Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 1558

>>A saúde da presidente
>>O coronelismo eletrônico

Por Luciano Martins Costa em 30/05/2011 | comentários

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A saúde da presidente
A manchete da revista Época desta semana poderia induzir a um interessante debate sobre limites do direito à informação.

Sim, há limites para essa liberdade mesmo nas mais avançadas democracias do mundo.
Uma dessas restrições diz respeito a informações sobre a saúde de alguém.

No caso da Época, trata-se de ampla reportagem vasculhando os exames médicos, boletins, medicamentos e cuidados dispensados à presidente da República, Dilma Rousseff.
 
Há quem diga que a vida pública tem tantas benesses que a eventual perda de privacidade seria um custo irrelevante.

No entanto, no caso da atual presidente, a análise precisa levar em conta um contexto muito específico.

Em primeiro lugar, a capa de Época traz o relato sobre uma suposta vulnerabilidade na saúde de Dilma Rousseff no momento em que praticamente toda a imprensa tenta convencer a opinião pública de que ela também é politicamente frágil.

Essa visão foi construida pelos jornais da semana passada ao relatar a votação do projeto de mudanças no Código Florestal em meio a discussões sobre o enriquecimento do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.
 
Para dez entre dez comentaristas da imprensa, a entrada em cena do ex-presidente Lula da Silva, que reuniu lideranças de seu partido para animar um movimento de reação aos ataques contra Palocci, representava um sinal de fraqueza da presidente diante da primeira crise de seu governo.

No entanto, há bastante controvérsia sobre o papel exercido por Lula nesses dias – inclusive a possibilidade de seu protagnismo ter sido encomendado justamente para distrair a atenção da imprensa – suficiente para fundamentar interpretações opostas. Por exemplo, a de que Dilma, com isso, ganhou tempo para rearrumar a casa.
 
Se a reportagem de Época levasse o leitor a concluir que a presidente da República tem uma saúde tão frágil que poderia comprometer seu desempenho no cargo, estaria desenhado um quadro ao gosto dos adeptos de teorias conspiratórias.

Como o resultado da reportagem convence o leitor de que Dilma Rousseff teve, sim, problemas graves de saúde mas segue em boas condições e sob controle médico, resta concluir que as informações foram facilitadas pelo próprio governo, com a participação dos especialistas que a atendem.
 
O coronelismo eletrônico

Alberto Dines:

– A manchete principal da Folha de S. Paulo ontem, domingo, foi um alento para todos os que se preocupam com as aberrações e abusos em nossa mídia eletrônica. Além de indicar os 56 parlamentares que detém concessões irregulares de radiodifusão, o jornalão informou que, a partir de hoje, o governo divulgará através da Internet um cadastro com as quase 10 mil concessões de rádio e TV em todo o país com os nomes de seus diretores, permitindo que qualquer cidadão possa denunciar a existência de “laranjas” ou testas de ferro.

É evidente que logo aparecerá um número muito maior de “coronéis eletrônicos”. Estes 56 congressistas num universo de 594 entre deputados e senadores apontados pela Folha dá apenas 7% de irregularidades. Levantamentos anteriores indicavam 30% de parlamentares que se auto-concediam autorizações para emissoras de rádio e TV.

Este é um dos abusos mais antigos e renitentes do segmento da radiodifusão: “Observatório da Imprensa” vem denunciando o ilícito há cerca de quinze anos, chegamos a entrar com uma ação na Procuradoria Geral da República com base num cruzamento de dados que identificou emissoras e diretores em situação irregular. A ação foi arquivada, enquanto o Legislativo e o Executivo preferiam não interferir.

Agora, graças à intervenção do Ministério das Comunicações, foi iniciado o primeiro saneamento no processo de concessões. Este não é o único a comprometer nosso sistema midiático, é o mais fácil de resolver. Quando o Estado descruza os braços e começa a assumir as suas responsabilidades tudo passa a funcionar. Ajude você também a acabar com o vexame do coronelismo eletrônico, acesse o cadastro do Ministério das Comunicações – www.mc.gov.br.

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