Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 1099

>>A pizza está servida
>>Longe do acordo

Por Luciano Martins Costa em 12/08/2009 | comentários

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A pizza está servida


Quando o senador Tasso Jereissati, um dos fundadores do PSDB, subiu à tribuna do Senado, nesta terça-feira, para pedir desculpas publicamente pelo bate-boca de que participou com Renan Calheiros, chefe da tropa de choque do presidente José Sarney, os comentaristas do rádio e da televisão não pareceram entender imediatamente o significado de seu gesto.


Alguns chegaram a falar em tentativa de apaziguar os ânimos para evitar um episódio mais grave no plenário.


Mas nesta quarta-feira, os jornais trazem a análise definitiva: “Oposição aceita acordo que preserva Sarney”, diz o Estado de S. Paulo em manchete. Na mesma linha, a Folha de S.Paulo informa que líderes dos dois blocos no Senado costuraram um acordo para livrar Sarney e o líder do PSDB, Arthur Virgílio, de punição no Conselho de Ética.


Mas não pense o leitor atento que a coisa será feita assim, como se nada tivesse acontecido nos últimos meses.


A estratégia, segundo explica a imprensa, é abrir no Conselho de Ética um processo contra Sarney e outro contra Virgílio, para dar uma satisfação à sociedade, e depois arquivar definitivamente o caso.


Os aliados de Sarney tinham engatilhadas nada menos do que oito denúncias contra Arthur Virgílio.


Contra Sarney já eram onze acusações.


Uma delas será escolhida para compor o processo de faz-de-conta.


E os dois senadores vão receber um atestado de conduta exemplar.


A única dúvida que os jornais deixam no ar é se a própria imprensa faz parte do acordo.


Mas o leitor atento pode julgar por si mesmo.


Nas edições desta quarta-feira, pouco se acrescenta ao noticiário do escândalo que manteve boa parte da população em estado de choque durante meses.


Sabe o leitor o que aconteceu com os 663 atos secretos que foram a origem de toda a celeuma?


Eles estão sendo revistos um a um, e nesta terça-feira o Diário Oficial da União publicou decisão do Senado de manter as gratificações incorporadas clandestinamente aos salários de pelo menos 70 servidores.


Ou seja, a pizza não apenas está servida, como vem acompanhada de sobremesa.


Os jornais disfarçam e mudam de assunto e você, que passou esse tempo todo indignado, fica com cara de…


Longe do acordo


Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:


– Continua o debate sobre a Conferência Nacional de Comunicação, prevista para ocorrer no início de dezembro. Assumida como projeto de governo, anunciado pelo presidente Lula em janeiro, veio do mesmo governo a ordem de um corte de 80% na dotação orçamentária do evento, que até agora não foi reposto.


Mas o problema não merece ser reduzido apenas à esfera econômica. Há uma dimensão política a ser avaliada. A proposta de juntar organizações sociais, empresários e governo para discutir as bases de futuras políticas públicas de comunicação é uma iniciativa mais que bem-vinda, por todas as razões. Mas no processo de definição do regimento interno da Conferência, o que se viu foram exemplos de intransigência, vindos sobretudo do empresariado que não aceita nada que se aproxime da idéia de algum tipo de regulação para o setor.


Como não debater a questão da propriedade cruzada dos meios de comunicação? Ou a política de concessão de canais de radiodifusão? Canais públicos, aliás. É certo que são temas para a discussão futura, mas sua sombra já é notada na organização da Conferência.


Está marcada para amanhã uma reunião dos empresários com os ministros diretamente envolvidos na questão – Hélio Costa, das Comunicações, Franklin Martins, da Secom, e Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência.


O importante, agora, é deixar claras as regras de funcionamento do processo, para que isso não seja questionado adiante.


O consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, disse ao Observatório não enxergar nada de “antinatural, ou de anormal” do que se espera de uma discussão desse porte. Afirmou que “os ministérios têm feito um trabalho de articulação no sentido de que se extraia a melhor Conferência possível”.


De todo modo, é grande a chance de parcelas do setor empresarial abandonarem a organização da Conferência. Os movimentos sociais reclamam contra a possibilidade de estreitamento da pauta. E o governo jura de pés juntos que a Conferência sai na data aprazada. A ver que Conferência teremos.


Leia também


Controle social da mídia, por que não discutir o assunto? – Venício A. de Lima


Empresários ganham mais uma – Observatório do Direito à Comunicação


Franklin sobre Confecom: ‘Estamos diante de um problema político’ – Mariana Mazza

Todos os comentários

  1. Comentou em 17/08/2009 Ney José Pereira

    E quando a imprensa será reformada?.

  2. Comentou em 15/08/2009 Ney José Pereira

    E Editoriais ainda existem?. Observação: Os Editoriais e as Opiniões da Imprensa são bem piores do que os tais ‘discursos’ da tribuna do Congresso Nacional!. Outra observação: Ainda existe Imprensa no Brasil?.

  3. Comentou em 14/08/2009 Ney José Pereira

    Ainda existem a ANJ-Associação Nacional de Jornais- e a ABI-Associação Brasileira de Imprensa- e a UNE-União Nacional dos Estudantes-?. Ainda existem a ‘opinião pública’ e a sociedade civil?. Ainda existem os poderes constituídos e suas ‘autoridades’?. Ainda existem Estado de Direito e democracia?. O Brasil ainda existe?.

  4. Comentou em 12/08/2009 Fernando Augusto Botelho

    A população em geral esta esgotada com o noticiário de escândalos, ou se preferir de denúncias, as causas, vejamos:

    1.Super exploração que levou a uma vulgarização do tema.

