Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 456

Mauro Malin

>>A classificação e a baixaria
>>Violência banalizada

Por Mauro Malin em 12/02/2007 | comentários

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A classificação e a baixaria


Folha e Estadão tratam hoje em editoriais da classificação indicativa para programas de televisão. A Folha acredita que a coerção moral dos telespectadores pode obrigar as emissoras a melhorar os padrões de sua programação. O Estadão quer conhecer o texto final da portaria do Ministério da Justiça sobre classificação indicativa, mas afirma que, “diante da vulgaridade e da baixaria da programação das televisões abertas, era necessário que o poder público agisse”. Enquanto isso, Daniel Castro anuncia na Folha que o BNDES vai financiar TV digital e novelas. O governo belisca de um lado e assopra do outro.


O dono da voz


O Grupo Bandeirantes vai criar, com recursos da seguradora Sul América, uma rádio chamada Sul América. Isso já não é marketing, não é merchandising, é a total e assumida submissão a um anunciante. E o Ministério das Comunicações aprova.


Violência banalizada


Alberto Dines pergunta se a imprensa dita popular consegue convocar a população para enfrentar a violência ou a torna banal.


Dines:


– “Fiquei sabendo de tudo no dia seguinte, pelo jornal”, assim defendeu-se Carlos Eduardo Lima, o 5º envolvido no bárbaro assassinato do menino João Hélio no Rio. Se ele é inocente ou culpado, isso logo será esclarecido. A nós interessa saber que este delinqüente de 23 anos, com diversas passagens pela polícia, flanelinha nas horas vagas, também lê jornais. E se tem o hábito de ler jornais, há alguma coisa de errado nos jornais que lê. Este é um caso de estudo que conviria levar adiante. Será que a chamada “imprensa popular” está conseguindo convocar a população para enfrentar o crime ou apenas contribui para banalizá-lo? A mídia está dizendo as coisas apropriadas para o seu público, está oferecendo os antídotos contra a violência? Uma coisa é certa: a chamada “imprensa de qualidade” também não consegue influir no comportamento dos seus leitores geralmente mais fieis graças às assinaturas. Políticos que cometem ilícitos graves – e não são poucos — são inveterados leitores de jornais e, mesmo assim, são reincidentes. Os “aloprados” do Dossiê Vedoin lêem jornais, lêem revistas e, apesar dessa leitura teoricamente moralizadora, compraram um dossiê falso para divulgá-lo num semanário. Tal como o delinqüente Carlos Eduardo juram que são inocentes. Culpa da imprensa, ou da impunidade arraigada em nossa sociedade?



Sinal dos tempos


Duas das mais importantes colunas da imprensa brasileira, o Radar da Veja, editado por Lauro Jardim, e a coluna de Ancelmo Gois, publicada no Globo e em outros jornais, têm agora versões online.


Fundador do Observatório


O professor Carlos Vogt, presidente da Fapesp, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, ex-reitor da Unicamp, se tornará em breve presidente do Projor, Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo, entidade mantenedora do Observatório da Imprensa. Vogt relembra que o Observatório da Imprensa nasceu no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, Labjor, criado por ele 1994 na Unicamp.


Vogt:


– Dois registros. Um registro mais pessoal, sentimental, que, assumindo a presidência eu formalizo na verdade um relacionamento que tem uma história de vida, uma história pessoal, uma história sentimental, uma história intelectual muito forte, porque estamos na origem comum, Labjor, e, ao mesmo tempo, volto, digamos assim, a ter uma relação mais direta com as atividades que o Projor propicia, em particular o Observatório da Imprensa, que, tanto do ponto de vista da sua emissão televisiva, edição online, o rádio, tem uma grande penetração e um papel fundamental na formação da consciência crítica da população brasileira.



Crimes e votos


O Globo fez ontem uma reportagem altamente esclarecedora sobre a ligação das chamadas milícias com a eleição de deputados federais e estaduais no Rio de Janeiro. Hoje, o noticiário fala de uma nova batalha entre tráfico e milícia que deixou nove mortos, ontem, no bairro da Penha. O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, se limita a declarar que vai investigar se há ligação entre policiais e integrantes dos novos esquadrões da morte. Promete vagamente ação em breve. A existência das milícias foi denunciada pelo Globo há treze meses. Nada foi apurado judicialmente desde então. Entende-se: os mais bem votados em áreas dominadas por esses grupos de extermínio foram o então secretário de Segurança, Marcelo Itagiba, agora deputado federal, e o então chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, hoje deputado estadual.

