Domingo, 24 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Programa nº 363

Mauro Malin

>>A imprensa nos palanques
>>Professor Bonner

Por Mauro Malin em 29/09/2006 | comentários

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Ausências


Os principais jornais dão hoje grande destaque à ausência do presidente Lula do debate da Globo. Será que aconteceu algo semelhante em 1998, quando Fernando Henrique recusou-se a participar?


Adendo às 20h22


O diretor de redação do Globo, Rodolfo Fernandes, faz a seguinte crítica à nota acima:


 

Você faz uma indagação hoje na sua coluna cuja resposta não é possível dar: não dá para comparar o debate de ontem  com 1998 e a propalada recusa do FH em participar de um encontro desse tipo. Pelo simples motivo de que não chegou propriamente a haver um debate naquela eleição. A TV Globo nem chegou a organizar um e, pelo que me lembro, nem a TV Bandeirantes. O motivo: a legislação eleitoral mudou de lá para cá, facilitando a organização de debates sem a participação de todos os candidatos. Em 1998, vale lembrar, eram nada menos que 12 candidatos, a na época era obrigatória a presença de todos – ou seja, jamais a TV Globo organizaria um encontro desses, seria impossível até formular regras para isso. Nem o Osvald de Souza…

 

A imprensa, que já está num fogo cruzado danado na eleição de agora, não merece a culpa por algo que não fez.’

Trevas paroquiais


Os jornais mencionam de raspão a falta de luz na praça onde Lula fez o comício de São Bernardo, cidade governada por um aliado de José Serra, William Dib. É golpe baixo.


A imprensa nos palanques


Alberto Dines diz que nesta eleição não se discutem os problemas brasileiros, discutem-se manchetes.


Dines:


– No encerramento do debate da Globo entre os candidatos à presidência, ontem à noite, o jornalista William Bonner agradeceu aos presentes mas esqueceu de mencionar o ausente nem mostrou a cadeira vazia. Nota zero neste quesito. E o presidente Lula, fez a opção correta ao preferir o comício em São Bernardo do Campo ao debate com os adversários? Isso só se saberá nas sondagens de sábado e domingo, ou quando as urnas começarem a despejar os resultados no domingo à noite. De qualquer forma, o noticiário de hoje e de ontem não foi nada favorável ao candidato-presidente: a Polícia Federal concluiu que o assessor de Aloisio Mercadante foi o responsável pela entrega do dinheiro aos compradores e divulgadores do Dossiêr-Vedoin. Isso talvez não tenha muita repercussão junto ao eleitorado cativo do presidente. Mas certamente trará graves conseqüências no plano jurídico e legal. Com as novas conclusões da Polícia Federal, a imprensa volta a ser empurrada para os palanques: IstoÉ fica mais encalacrada e a tropa de choque do governo voltará a criticar a imprensa pela intensidade da cobertura do escândalo. Nesta eleição, não se discutem os problemas brasileiros, discutem-se as manchetes.



Professor Bonner


Para tomar sua decisão de não ir ao chamado ‘debate’, o presidente Lula aplicou o mesmo método usado pela Rede Globo em suas decisões estratégicas (e táticas): pesquisas de opinião pública.


Se não dá para dizer como isso afetará o voto no próximo domingo, uma coisa ficou evidente: a iniciativa circense da Globo murchou sem a presença da principal estrela. De todo modo, o horário tardio não contaria com grande audiência.


Na abertura, o apresentador William Bonner disse:


– Aqui no bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, nós teremos a partir a partir de agora mais uma oportunidade de avaliar os planos e as idéias dos candidatos à presidência da República.


Mauro:


– Piedosamente, concedamos que os candidatos presentes ao chamado “debate” têm idéias melhores do que as que foram apresentadas. O formato teve vários defeitos. Além de ficar parecendo uma “escolinha do professor Bonner”, com os candidatos indo e voltando para suas carteiras, como escreve hoje Nelson de Sá na Folha de S. Paulo, não se previram restrições a agressões contra alguém ausente. E as houve.


Recordar é morder


Mônica Bergamo tira dos arquivos, na Folha de hoje, a informação de que em 1994 a empreiteira Odebrecht, integrante do consórcio de empresas contratadas para construir o metrô de Brasília, pagou despesas da campanha ao governo do Distrito Federal de Cristóvam Buarque, então petista. O PT concordou em receber duzentos mil reais por intermédio de Paulo Okamotto, hoje presidente do Sebrae.


Releitura engajada


Os jornais deram destaque à capa da revista The Economist desta semana, que sai com foto de Lula e Chávez e pergunta: quem lidera a América Latina? O Valor traduziu o editorial e resumiu uma reportagem especial de balanço do governo Lula. A Folha fez um pequeno resumo em que só aparecem os pontos negativos da reportagem. O Estadão fez um resumo maior, mas também seletivo, tratando principalmente dos casos de corrupção.


