Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 729

>>A guerra de Hugo Chávez
>>Para entender a Lei de Imprensa

Por Luciano Martins Costa em 04/03/2008 | comentários

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A guerra de Hugo Chávez

Os jornais brasileiros demonstraram agilidade diante da crise militar e diplomática entre a Colômbia e o Equador, na qual tem papel importante o presidente venezuelano Hugo Chávez.

Mas a agilidade da imprensa nacional é como a força militar colombiana: depende basicamente de ajuda externa.

Sem as agências internacionais de notícias, o leitor brasileiro ficaria no escuro, assim como ficam cegas as tropas da Colômbia sem os satélites dos Estados Unidos.

Como o ataque colombiano aos terroristas das Farc aconteceu no domingo, o dia de ontem foi naturalmente dedicado à recuperação da cronologia dos acontecimentos e à definição do espaço geográfico onde ocorrem os fatos.

A partir de hoje ficaremos sabendo se a imprensa nacional tem recursos e agilidade para uma cobertura diferenciada.

O leitor deve imaginar que os jornais estão neste momento numa maratona para ver quem chega primeiro ao local do conflito.

Mesmo com informações limitadas às agências de notícias que dão o tom de todo noticiário global pelo mundo afora, os jornais brasileiros saíram hoje com posições claramente tomadas.

A Folha de S.Paulo preferiu se limitar à reação oficial do Brasil, anunciando que o governo brasileiro condenou a invasão do território equatoriano e exigiu desculpas formais da Colômbia.

O Estado de S.Paulo abre a manchete com a condenação internacional ao ataque da Colômbia, mas adianta o que deve ser o tom daqui para a frente: o possível envolvimento de Hugo Chávez com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

O Globo foi mais explícito, apostando na veracidade da acusação colombiana de que Chávez financia o terrorismo.

É possível que o futuro venha a comprovar que o presidente da Venezuela tem compromissos com a guerrilha, mas no momento trata-se de aposta arriscada.

Até mesmo as agências americanas e européias foram mais leves, apesar das evidentes afinidades entre o discurso bolivariano de Hugo Chávez e a suposta orientação ideológica das Farc.

Acontece que todos os editores sabem que, depois de 40 anos isolados na selva amazônica e distantes da evolução política no continente, os guerrilheiros colombianos são hoje apenas um conjunto de grupos bandoleiros que vivem do narcotráfico e do seqüestro com motivações financeiras.

O comandante Raúl Reyes, morto no ataque de domingo, era uma das raras conexões das Farc com o mundo exterior.

A concessão de motivações políticas aos terroristas abre espaço para justificativas às suas ações criminosas.

E não ajuda o leitor a entender a crise.

Para entender a Lei de Imprensa

A ação coordenada de fiéis da organização chamada Igreja Universal do Reino de Deus contra jornais e jornalistas teve o mérito de acordar a imprensa e as autoridades para a necessidade de rever a fundo a legislação que supostamente deveria assegurar a liberdade de expressão.

Mas as discussões sobre os direitos e deveres da imprensa estão longe de chegar a um ponto comum.

Hoje à noite, o Observatório da Imprensa vai lançar mais luz sobre o tema.

Alberto Dines:

– A Lei de Imprensa caducou. Caducou em parte porque  ela é o resto do ‘entulho autoritário’ que sobrou da ditadura. Em parte porque nesta nossa democracia  surgiram formas mais sutis para intimidar ou controlar os meios de comunicação. Basta ver o estratagema empregado pelos seguidores do bispo-empresário Edir Macedo para calar  aqueles que não aceitam as irregularidades com as quais construiu o seu império mediático. A Lei de Imprensa sofreu nas últimas semanas dois grandes abalos com as decisões da nossa suprema corte. Alguns políticos querem agora um novo código regulador no lugar da Lei de Imprensa, já os donos da mídia rejeitam qualquer idéia de regulação e juristas acham que os instrumentos legais existentes bastam para evitar abusos. A verdade é que o pedido de liminar apresentado ao STF pelo deputado carioca Miro Teixeira do PDT veio em boa hora. Você entenderá porque hoje à noite no Observatório da Imprensa pela TV-Brasil, às 22:40. Pela internet ao vivo no site www.tvbrasil.org.br.

A partir da próxima semana o Observatório volta a ser exibido ao vivo pela TV-Cultura.

Todos os comentários

  1. Comentou em 05/03/2008 Paulo Bandarra

    Jaldson Borges deve estar de brincadeira! Não é o que ocorre no Iraque e em Israel? Ou or acaso os palestinos e iraquianos não estão no rol dos terroristas? Quem quer trazer a discussão para o lado da força, tem que ter força! Eu gostaria de ver o Hugo Chaves enfrentando o império e não só bravatas midiáticas! Talvez nem mesmo com a Colômbia sozinha ele possa! Mas seria uma glória ver ele amarrar o cavalo dele no obelisco em Nova Iorque! Não é o que ele quer com a Colômbia: Fazer um ataque preventivo da mesma forma porque os aliados militares dele foram mortos? A Venezuela deve estar vendo o que dá eleger um fascista para presidente!

