Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 2038

>>Debatendo o futuro pretérito
>>Riscos e oportunidades

Por Luciano Martins Costa em 11/04/2013 | comentários

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Debatendo o futuro pretérito

Representantes de jornais de onze países da América Latina reúnem-se no Rio para discutir o futuro de seus negócios.

Segundo o Globo, anfitrião do evento, o Grupo Diários América representa uma força de trabalho formada por 2.500 jornalistas, que publicam cerca de 700 notícias e 500 fotografias por dia, para um público estimado em mais de 6 milhões de pessoas.

O tema do atual encontro, que se realiza duas vezes por ano, é o desafio do negócio na internet. 

A formação do Grupo Diários América, criado há pouco mais de vinte anos, teve forte influência do Globo, que aproveitou a agenda de outra iniciativa, chamada Projeto Beta, da qual participavam os principais jornais brasileiros e alguns diários de países vizinhos.

Com o esvaziamento do Projeto Beta, que se precipitou em boa parte quando representantes do Estado de S. Paulo se deram conta de que o Globo e a Folha de S. Paulo se beneficiavam de informações privilegiadas sobre o mercado paulista, o jornal carioca usou o modelo para trocar dicas de boas práticas com seus consortes do continente, no processo que os gestores chamam de benchmarking. 

O projeto de colaboração entre os jornais, pelo qual editores executivos, gerentes e diretores de várias organizações brasileiras intercambiavam informações sobre processos, tecnologias e projetos bem sucedidos, acabou de fato beneficiando a Folha e o Globo, que iniciaram ali uma parceria cujo fruto mais proveitoso é o jornal Valor Econômico.

Na época, o Estadão tinha os mais bem sucedidos cadernos de anúncios classificados e contava com a rica fonte de receita representada pelas listas telefônicas.

Além disso, apresentava sempre os melhores números quanto ao sistema de distribuição, ainda favorecido por sua rede de agentes e correspondentes espalhados pelo interior do país.

Uma das constatações desses encontros é a dificuldade das empresas de mídia tradicionais de produzir inovações: praticamente todas as melhorias agregadas às operações dos jornais nesse período foram importadas de outros ramos de negócio, e consolidadas em longos processos de aculturação. 

Riscos e oportunidades

Para quem analisa o negócio da imprensa, seria curioso questionar por que razão a gestão desse setor multissecular é tão conservadora.

Pelo menos desde a segunda metade do século 20, os jornais têm sido um dos campos empresariais onde as inovações em gestão demoram mais tempo para serem absorvidas, o que escancara uma evidente contradição, uma vez que é pela imprensa que os demais negócios são informados, de modo geral, sobre novos recursos para melhorar a produtividade e a qualidade.

No caso do encontro no Rio, por exemplo, os executivos ainda vão discutir o que fazer para transformar em receita o patrimônio potencial dos 70 sites de internet do grupo de jornais, cuja audiência é calculada em 46 milhões de visitantes únicos.

Na segunda década do século 21, quando a internet comercial está quase completando vinte anos de evolução acelerada, os jornais ainda não sabem o que fazer com o patrimônio de 1 bilhão de páginas visualizadas.

Da mesma forma, ainda está na pauta a discussão sobre como valorizar suas marcas tradicionais no fragmentado contexto das mídias digitais.

Embora estejam todos interessados em apreender as novidades, registre-se que os participantes desse tipo de evento passam o tempo com um olho na brasa, outro em sua sardinha, como diz o ditado, porque a revelação de uma boa prática doméstica pode dar a volta e retornar para as mãos de um concorrente regional, como aconteceu com o Estadão em relação à Folha.

De qualquer maneira, também seria curioso observar como os dirigentes da mídia tradicional enxergam outros aspectos do atual cenário de seus negócios, onde os riscos parecem maiores do que as oportunidades no longo prazo.

Para serem capazes de ir além do benchmarking, um recurso limitado à melhoria de aspectos táticos do negócio, e desenvolver a capacidade de inovar estrategicamente, os jornais precisariam de outro tipo de mentalidade, qualidade rara entre seus executivos.

Entre o projeto Beta – que coincidiu com a reestruturação dos parques gráficos, o redesenho dos jornais e a adoção de páginas coloridas – e o atual momento, em que a produção de notícias se dilui no ambiente líquido das mídias digitais, criou-se um enorme abismo.

As gráficas gigantescas se transformaram em trambolhos que perdem valor a cada dia.

E o mundo digital ainda é a terra ignota para a maioria.

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