Todos os comentários

  1. Comentou em 12/02/2007 angelo de souza

    O que vamos fazer

    Angelo de Souza

    No programa de rádio do OI (12/2/2007), Alberto Dines perguntou: quem banaliza a violência, a imprensa ou a impunidade? Ora, a impunidade — filha e mãe da disparidade social — é a maior violência, porque mutila a sociedade nos três tempos verbais. Quanto à imprensa, note-se que não é só jornal de R$0,50 que se imprime com sangue.

    Está aí ‘Veja’ a perguntar na capa — ´…Não vamos fazer nada?´ Nas páginas, cede à tara pela morbidez em detalhes que outros veículos rondaram, insinuaram mas acabaram omitindo, em respeito à dignidade da vítima: ´…dependurado, preso pela barriga…´ (p.46); ´…a cabeça bateu na proteção da calçada, e o sangue espirrou na minha roupa…´ (p.47); ´…rastros de sangue e massa encefálica…´ (p.48); ´…não tinha mais a cabeça, os joelhos nem os dedos das mãos (p.49); além de mais um croqui do trajeto, do choro da família, do último desenho escolar da vítima etc.

  2. Comentou em 12/02/2007 angelo de souza

    O que causa asco é a revista, fiel à sua bandeira antiesquerda (pró-ultracapitalismo, anti-antiamericanos etc., por razões que a história do centenário Civita explica), não deixar, nem neste momento, de vender a consciência social ´fast-food´, ´self-service´, que cozinha ao gosto dos setores mais alienados, reacionários, egoístas e insensíveis da classe média, que têm nela, ‘Veja’, seu catecismo semanal.
    Enxertando na matéria ´objetiva´ trechos editorialescos em itálico, compara a ´proliferação do mal bolchevique pelo mundo´ à crescente criminalidade no Brasil; rejeita ´explicadores´ do drama social (entre os quais sugere, por via de um de seus blogueiros, estar o Chico Buarque autor de ‘Meu guri’, canção de 1982, composta noutro contexto) em favor dos ´especialistas´ que a revista escolheu para confirmar suas teses (às p.50 e 51, até amenas diante do que poderia ensejar um clamor ´da sociedade´ por uma pena de morte, ou um olho-por-olho); e, não surpreendentemente, menciona Hitler nesse (p.46) e em outros três textos da mesma edição (p.109, p.110 e p.114), dedicada ainda, noutros pontos, a atacar o Irã de Ahmedinejad (p.69) e Hugo Chávez (p.82), e a elogiar a gestão privada do ensino público (p.94) e até a face negociante do U2 do ´engajado´ Bono (p.44).

  3. Comentou em 12/02/2007 angelo de souza

    Sim, os ´meus guris´ só existem enquanto figura e citação, destinadas a desqualificar o próprio debate, que deve ter fervido quando alguém notou a exibição, pelos policiais, das presas — os autores confessos do crime crudelíssimo, logo capturados, à maneira de cavalos (ou escravos) à venda dos quais se mostram os dentes. Mas não se trata de questionar os direitos individuais, já exageradamente vilipendiados de baixo ao alto da pirâmide; nem se vale a pena defendê-los, ajustá-los ou suprimí-los. É o Terceiro Reich, é a Guerra Fria, é o século passado que enchem a revista. Desta vez, mal foi possível esconder a mera sede de sangue dessa publicação ´formadora de opinião´.

    É um panfleto sórdido, essa ‘Veja’, distribuído sobre o cadáver da criança de classe média cuja vingança parece querer estimular. Certamente assim vai ter mais material sanguinolento para intercalar entre as fofocas de celebridades, ´guias´ de consumo , em meio aos quais disfarça sua muito bem paga propaganda ideológica. Nojento. E dispensável. O que há a fazer é evitá-la, e esperar que morra junto com os que a endossam, para o bem da ´verdade´, da justiça e da democracia que ela mentirosamente diz defender.

    * Jornalista

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