  2. Comentou em 05/03/2008 Ivan Moraes

    ‘atitude de enviar tropas para a fronteira com a Colômbia é suspeita…pois esta não invadiu o território Colombiano e sim o Equatoriano…’: e seria ainda mais interessante se invadissem o territorio brasileiro, nao seria? Abriria espaco internacional para invasao da America Central. Nao que a extrema direita internacional jamais planejasse isso… Jamais!

  3. Comentou em 05/03/2008 Jaldson Borges

    Lamentável o comentário do Tulio Millman na manhã de hoje (05/03) no programa Gaúcha Hoje da Rádio Gaúcha de Porto Alegre. Ele conseguiu aprovar ação da Colômbia sob a justificativa de que um país que sinta a possibilidade de uma agressão tem o direito de antecipá-la. Caso do Equador, que poderia estar acobertando a guerrilha. Nesta ótica então os palestinos, subjugados por mais de 40 anos de invasão, são livres para atacar seus invasores (homem-bomba, bombardeios etc). O Iraquianos podem, então, revidar da forma que bem entendem, a ação norte-americana que assassinou milhares de inocentes? Acredito que a imprensa tem de ser livre sempre mas sem perder a responsabilidade jamais. E declarações como essas, sem qualquer propósito, são irresponsáveis.

  4. Comentou em 05/03/2008 Paulo Bandarra

    O sr José Antonio Mesquita considera as FARCS como as tais forças de estabilização do continente ameaçadas por URIBE? O que faziam elas no Equador. Estabilizando o continente?

  5. Comentou em 04/03/2008 José Antonio Mesquita

    Penso que os dois aliados desta tragica história são: George W. Bush e Alvaro Uribe, este sim um personagem de triste currículo (nunca mostrado pela mídia) e disposto a desestabilizar a América Latina que tenta se livrar do poderio norte americano.Enquanto a grande mídia elege, Hugo Chavez, Evo Morales e Lula os grandes males do continente.Alvaro Uribe que já se armou muito mais que Chavez, graças as benesses americanas (FSP, 04/02/08) continua blindado pela imprensa brasileira a exemplo de outros politicos conservadores do cenário nacional.Estas ‘empresas ditas de comunicação’ terão grande responsabilidade se o conflito vier a se agravar.Outros continentes, conhecem muito bem estes mecanismos.
    George W. Bush, agradece.Amazônia, Petróleo e Àgua, tudo ao seu dispor.

  6. Comentou em 04/03/2008 Marcelo Francis Máduar

    Não há dúvida que a cobertura deverá privilegiar o desenrolar imediato da crise, onde a agilidade e a fidelidade factual são os quesitos que contam. Mas uma vez que jornalões já adiantam “possíveis envolvimentos” de chefes de estado com as FARC, vale relembrar também as “possíveis ligações” que “teriam existido” entre o finado Pablo Escobar (cartel de Medellín, lembram?) e um dos pivôs da presente crise. Para além do viés ideológico, até que ponto esses conflitos não configuram meramente uma redefinição de zonas de influência dos grandes do narcotráfico, de forma semelhante ao que ocorre quando facções rivais do crime se enfrentam, aqui nas grandes cidades brasileiras?

  7. Comentou em 04/03/2008 Flávio Fernandes

    ‘Mas a agilidade da imprensa nacional é como a força militar colombiana: depende basicamente de ajuda externa.’ Essa sua afirmativa foi informação obtida de fonte interna? Escrever por escrever até eu..

  8. Comentou em 04/03/2008 Eduardo Goulart

    Não sei se Chavez financia as FARCS ou não, mas sua atitude de enviar tropas para a fronteira com a Colômbia é suspeita…pois esta não invadiu o território Colombiano e sim o Equatoriano…

  9. Comentou em 04/03/2008 Paulo Bandarra

    Não existe nenhuma dúvida que as reações do Equador e da Venezuela foram de aliados íntimos e não de países independentes! Na época do Collor, o nosso ministro da justiça invadiu a Venezuela, para investigar o massacre dos ianomanis! Nada disto ocorreu e se resolveu pacificamente a situação. As mortes foram de inimigos do governo colombiano abrigados no Equador que precisa ainda ser explicado! Mas os acontecimentos se atropelam e é difícil ao jornalismo acompanhar as coisas que não são explicitas e que desencadeiam paixões avassaladoras!

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