Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Programa nº 687

>>A imprensa empacotada
>>Profissão perigo

Por Luciano Martins Costa em 03/01/2008 | comentários

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A imprensa empacotada

A imprensa foi impactada pelo anúncio das medidas tributárias que o governo elaborou para compensar a perda com o fim da CPMF.

A leitura dos principais jornais do País mostra uma interessante sintonia entre as opiniões selecionadas pelos jornais de hoje e as manifestações de políticos da oposição.

Tanto quanto a oposição, a imprensa se revela traída pelo governo.

Todos os jornais destacam que o presidente Lula havia negado qualquer intenção de aumentar impostos para cobrir a perda de arrecadação com a extinção da CPMF.

Apesar do clima de surpresa presente em todo o noticiário, alguns colunistas afirmam que um conjunto de medidas como as que foram baixadas ontem era inevitável com a extinção da CPMF.

No entanto, os jornais não parecem ter se preparado para a novidade neste começo de ano.

Ou os colunistas esqueceram de avisar os editores, ou estão se fazendo de espertos.

Com exceção do Globo, que destacou na manchete a combinação de aumento de impostos com o corte de gastos públicos, os demais jornais centram o noticiário apenas nos impostos.

Alguns detalhes das medidas tributárias, como o efeito esperado do aumento da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ficaram pouco esclarecidos.

Escondido no meio dos textos, o ministro Mantega afirma que o aumento do tributo não vai necessariamente ser repassado aos clientes dos bancos, uma vez que incide sobre os lucros, e não sobre as operações bancárias.

Mas todos os jornais, unanimemente, destacam que a conta, como sempre, vai para o cidadão comum.

Mesmo que o aumento da CSLL venha a ser repassado aos clientes, aumentando o custo do crédito, alguns especialistas ouvidos pelos jornalistas dizem que essa medida poderá ter um efeito saudável na contenção do consumo, que está estimulado além da conta e provoca o risco de aumento da inflação.

Mas esse detalhe também está escondido nas edições de hoje.

O governo afirma que não se trata de um ‘pacote’, expressão de caráter negativo que a imprensa criou para os conjuntos de medidas econômicas de impacto.

Mas todos os jornais anunciam que o governo acaba de lançar um novo ‘pacote’.

Um balanço da leitura de todos os grandes jornais de hoje deixa no observador a impressão de que a imprensa embarcou na politização do tema. E descuidou da tarefa de esclarecer o leitor.

Para entender o que muda nas suas contas, o cidadão comum vai ter que consultar o gerente do banco.

Profissão perigo

Quase no fim da primeira década do século XXI, o mundo ainda patina no chamado processo civilizatório.

A democracia, esse paradigma da convivência civilizada nas divergências, anda a perigo.

Quando o estado do mundo se deteriora e a democracia se torna mais vulnerável, aumenta também o risco da atividade jornalística.

Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:

– A organização Repórteres sem Fronteiras divulgou ontem o seu balanço anual sobre o estado da liberdade de imprensa no mundo. Os dados de 2007 são preocupantes. No ano passado foram assassinados 86 jornalistas, um número 224% maior do que o verificado há cinco anos. Mais da metade dessas mortes – 47 – ocorreram no Iraque, onde desde a invasão americana, em março de 2003, 207 profissionais perderam a vida.

Os números da Repórteres Sem Fronteiras referem-se a jornalistas cujas mortes estiveram comprovadamente vinculadas ao exercício profissional. De acordo com a organização, 887 jornalistas foram presos em 2007 – dos quais 195 só no Paquistão. Até ontem, 135 profissionais de mídia permaneciam atrás das grades, além de 65 ciberdissidentes. No ano passado, em todo mundo foram fechados, por censura, 2.676 sites. A China é campeã na repressão na web, com 50 blogueiros encarcerados.

Já pelas contas da Associação Mundial de Jornais, foram 108 os jornalistas assassinados no ano passado, entre os quais dois brasileiros: Luiz Carlos Barbon, morto em maio, em Porto Ferreira (SP), e o fotógrafo Robson Barbosa Bezerra, em fevereiro, no Rio.

A melhor profissão do mundo anda cada vez mais arriscada.

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