Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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Por Luciano Martins Costa em 14/04/2008 | comentários

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A oposição encolhe

Reportagem publicada pelo Estado de S.Paulo neste domingo ajuda a entender certos fatos da política que podem parecer bizarros quando vistos no noticiário do dia-a-dia.

Para o leitor dos jornais, as declarações e atitudes de senadores e deputados podem parecer uma interminável novela, com um enredo que se repete e nunca chega a uma conclusão.

Nesta semana, por exemplo, poderemos assistir ao final do capítulo sobre a CPI dos cartões corporativos no Senado, com a retirada de cena da presidente da Comissão, senadora Marisa Serrano, do PSDB.

Ela diz que o boicote permanente do governo impede qualquer avanço nas investigações, e se nega a continuar no papel de mera figurante.

O noticiário parece confuso e os temas nunca se apresentam conclusivos porque os jornais raramente conseguem desenhar o  pano de fundo das disputas políticas que geram os debates em Brasília.

A reportagem deste domingo no Estadão dá uma pista interessante, ao informar que a oposição está encolhento nas grandes cidades.

Segundo o diário paulista, PSDB, Democratas e PPS perderam o controle de 50% das prefeituras das cem maiores cidades do País, porque os prefeitos se transferiram para partidos que apóiam o governo federal.

Somando-se o fato de que apenas 64% dos atuais prefeitos que ainda são oposicionistas vão tentar se reeleger, pode-se antecipar um grande esvaziamento nas bases municipais  da oposição a partir do ano que vem.

E sem uma boa plataforma nos municípios, o projeto de poder dos atuais oposicionistas pode ficar comprometido nas eleições gerais de 2010, quando serão escolhidos presidente da República, governadores e o futuro Congresso Nacional.

Some-se a esse fato a descaracterização ideológica que afetou os partidos após o prolongado período de alianças fechadas, que tornou homogêneos os partidos oposicionistas, o que dificulta separar o que ainda se considera social-democracia daquilo que é chamado liberalismo, ou simples conservadorismo.

Curiosamente, note-se que os partidos de oposição haviam conquistado as prefeituras das maiores cidades nas eleições de 2004, quando os escândalos políticos derrubaram a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A reportagem do Estadão mostra que Lula recupera o apoio em 50% dos antigos redutos oposicionistas sem necessidade das urnas. Os prefeitos migraram no mesmo caminho dos seus eleitores, que voltaram a apoiar o governo massivamente, o que mostra a pouca fundamentação ideológica de suas escolhas.

Essa, aliás, é a principal notícia na reportagem do Estadão: mais de vinte anos depois de recuperado o direito pleno ao voto, a democracia brasileira não parece capaz de construir partidos organicamente fortes, baseados em princípios e programas definidos.

Com exceção dos petistas, que passaram mais de vinte anos longe do poder, os políticos parecem incapazes de sobreviver longe do lugar de onde vêm as verbas.

A algaravia no Congresso é o retrato da oposição lutando para sobreviver politicamente. O encolhimento da oposição não faz bem à democracia brasileira.

O crime e o espetáculo

O grotesto espetáculo das multidões cercando delegacias e edifícios à espera de ver o jovem casal Nardoni, exibido repetidamente na televisão no final de semana, foi o ápice de um processo que transformou tragédia em show de mídia.

Alberto Dines:

– Quinze dias depois do assassinato da pequena Isabella Nardoni a mídia afinal sossegou neste fim-de-semana. Certamente estava cansada do show de sensacionalismo exibido na ultima sexta-feira após a libertação dos principais suspeitos, o pai e madrasta da menina. Como o inquérito prossegue e as testemunhas continuam depondo sob sigilo na polícia, o relax de sábado e domingo só tem uma explicação: a mídia só sabe trabalhar com vazamentos ou hipóteses delirantes. A única matéria, digamos exclusiva, foi a entrevista do ‘Fantástico’ com o
desembargador Caio Canguçu que acolheu o pedido de habeas-corpus apresentado pela defesa. Na realidade, a reportagem interessava mais ao magistrado para defender-se das acusações de que a libertação do casal poderia ser entendida como um pré-julgamento. Se a mídia deseja manter o caso no alto das primeiras páginas de qualquer maneira, o único recurso é investigar por conta própria.

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