Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

Programa nº 1611

>>Afinal, quem ganha e quem perde?
>>Uma realidade surreal

Por Luciano Martins Costa em 11/08/2011 | comentários

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Afinal, quem ganha e quem perde?

O noticiário sobre a crise nos mercados globais remete o leitor a uma espécie de gangorra, onde se torna difícil produzir uma avaliação dos acontecimentos e tomar decisões sobre o que fazer com seu patrimônio.

A diversidade de interpretações e eventuais contradições num mesmo jornal refletem a natureza insólita dos acontecimentos, que têm como eixo central a revelação de grande fragilidade na maior economia do planeta.

Mas será verdadeiro que a economia americana está tão combalida a ponto de ameaçar os projetos das famílias e das empresas no longo prazo?

A julgar pelos boletins de bancos, corretoras e agências de análise financeira, entre os escombros do mercado de ações há quem tenha motivos para comemorar.

Com sempre, uns perdem e outros ganham e, embora estejam sendo contabilizadas em bilhões as desvalorizações de muitas companhias com ações listadas em bolsa, é preciso cotizar esses dados com elementos do mundo real para se ter uma idéia sobre o que está ocorrendo em cada setor.

Eike Batista, o idealizador e controlador das empresas “X” – aquelas que geram dinheiro sem produzir um prego sequer, como gostam de dizer os jornalistas, em tom de anedota – foi procurado por toda a imprensa logo na segunda-feira e afirmou que, se pudesse, entraria no jogo comprando ações a valer ações de sua própria organização.

Nesta quinta-feira, os jornais noticiam que sua empresa MMX Mineração e Metálicos reverteu prejuizos e celebra lucros de mais de R$ 90 milhões entre abril e junho, batendo recordes de receita e volume de produção de minério e ferro.

Os preços das commodities continuam elevados no mercado internacional, mesmo porque, enquanto os Estados Unidos e a Europa sofrem o risco de uma recessão prolongada, o resto do mundo administra uma das maiores oportunidades de crescimento de todos os tempos.

Ao longo da quarta-feira, dia 10, boletins de bancos citavam reportagem do jornal Valor Econômico, publicada no dia anterior, sob o título “O declínio do império americano”, na qual se revela que os grandes investidores, como os fundos de pensão, aproveitam o momento de queda das bolsas para comprar ações em condições de verdadeira pechincha.

No mercado internacional, também, segundo o jornal, profissionais das finanças como o megainvestidor Warren Buffet, estão apostando na recuperação da economia global.

Afinal, quem ganha e quem perde com essa crise?

Uma realidade surreal

Essa é uma pergunta que a imprensa ainda não pode responder, mas os analistas já arriscam alguns palpites.

A fragilidade do mercado de ações é parte de seu encanto e por isso investir em bolsa se transforma quase sempre em um jogo de apostas capaz de viciar.

Essa é uma das razões pelas quais se diz que bolsa de valores não é para amadores, ou melhor, que se trata de uma escolha para pessoas de sangue frio.

De qualquer maneira, o ensinamento mais básico para quem tem disponibilidade e perfil de risco é: compre na baixa para vender na alta.

Nesse sentido, então, dizem os especialistas, a hora é de comprar, não de fugir da bolsa.

Alguém foi apanhado de surpresa pelos acontecimentos?

A rigor, ninguém que coloca dinheiro em investimentos de risco pode alegar ignorância – a menos que não aprecie seu patrimônio.

Desde que os alucinados radicais do Tea Party decidiram quebrar a tradição das negociações sobre o limite de endividamento do Tesouro americano, era claro que os mercados estavam colocando uma grande expectativa na disposição do governo Obama de seguir tapando os buracos deixados por seu antecessor na Casa Branca.

A notícia de retirada das tropas americanas do Afeganistão havia produzido ajustes na direção dos investimentos, mas sabia-se que uma nota negativa na avaliação de risco da economia dos Estados Unidos poderia causar desconforto.

O presidente americano não tinha nenhuma carta mágica nas mãos, comentaristas ultra-conservadores jogaram contra seu próprio time e o pânico se alastrou pelo mundo.

Nos dias que se seguem, o leitor é levado do desânimo à esperança em poucas linhas.

A imprensa não sabe exatamente de onde vem o perigo ou a luz no fim do túnel. O anúncio do orçamendo do Tesouro americano, o balanço dos estoques semanais de petróleo, qualquer elemento pode alterar o humor dos investidores.

Amanhã a bolsa pode dar sinais de vitalidade e a semana seguinte pode começar com a volta da euforia.

A impressão que se tem é que o jornalismo diário já não dá conta da realidade.

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