Mundo  no Brasil foi "boa" (34%) ou "ótima" (9%).

Um quarto dos brasileiros (24%) consideraram regular e 32% disseram que foi ruim (10%) ou péssima (22%).

Há uma grande regularidade nas respostas, com leve prevalência de uma avaliação positiva entre as pessoas de renda mais alta e com mais anos de escolaridade.

Interessante observar que, embora o evento tenha sido bem avaliado, 40% consideraram que a Copa do Mundo trouxe mais prejuízos que benefícios para o Brasil, enquanto 31% disseram que a Copa trouxe mais benefícios.

Minando a confiança

A influência da imprensa no estado de espírito dos brasileiros antes da Copa do Mundo pode ser mensurada nas respostas à questão direta sobre o assunto.

Ao comparar o evento com o clima que se criou nos meses anteriores, a maioria considerou que sua expectativa foi revertida positivamente: 16% disseram que a Copa foi "muito melhor do que esperava"; 25% acharam que foi "um pouco melhor do que esperava"; 27% consideraram que o evento não surpreendeu sua expectativa, enquanto 18% acharam que foi um "pouco pior" e 11% entenderam que foi "muito pior".

Quanto às causas do pessimismo que rondou os brasileiros antes da Copa, 33% apontaram "notícias veiculadas nos meios de comunicação", 40% foram influenciados pelas manifestações e protestos (que, diga-se de passagem, foram destacadas no noticiário), enquanto 24% deram como causa a descrença na capacidade do Brasil de realizar o evento e 20% citaram a infraestrutura das cidades-sede, enquanto 9% se declararam afetados pelo conteúdo das redes sociais.

Para 44% dos entrevistados, o noticiário da imprensa nos meses anteriores à Copa foi predominantemente negativo, enquanto 29% consideraram positivo e 23% entenderam que não foi uma coisa nem outra.

A percepção da influência do noticiário negativo foi mais elevada (49%) no Sudeste, onde a presença dos grandes jornais é maior do que nas outras regiões do País.

Esse ponto focal ajuda a entender o efeito do noticiário negativo sobre outros temas, como a economia e o potencial dos brasileiros de evoluir em questões como educação e competitividade.

A pesquisa também permite observar como algumas questões se cruzam na visão dos brasileiros sobre seu próprio país.

Por exemplo, a percepção de que a infraestrutura das cidades não satisfaz as necessidades de seus habitantes se relaciona diretamente com os protestos que contribuíram para aumentar o pessimismo e afeta a crença na capacidade do País de realizar grandes eventos.

A regularidade no padrão das respostas pode indicar que há uma influência generalizada dos meios de comunicação – principalmente a televisão – sobre a população brasileira como um todo.

Por outro lado, essa mesma característica indica uma homogeneidade no viés do noticiário, já que uma diversidade maior de abordagens sobre o assunto teria equilibrado as expectativas antes da Copa.

Em cima desse caldo de insatisfações, uma imprensa interessada em pintar um quadro deletério do país pode produzir grandes estragos ao minar a confiança dos brasileiros em si mesmos.

 

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