Domingo, 21 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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>>A obra do bispo
>>Ruth Cardoso

Por Luciano Martins Costa em 25/06/2008 | comentários

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A obra do bispo

A notícia de que a Justiça Eleitoral do Rio mandou suspender as obras na favela da Providência está presente com destaque em todos os jornais de hoje.

Com a decisão, o Exército retirou seus soldados da favela, onde, no dia 15 deste mês, um grupo de onze militares entregou a traficantes de um morro vizinho três jovens moradores, que foram posteriormente torturados e mortos.

A medida oferece ao Comando Militar do Leste uma solução honrosa para sua retirada da favela da Providência, onde a relação com os moradores havia se tornado extremamente tensa.

De certa forma, também sinaliza que a Justiça Eleitoral está atenta aos abusos cometidos por candidatos nas eleições municipais deste ano.

Os militares trabalhavam na segurança dos operários que faziam a recuperação de 782 moradias populares.

Chamada de projeto Cimento Social, a obra foi proposta pelo senador Marcelo Crivella, que faz uso desse tema em campanhas eleitorais desde 2004.

Tudo isso está bem relatado nos jornais de hoje, que registram ainda a frustração e o protesto dos 150 operários que haviam sido contratados para as reformas.

O que não está bem esclarecido é  que o senador Crivella, candidato anunciado a prefeito do Rio, também pode ter usado a obra – e as verbas públicas alocadas para ela – em benefício de uma organização religiosa.

Crivella é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e sobrinho do fundador da seita, Edir Macedo.

Uma nota publicada na coluna ‘Painel’ da Folha de S.Paulo informa que Marcelo Crivella mantém um cadastro dos moradores do Morro da Providência, inclusive com informações sobre orientação religiosa.

Segundo o jornal, o senador alega que as informações eram necessárias para identificar potenciais beneficiários do projeto Cimento Social.

Só não explica o que tem a ver com isso a escolha religiosa de cada eleitor.

O Globo observa que o cadastro foi feito pela própria Igreja Universal.

O Brasil vive sob um regime laico, e é vedado aos detentores do poder público privilegiar organizações religiosas.

A imprensa poderia ir mais fundo, lembrando que a Igreja Universal tem antecedentes na prática de cercear a liberdade de informação.

A organização tentou calar os jornais, alguns meses atrás, com uma sucessão de processos judiciais coordenados, impetrados por seus seguidores em várias partes do Brasil.

A decisão da Justiça, de embargar a obra, foi  motivada por suspeita de abuso de poder econômico.

Mas pode haver mais a ser apurado.

Ruth Cardoso

A morte da antropóloga Ruth Cardoso, ocorrida ontem à noite em São Paulo, foi noticiada com destaque pelos jornais de hoje.

As edições, discretas e respeitosas, trazem depoimentos de amigos e se referem ao período em que ela foi a primeira-dama do Brasil.

Não há muito sobre as causas do óbito, de certa maneira surpreendente após as primeiras notícias mais alarmadas sobre seu estado de saúde.

Mas há pouco sobre sua trajetória acadêmica.

Ruth Cardoso foi uma intelectual respeitada no Brasil e no exterior.

Também construiu uma obra importante como cidadã, arregimentando empresários e intelectuais para a responsabilidade social.

Sempre foi muito discreta.

Há cerca de oito anos, numa conferência promovida na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, foi surpreendida por este observador e pelo físico Fritjoff Capra na fila do refeitório.

Quando lhe foi dito que a primeira-dama não precisava ficar na fila, ela fingiu que não ouviu e continuou ali, quase anônima, no meio dos estudantes.

Alberto Dines:

– Ontem, às 17 horas, hora de Nova York, uma brasileira que desenvolve um intenso trabalho com comunidades carentes no Brasil, recebeu um e-mail de D. Ruth Cardoso acalmando-a a respeito das notícias da imprensa brasileira  sobre a sua saúde. Não se preocupe, já está tudo bem – escreveu D. Ruth à amiga preocupada – eles exageraram.

Poucos sabem: D. Ruth era uma atenta e bem-humorada observadora da imprensa. Três horas depois sofria um enfarte fatal. A imprensa acompanhou discretamente a internação na sexta passada e não poderia ser diferente: a professora Ruth Cardoso personificou como ninguém as palavras dignidade, discrição e grandeza pessoal.

Desta vez, infelizmente,  a imprensa não exagerou.

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