A The Economist não demoniza Lula. Diz que ele perdeu o brilho e terá dificuldades para governar num segundo mandato, caso seja reeleito. É mais objetiva do que dão a entender os resumos da Folha e do Estadão.


Adeus, Hemingway


Depois de Günter Grass, que em recente autobiografia revelou ter se alistado na tropa SS nazista, cai do pedestal um escritor com grande influência no jornalismo moderno: Ernest Hemingway. O noticiário de hoje aborda cartas em que ele se vangloria de ter matado, após o fim da Segunda Guerra Mundial, 122 prisioneiros alemães desarmados. Hemingway se suicidou em 1961.


TV no celular


Daniel Castro noticia hoje na Folha que a TV por assinatura chega ao telefone celular. É o início de uma revolução que em alguns anos vai mudar todo o quadro da mídia no país.


# # #


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Todos os comentários

  1. Comentou em 30/09/2006 Rogério Ferraz Alencar

    Frase de Luiz Weis, sobre a tentativa do PT de barrar a divulgação das fotos obtidas ilegalmente: ‘A direção do PT devia saber que, na bandidagem, bronca é ferramenta de otário.’ Como ele já foi editor da Veja, dá para deduzir quando se iniciou e quem iniciou o jornalismo de esgoto.

  2. Comentou em 30/09/2006 Rogério Ferraz Alencar

    Há algo errado quanto a Hamílton Lacerda ter levado o dinheiro, juntamente com Gedimar Passos. No depoimento transcrito pela Folha, assim que Gedimar foi preso, este disse que havia recebido parte do dinheiro, às 6 da manhã, no estacionamento do hotel, de um homem branco, de mais ou menos 45 anos, com cabelo carapinha, que estava num táxi e não se identificou. A outra parte, ele teria recebido, na tarde do mesmo dia 14, de outro homem branco, também de presumíveis 45 anos, que disse se chamar André. Ou Gedimar Passos mentiu no depoimento, ou Hamilton Lacerda não levou o dinheiro.

  3. Comentou em 29/09/2006 Flausino von Rubiloca

    Apostas estão sendo feitas, e consequentemente, dividas de apostas serão cobradas.

  4. Comentou em 29/09/2006 Daniel Campos

    Respondendo ao senhor Ibsen. Basta lembrar o caso do ‘debate’ que a globo promoveu entre Lula e Collor. Acha mesmo que não aconteceria a mesma coisa? acredita mesmo que o ‘debate’ seria imparcial? Mais uma vez vejo ser necessário repetir: Acordem…

  5. Comentou em 29/09/2006 ubirajara sousa

    Sr. Dines.
    Peço-lhe licença para reproduzir um pequeno trecho do seu escrito:
    ‘a Polícia Federal concluiu que o assessor de Aloisio Mercadante foi o responsável pela entrega do dinheiro aos compradores e divulgadores do Dossiêr-Vedoin.’
    Sr. Dines, de onde o senhor tirou isso? Essa conclusão é sua. O assessor do Mercadante foi depor hoje. Negou ter transportado o dinheiro. E o senhor diz que a PF concluiu que foi ele. Como se chama isso, senhor Dines? Fazer afirmações falsas, tentando impingir idéias a pessoas menos vigilantes. Seria crime, ou apenas falta de ética? Como isso aqui mudou. Como o senhor mudou, senhor dines.

  6. Comentou em 29/09/2006 Moham Mohamad

    Em tempo para o autor: Gostei muito do paralelo que vc traçou da metamorfose das várias facetas dos debates. Aprendi algo.

  7. Comentou em 29/09/2006 Moham Mohamad

    É bem verdade que a corrupção não vem é do momento atual. Existiram momentos do passado em que governantes faziam a compra de consciência. Mas o formato da barganha advinha de trocas, onde o deputado, corrompendo-se, permutava o seu voto a favor da situação com trocas por exemplo, digamos: Vai rolar uma rodovia no seu pedaço eleitoral, um hospital na sua base, uma escola na sua aldeia e outras benesses. O mensaleiro dessa época votava a favor do governo, e aí conseguia contingentes de beneficiados pela manobra de compra das suas consciências para se eleger. Atualmente, eles fazem uma espécie de up grade do emolumento. O dinheiro já vai direto pra cueca do sujeito, ou nas trocas de valisas em apartamentos, casas de massagens, aeroportos… Não quero transferir o que penso.