    2.A sensação de impunidade em relação aos denunciados.

    3.O partidarismo da mídia percebido pela população, com total falta de isonomia no tipo de tratamento e no espaço dado nas coberturas aos diferentes atores políticos, “dois pesos e duas medidas”.

    4.A precipitação e açodamento que levou a erros técnicos, “barrigas”.

    5.Fraudes jornalísticas, algumas flagrantes e grosseiras.

    6.Linha editorial de viés preconceituoso e até racista, com muitos comentários do tipo “coronel do Nordeste”.

    7.Coberturas de baixa qualidade técnica e sensacionalistas que acabaram afastando um público mais formador de opinião.

    8.Foco do grande público em outras questões consideradas por este como mais urgentes, como crise econômica ou gripe suína, aliás crises super dimensionadas pela mídia.

  5. Comentou em 12/08/2009 Ricardo Dias

    Existe indignação no Brasi ? Se existisse, todos os indignados votariam NULO simplesmente por uma questão de lógica. Nosso país é um imenso pasto dividido para poucos proprietários nos 4 Poderes, criadores de bois-eleitores.
    No Brasil, resta a quem sempre vota em alguém e indubitavelmente se decepciona, viver eternamente com cara de boi gripado. Sabem o que é isso? Nem eu, mas deve ser alguma coisa parecida com o cúmulo da subserviência.
    Que essa manada siga mansa, como sempre seguiu, rumo à 2010. Os criadores adoram isso.

  6. Comentou em 12/08/2009 Ney José Pereira

    O mínimo que os jornalecões devem fazer é, por exigência da ANJ-Associação Nacional de Jornais-, um editorial em primeira página condenando as atuais práticas (políticas e eleitorais e administrativas e … todas)!. E exigir (não só do Senado Federal) práticas compatíveis com a democracia e com a República e de respeito ao povo brasileiro. Mas, não vale editoriais faz-de-conta!. Observação: E esse tal Tasso Jereissati agora é o ‘desculpador’!.

  7. Comentou em 12/08/2009 MANO NUNES

    …no final a imprensa não é a farinha do mesmo saco é o cordel que lacra ou deixa passar, e assim caminha a humanidade no Brasil ! ! !

  8. Comentou em 12/08/2009 Fernando Maciel

    Ótimo resumo da ópera:

    Lula tem a caneta. Na hora agá, isso decide

    http://www.viomundo.com.br/opiniao/lula-tem-a-caneta-na-hora-aga-isso-decide/

  9. Comentou em 12/08/2009 Zé da Silva Brasileiro

    O objetivo desta campanha conduzida pela mídia brasileira estava muito claro. Buscava-se simplesmente derrubar José Sarney. Nada menos. Nada mais. Enquanto o imortal autor de ‘Marimbondos de Fogo’ estava apanhando calado estava tudo muito bonito. Acontece que os becões Renan, Salgado e Collor com boas bordoadas espantaram os atacantes que pipocaram feio. Sobrou até para o Roberto Pompeu da revista Veja que saiu mais sujo do que pau de galinheiro…Quando ficou claro que José Sarney arrastaria na sua queda um grande número de senadores os valentes perderam a eloquência e andam mansinhos, mansinhos. Para salvar Arthur Virgílio, Tião Viana, Efraim Moraes, Tasso Jereissati, Sérgio Guerra, Alvaro Dias, Simon duas éticas, etc. etc.. a impoluta mídia brasileira aceita colocar outro escândalo na vitrine e esquecer Sarney. Talvez, quando ele morrer, até possam lhe dedicar alguns elogios… Quem viver, verá. E assim trocado o escândalo na vitrine lá se vão propostas sérias e oportunas de reformas como a da OAB que propôs a renúncia de todos os senadores e a instituição do recall. Não se discutirá nem mesmo a possibilidade de redução em um terço da quantidade de deputados e senadores. Tudo permanece como dantes no quartel de Abrantes.

  10. Comentou em 12/08/2009 Mauro Nogueira

    Não apenas o apoio, mas o fato de o PSDB/DEM/PSB serem atualmente as maiores fontes de informação (devidamente protegidas pelo sigilo da fonte) da grande mídia responde à essa questão do envolvimento da mídia.

    E considerando ainda que Michel Temer, que é serrista, é o terceiro homem da República, e que se o Sarney caísse assumiria um senador do DEM a presidência do Senado, podemos dizer que se José Alencar não vencer o câncer, o segundo, o terceiro e o quarto (Gilmar Mendes) homem da República seriam da oposição. Portanto, o Lula pensaria mil vezes antes de botar o pé fora do Brasil.

  11. Comentou em 12/08/2009 Rafael Rodrigues

    Infelizmente vivemos um país onde a corrupção, os escândalos, as mazelas tornaram-se crônicas, como qualquer doente nos tornamos um país de vendidos, a culpa é totalmente nossa, os órgãos sociais e de amplo poder poderiam encampar uma grande revolução. Ocorre, todos nós aceitamos e se der vamos para o ‘jeitinho’. Se quisermos ser felizes simplesmente ignoremos, afinal logo chega o carnaval.

  12. Comentou em 12/08/2009 Washington Ferreira

    O nobre articulista e observador da imprensa sublinha a questão: ‘A única dúvida que os jornais deixam no ar é se a própria imprensa faz parte do acordo’. Pelo menos admite a dúvida, e deixa ao leitor a oportunidade de tirar esta dúvida ou não, através da leitura. Postura jornalísticamente correta, bem diferente de supostos observadores que tentam nos fazer crer que a imprensa, principalmente os jornalões, abordam a política nacional com isenção e são dotados de espírito público. Collor teria, então, razão?

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