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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Programa nº 1900

Luciano Martins-Costa

>>Descobrindo a economia social
>>Educar cidadãos

Por Luciano Martins Costa em 25/09/2012 | comentários

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Descobrindo a economia social

A divulgação da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios, feita na semana passada, pode produzir uma mudança importante na abordagem que os jornais – mesmo os especializados – costumam fazer aos fatos da economia.

A leitura das tabelas e comentários que compõem o levantamento induz obrigatoriamente a uma revisão no conceito linear de desenvolvimento que predomina ainda na imprensa, cujas fontes preferenciais são, de modo geral, economistas conservadores.

Composto sobre uma base ampla e diversificada de elementos, como educação, habitação, trabalho e rendimento, que são acompanhados permanentemente, e outros dados, que vão mudando ano a ano conforme as necessidades estratégicas de informações do país, como taxas de fecundidade, migração, casamentos, segurança alimentar e saúde, o estudo faz um retrato amplo e detalhado da evolução das condições de vida da população brasileira.

Neste ano, quando as circunstâncias gerais da economia mundial refletem a dificuldade dos países ricos para superar os efeitos da crise econômica, a persistência de dados positivos na melhoria da qualidade de vida no Brasil surpreende analistas e sugere que é preciso repensar certos fundamentos das metodologias usadas para avaliar o desenvolvimento de um país.

Os efeitos de certos ganhos sociais sobre o desempenho da economia podem se tornar muito mais expressivos em determinados momentos, por exemplo, quando esses ganhos sociais se refletem no maior número de jovens das classes baixas de renda ingressando no curso superior.

Apenas para exemplificar, pode-se avaliar o quanto a presença de um jovem acadêmico altera a rotina, a agenda e as escolhas da economia familiar, induzindo a maior eficiência na realização do orçamento doméstico.

Imagine-se, por outro lado, o efeito contrário, quando os jovens da mesma família, em vez de ir à universidade, estão ociosos em grande parte do dia: mesmo contribuindo para a renda familiar, eles pouco agregam à agenda, influenciando para manter o grupo atrelado a preocupações básicas de sobrevivência.

Esse é um dos efeitos que os críticos de programas sociais de educação não costumam considerar.

Como sabem muito bem os analistas, a autoestima, ainda que intangível e difícil de mensurar, é fator relevante no crescimento da economia.

Educar cidadãos

Um dos dados que parecem ter surpreendido os especialistas que se debruçaram sobre o último relatório da PNAD é o fato de que, no período de 2009 a 2011, o rendimento médio mensal real de todas as pessoas com mais de dez anos de idade ocupadas e com rendimento cresceu 8,35% – número muito superior ao do Produto Interno Bruto, que ficou em 2,7%.

Como o PIB vem sendo puxado basicamente pelo consumo das famílias, é conveniente observar melhor o que se passa nos lares brasileiros, principalmente daquelas famílias que formam a chamada nova classe média.

Apesar de ser constituído por camadas mais baixas de renda do que a classe média tradicional, esse contingente de brasileiros protagoniza um fenômeno inédito na história do Brasil e passa a determinar o ritmo de crescimento.

Além disso, é preciso olhar ainda mais para baixo da antiga pirâmide social, que muda rapidamente de forma: segundo a pesquisa, entre 2009 e 2011, o maior aumento nos rendimentos do trabalho ocorreu entre os 10% de brasileiros com renda mais baixa, que alcançaram um crescimento de 29,2%.

Com exceção da região Norte, os mais desfavorecidos foram os que tiveram maior ganho em suas receitas do trabalho, o que indica a redução na concentração de renda, fenômeno que se prolonga pelos últimos dez anos.

Também é preciso considerar que aumentou a proporção de trabalhadores com pelo menos o ensino médio completo e também com ensino superior completo, enquanto se reduziu na força de trabalho a proporção de pessoas com o ensino fundamental incompleto.

São ainda raros, mas já há analistas da imprensa considerando que o Brasil pode ter encontrado o caminho do desenvolvimento sustentável no estímulo ao mercado interno.

Evidentemente, é preciso mais, em termos de educação de qualidade, mais eficiência da gestão pública e privada, controle da corrupção e, principalmente, cuidado no desenvolvimento da consciência de cidadania entre aqueles que já se integram à sociedade na condição de consumidores.

Esse é um papel que a imprensa poderia assumir.

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