  8. Comentou em 29/09/2006 Ibsen Marques

    Vai me desculpar o Sr. Daniel, mas caberia ao eleitor interpretar da forma que melhor lhe aprouver as palavras dos candidatos. O ponto é que Lula não se permitiu o debate, pois sabia que seria questionado sobre os atos de corrupção de seus assessores, correligionários e amigos e, para todos os casos simplesmente não saberia o que responder como de fato não o fez até hoje. Fico admirado que, diante de tantas denuncias de corrupção afetando o alto escalão do governo e do partido do presidente, ele não tenha despencado nas pesquisas. A ética que se pretende parece não ser a ética pretendida pelo eleitor. Não há aqui o interesse de minimizar a corrupção – que ainda está embaixo do tapete – durante o governo FHC e suas privatizações, mas um erro não justifica o outro.

  9. Comentou em 29/09/2006 Daniel Campos

    Estou surpreso com alguns comentários aqui… Incrível ver que o ‘circo’ que a Globo montou foi engolido por alguns. Pessoal, sem querer ser ofensivo mas ACORDEM! Esperavam o quê desse ‘debate’ da Globo? Esperavam que o Lula iria lá para ter TUDO o que falasse manipulado e distorcido pelo geraldo e pelos outros ‘candidatos’? Para ele falar ‘A’ e entenderem ‘B’ e insistir que o Lula falou ‘B’ e acabou? Lula é muito inteligente para se deixar levar por uma arapuca tão grosseira. Se ainda conseguem ter a idéia estúpida de que ele ‘tinha que ter comparecido ao debate de qualquer jeito’ então por que muitos candidatos também não apareceram no ‘debate-circo’ da Globo em outros estados (muitos do psdb/pfl)? ACORDEM!!!

  10. Comentou em 29/09/2006 Moham Mohamad

    Tudo bem, autor, fico satisfeito com a sua nota. Bom trabalho e tudo de bom para o OI.

  11. Comentou em 29/09/2006 Simone Luft

    Debate chocho, rasgação de sede, mas antes isso que baixaria. Lula, obedecendo a uma estratégia sórdida para ganhar as eleições, nega ao povo esclarecimentos, dando à Globo e aos jornais que tanto acusa mais munição contra ele. Depois não se queixe. Pode tirar todos os fantamas do baú, nada justifica o que o PT tem feito. O povo sabe que os outros partidos também fazem falcatruas, por isso Lula ainda consegue bons índices, mas garanto que um dia a casa cai. No debate chocho, Heloisa Helena sem dúvida foi a melhor. Se ela seria boa governante aí cabe ao futuro revelar, se algum dia ela tiver chance de chegar ao poder.

  12. Comentou em 29/09/2006 Rafael Chat

    É, nada como um dia após o outro. No fim, ficaram todos iguais, exceto a HH (Éneas da esquerda). No geral, acho que a imprensa tem pegado leve com o governo. Se quisesse derrubar mesmo, já teria feito.

    O que ninguém tem falado é na possibilidade da candidatura Lula ser cassada mesmo que os dólares sejam legais. Para mim, este é o grande assunto.

  13. Comentou em 29/09/2006 Moham Mohamad

    “Escolinha do professor Bonner”: quantos de vcs resitiriam, ou até mesmo capacitados estariam para apresentar, ao vivo, um debate dessa envergadura. Fica rançoso apelidar um profissional, colega de vcs. Cheira conivência com o PT. Desculpe a sinceridade. Mas é que fica latente o bafio nos comentários.

  14. Comentou em 29/09/2006 José de Souza Castro

    Lula não compareceu ao debate na Rede Globo, apostando que seus eleitores, às 10 e meia da noite, já estariam dormindo, pois têm que levantar cedo para trabalhar. Ele talvez esteja certo, mas o meu voto (fiquei acordado até o fim do debate) de indeciso, ele perdeu. Pela primeira vez, desde que Lula se candidata a presidente, ele não terá o meu voto e, espero, o de milhões de outros desesperançados. Na minha opinião, o grande perdedor no debate foi Lula. Quem melhor se saiu, mas sem chances de se eleger, foi Cristrovam Buarque, o que realmente tem idéias para livrar o brasileiro do ‘complexo de vira-latas’, um mal diagnosticado em 1958 por Nelson Rodrigues. Voto em Buarque, pela compreensão que ele tem de que o caminho para o país está num bom sistema educacional público e privado acessível a todos. Heloísa Helena e Geraldo Alckmin tinham um discurso afinado, mas não convenceram. Mostraram-se patéticos ao tentar comunicação com uma cadeira surda e muda… aquela em que estaria sentado Lula, se não tivesse se acovardado frente a uma mulher valente e com um discurso mais coerente do que o dele. A repercussão de sua ausência no debate pode – e assim espero – fazer um estrago nas urnas, de modo a levar a decisão para o segundo tempo. O que será bom para preparar o vencedor para que governe melhor, com mais humildade até mesmo para ouvir o lado melhor do PT e do PSDB.

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