Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 1929

>>Tudo virou política
>>Leitura nas entrelinhas

Por Luciano Martins Costa em 05/11/2012 | comentários

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Tudo virou política

Os jornais e revistas do final de semana abriram um leque de assuntos sobre os quais se torna extremamente complicado fazer análises e observações.

Desde uma eventual redução das sentenças de alguns dos condenados na ação penal 470, julgada pelo Supremo Tribunal Federal, até os projetos do futuro prefeito de São Paulo, passando pela crise de segurança que assusta os paulistas, a imprensa parecia querer fazer uma espécie de síntese do ano em curto prazo.

Não há como escapar da ideia de um balanço revisionista destinado a fechar as contas das eleições municipais e abrir as planilhas para 2014.

Entre as reportagens, destaque para o tema de capa da revista Época São Paulo, com uma entrevista do prefeito eleito Fernando Haddad.

O título, sobre foto de Haddad, afirma que ele pretende fazer um governo de coalizão, não um governo petista.

Destaque também para certa mudança de tom no noticiário sobre o aumento do número de assassinatos nas grandes cidades paulistas, principalmente na região metropolitana da capital.

Nas edições de domingo, os jornais procuram amenizar o impacto das estatísticas, buscando dados que indicam a redução da violência a partir de 1999, mas não conseguem dissimular o fato de que o governo do estado perdeu o controle sobre a Polícia Militar.

A revista Época comparece também a esse assunto com uma reportagem que, embora curta, questiona diretamente a estratégia do governo, coisa que os jornais paulistas vêm contornando.

Quanto à denúncia do Globo, que na sexta-feira publicou reportagem levantando a possibilidade de estar havendo uma disputa entre traficantes e policiais corruptos pelo controle de máquinas de videopôquer, nenhuma repercussão no Estadão e na Folha de São Paulo.

Para os leitores de jornais paulistas, apenas a versão oficial e alguns vazamentos de informações de agentes públicos descontentes com a situação.

Da leitura que se pode fazer em material tão fragmentado, não há como escapar da conclusão de que a imprensa finalmente abandonou, na prática, a divisão do conteúdo em cadernos.

Da primeira à última página, parece que tudo virou política.

Leitura nas entrelinhas

Da política propriamente dita, destaque para o artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, publicado no domingo na seção Espaço  Aberto do Estadão.

Sob o título “Hora do Balanço”, o sociólogo faz uma análise dos resultados das eleições municipais, concluindo que seu partido, o PSDB, não se saiu assim tão mal, destacando-se entre as siglas da oposição por algumas vitórias importantes em capitais do norte e nordeste.

Na sua leitura, houve uma renovação em seus quadros, sem que o partido tivesse abandonado seus valores mais experientes.

O foco do ex-presidente é a questão da linguagem.

Na sua opinião, o PSDB precisa se renovar comunicando-se melhor, “usando linguagem contemporânea nas mídias televisivas e eletrônicas”, mas sem perder as características que o definem como partido.

Fernando Henrique cita o cientista político Carlos Melo para definir o que seria o perfil do PSDB: “liberal na economia, social-democrata nas políticas públicas e progressista nos costumes”.

Mas ao assumir como correta a avaliação de Carlos Melo para o que deveria ser a mensagem central do partido em suas campanhas eleitorais, e ao mesmo tempo repetir o mantra de que o PSDB precisa se renovar, Fernando Henrique acaba tocando numa ferida interna que promete ainda alguma sangria: Carlos Melo foi um dos intelectuais que se manifestaram contra a candidatura de José Serra a prefeito de São Paulo, no começo da campanha.

Bom, esse aspecto mais sutil do artigo do ex-presidente não foi explorado pelos jornais, e os leitores e ouvintes sabem que isso seria mesmo surpreendente.

De qualquer modo, registre-se que a imprensa está rastreando o novo cenário político e José Serra não parece fazer parte dele, a não ser como figurante deixado no fundo do palco.

Como o enredo ainda é o mesmo de dez anos atrás, ou seja, tudo se resume a uma batalha entre PT e PSDB, convém observar quem será o próximo paladino a ser colocado na arena.

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