Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 1594

>>A retirada do velho cacique
>>Observatório na TV

Por Luciano Martins Costa em 19/07/2011 | comentários

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A retirada do velho cacique

O senador José Sarney anuncia, na Folha de S.Paulo, que vai abandonar a política em 2014, assim que terminar seu mandato atual. Aos 81 anos, ele pretende se dedidar mais à literatura, atividade que deixou em segundo plano na última década. A declaração foi feita em São Luís, nesta segunda-feira, dia 18, durante o lançamento de sua biografia, escrita pela jornalista Regina Echeverria.

Para os familiares do senador, como sua filha Roseana, governadora do Maranhão, o anúncio representa o cumprimento de uma promessa feita há alguns anos.

Roseana confessou à Folha que considera a sombra do pai um empecilho ao reconhecimento de seus méritos como personagem da política, mas afirma que este também será seu último mandato.

A governadora do Maranhão, que já ensaiou uma candidatura a presidente da República em 2002 e foi derrubada por uma mala de dinheiro encontrada em uma empresa da qual era sócia, ainda se ressente do que considera pouco reconhecimento público à sua carreira.

Segundo o jornal paulista, ela se queixa de ser vista apenas como filha de “alguém” e integrante da “tal oligarquia”.

O conjunto de declarações, somado ao cenário principal em que se desenrola a atividade política da família Sarney, dá um retrato bastante esclarecedor de alguns dos velhos vícios da República e que, de certa forma, respingam na imprensa.

Além de se perpetuar na política maranhense desde a década de 1960, a oligarquia – qualificação que Roseana rejeita – expandiu, nesse período, seu controle sobre os principais meios de comunicação da região.

Associada à rede Globo, a emissora de televisão da família sempre foi, em termos práticos, uma extensão do palanque político.

As carreiras políticas de José Sarney e dois de seus filhos – Roseana e o deputado federal Zequinha Sarney, líder do Partido Verde – não podem ser desvinculadas de seu controle sobre jornais, emissoras de rádio e televisão.

A anunciada retirada do velho cacique poderia inspirar um trabalho jornalístico sobre as oligarquias que ainda imperam na política regional e de certa maneira definem o perfil do Congresso Nacional.

Quem sabe também se lance alguma luz sobre a resistência de Brasília a levar adiante um projeto consistente de reforma política e um debate sério sobre a propriedade dos meios de comunicação.

Observatório na TV

Saúde é um dos temas prediletos dos jornais e das revistas semanais de informação. A imprensa adora novidades, cientificas ou não, sobre medicamentos, procedimentos e técnicas para melhorar a longevidade e a qualidade de vida.

Por outro lado, o tema saúde pública frequenta o noticiário quase exclusivamente nas páginas de denúncias.

Justo.

A população precisa estar informada sobre surtos, epidemias, e deve se manter alerta a respeito das deficiências dos serviços de saúde.

Mas em que medida o outro lado do serviço – a divulgação dos avanços na medicina – é feito de maneira crítica? Em que medida, por exemplo, a imprensa alerta a população sobre a forte dependência com relação a certos tipos de procedimentos médicos e à indústria farmacêutica?

Em geral, as reportagens sobre pesquisas de medicamentos povoam e vendem revistas e jornais, mas nem sempre são tratadas com o mesmo viés crítico e o mesmo rigor das matérias sobre as políticas de saúde.

Refém da expertise de suas fontes, o jornalismo de saúde não parece interessado em questionar, mas apenas em reiterar certos tipos de consenso sobre procedimentos e tratamentos de saúde.

Será que se trata de uma falha do método de cobertura ou a mídia se beneficia deste tipo de aproximação? Será que a justificativa de uma prestação de serviço à população mascara a busca pelo lucro nas duas áreas – saúde e comunicação?

O Observatório da Imprensa na TV desta terça-feira vai abordar essa questão. No estúdio participam o pesquisador da UFRJ Paulo Vaz e o ex-ministro da saúde José Gomes Temporão; por meio de entrevistas, o cirurgião plástico Marcelo Daher e o médico e colunista da Folha de S. Paulo Julio Abramczyk darão suas opiniões. O Observatório da Imprensa vai ao ar às 22 horas, pela TV-Brasil, ao vivo em rede nacional. Em São Paulo pelo canal 4 da NET e 116 da Sky.

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