Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 128

Mauro Malin

>>A Venezuela não é aqui
>>É estupidez demais

Por Mauro Malin em 31/10/2005 | comentários

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A Venezuela não é aqui


O PT e o presidente Lula cometerão um grave equívoco se consideraram que a oposição brasileira é semelhante à oposição venezuelana ao presidente Hugo Chávez e que a mídia brasileira é parecida com a venezuelana. A semana, que culminará com a passagem do presidente George W. Bush pelo Brasil, já começa fervendo.


Palocci sob fogo cerrado


Grave mesmo, no noticiário de hoje, é a posição precária em que aparece o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Antigos auxiliares seus surgiram na suposta entrada de dinheiro de Cuba na campanha de Lula. Novas denúncias relativas à segunda gestão da Palocci em Ribeirão Preto ganham manchete na Folha de S. Paulo. E o noticiário relata intenções gastadeiras da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, que são de deixar de cabelo em pé os adeptos da estabilidade macroeconômica.


Não é difícil achar outro ministro da Fazenda que apóie a responsabilidade fiscal. Difícil é achar um que ajude a conter os ímpetos corporativistas e fisiológicos de importantes segmentos do PT.


De Fidel para Duda?


Se tiver entrado dinheiro de Cuba para a campanha do PT, o mais absurdo é pensar que eles cabe todo na parte embolsada pelo publicitário Duda Mendonça.


É estupidez demais


O Alberto Dines comenta hoje a reportagem da revista Veja sobre dinheiro que teria vindo de Cuba para a campanha eleitoral do PT em 2002. Devido a problemas técnicos, não temos o áudio de Dines e eu vou reproduzir o que ele disse:


“A Veja está novamente em cartaz. Agora com um petardo fabricado à base de dinamite pura. É a carga mais forte nestes quase seis meses de explosões sucessivas. A denúncia de que o PT teria recebido durante a campanha eleitoral de 2002 entre um milhão e pouco e três milhões de dólares de Cuba, se for comprovada, poderá ameaçar a própria sobrevivência do PT. E muito mais. De qualquer forma”, prossegue Alberto Dines, “assim como já criticamos o semanário, somos obrigados a reconhecer que desta vez atendeu às exigências formais e normas mínimas em matéria de técnica jornalística. Não opinou, indicou as duas fontes, gravou as entrevistas, indicou onde e como foram realizadas, completou-as com informações suplementares e ainda fez reparos às contradições embutidas na própria matéria.


Até aí tudo bem. O que torna a reportagem inverossímil e quase absurda é que pressupõe um incomensurável grau de estupidez nas duas pontas da operação: o governo cubano e a direção do PT. Difícil acreditar que políticos experientes aqui e no Caribe tenham embarcado numa aventura tão primária. Fidel Castro já cometeu erros crassos, a direção do PT já cometeu erros imperdoáveis, mas é impensável que tenham planejado juntos tamanho disparate e tão grande desatino. Há limites para a estupidez. É isto que torna inacreditável a denúncia de Veja.


Esse foi o comentário de Alberto Dines para o Observatório da Imprensa no rádio desta segunda-feira, 31 de outubro.


Ouça o Comentário de Alberto Dines


Cervantes em Brasília


A história do dinheiro cubano ainda vai render, embora a mídia tenha repercutido a notícia com relativa discrição. O prefeito José Serra, que após a renúncia do senador Eduardo Azeredo assumiu a presidência do PSDB, acha que a reportagem da Veja tem verossimilhança.


Mas o trabalho de apuração continua precário. Nenhum veículo noticiou nesse fim de semana que o famoso dirigente cubano Sérgio Cervantes esteve em Brasília pelo menos até sexta-feira passada. É porque nenhum dos grandes jornais de expressão nacional cobriu a reunião de movimentos sociais que se realizou na capital. Cervantes acompanhou. A taxa de loucura contida nos acontecimentos políticos é sempre assombrosa.


Vôo rasteiro


Termina hoje o quinto mês de noticiário sobre as tentativas da Varig para sair da crise. Segundo o jornal Valor de hoje, todo o esforço feito atualmente serve apenas para resolver problemas de caixa da empresa. Entre junho e a semana passada a conta junto a fornecedores já teria chegado a 72 milhões de dólares.


Morte e mau gosto


O Globo de sábado, edição que circulou em São Paulo, saiu com a notícia de que o traficante da Rocinha Bem-Te-Vi havia escapado de um cerco. Bem-Te-Vi, como se sabe, foi morto na madrugada de sábado. E no domingo o Globo deu à reportagem o título inapropriado de “Bem-Te-Vi não voa mais”. Não tem o menor cabimento fazer graça com esse assunto. Se a idéia foi dar um título poético, pior ainda.


Favelas: recuperação possível


A série de reportagens do Globo sobre favelas do Rio ficou mais rica no domingo, quando o jornal publicou fotos antigas de favelas em vários trechos da orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, todas removidas. Na revista dominical, o jornal publicou propostas importantes de recuperação urbanística e de favelas do Rio, com o uso para habitação de espaços vazios, onde há boa infra-estrutura, cogitado também em antigos bairros industriais de São Paulo, como a Mooca.

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/11/2005 Haroldo M. Cunha

    Quantos golpes a mais nós teremos que engolir? Nossa sociedade precisa realmente de capatazes? 1889, 1923, 1930, 1945, 1964 e agora sinto o cheiro de 2005. Nossa democracia não é fraca, fracos são os nossos cidadãos, que sentam em frente a TV para verem Hebe´s Camargos a destilarem seus ranços de direita conservadora e acreditam em coisas fáceis. Depois de 502 anos, finalmente conseguimos respirar um pouco, pensei eu, no entanto foi uma ilusão, os urubus continuam sobrevoando os girassois e o que eles desejam é continuarem suas dinastias incolumes, as vazes deixam uns condominios serem erguidos na Barra da Tijuca, so para não darem muito na vista! É… o som de ‘virar a direita’ volta a ser ouvido…

  2. Comentou em 31/10/2005 Maurício de Campos Araújo

    Não é equivoco nenhum em comparar a oposição e a mídia brasileira com a venezuelana. A mídia brasileira é pior, pois em 1964 conseguiram o Golpe de Estado que tanto queriam (basta ler os editorias dos grandes jornais da época), na Venezuela a imprensa não conseguiu.
    Sempre bom lembrar que o Cisneiro é sócio do grupo Abril e deve estar passando o seu Know-how de golpista para grupo.
    A imprensa brasileira não se conforma com o sucesso do Governo do PT e precisa combate-lo até que consiga ter os seus aliados de volta ao poder e se possível antes de 2006.
    A imprensa brasileira não tem vocação para a democracia como mostra a nossa triste história. Os moralistas de hoje são os mesmos que fecharam os olhos e se benificiaram da corrupção no Atacado do governo FHC.
    A herança maldita que o governo petista recebeu (que a imprensa nunca reconheceu) era tão grande e prova disso é a figura de Marcos Valério (produto tucano).

  3. Comentou em 31/10/2005 Ricardo Camargo

    Acho inverossímil, efetivamente, que tenha vindo dinheiro de Cuba para a campanha presidencial no Brasil por vários motivos: 1) não há necessidade de utilizar caixas de whisky ou de rum, que se podem extraviar no meio do caminho, quando já se conhece, há mais de vinte anos, a transferência eletrônica de fundos (tema, inclusive, da tese de livre-docência para a Faculdade de Direito da USP elaborada pelo Prof. Luiz Olavo Baptista; 2) a intervenção de um país na conquista do Governo de outro, na história da humanidade, sempre foi considerada um ato típico de agressão, e nunca ficou sem resposta, com o que, se admitida a reportagem como prova suficiente, não se poderia parar só na cassação do mandato do atual Presidente e do registro do seu partido, ter-se-ia de partir para a declaração de guerra. Para os que acham que é conveniente que tal historieta seja considerada crível, chamo a atenção para o fato de que, em estourando um conflito, não são apenas soldados e ‘quincas’ que morrerão pela honra nacional, mas também aqueles que têm de os comandar, e que, em sua maioria, não são eleitores do atual Governo. E é de se notar que as mães brasileiras, mesmo aquelas que acreditam piamente que ‘comunista come criança’, não são, em sua maioria, matronas romanas, que acham melhor que o filho morra pela Pátria do que tê-lo vivo a seu lado. Mesmo não tendo qualquer simpatia pelo Presidente da República ou pelo seu Partido, pergunto quem quer pagar a conta de lançar o país numa situação destas.

  4. Comentou em 31/10/2005 Iolando Fagundes

    Como dar importância a uma matéria deste naipe! Só fazendo piada! LA PLATA CUBANA ‘Foi uma fonte quentíssima que me confirmou.Este dinheiro foi deixado por Simon Bolivar em testamento, já prevendo que o companheiro Lula necessitaria da grana para se eleger. O referido dinheiro, junto com a carta foi encontrado por Tche Guevara, que o repassou para o companheiro Fidel para quando fosse chegada a hora de cumprir-se a profecia, enviasse ao Brasil LA PLATA CUBANA. Então deu-se o fato, a grana foi transportada em caixas de bebida,atravessou o Atlântico e foi parar nas mãos do Lula. Quem contou essa história para mim foi o companheiro Barquete. No entanto, fora o comandante Fidel, nenhum outro pode confirmar a minha história, todos estão do lado direito do primeiro revolucionário da história , Jesus Cristo. Que Deus os Tenha’

  5. Comentou em 31/10/2005 Rikene Fontenele

    Sobre o comentário do Dines não custa lembrar que se ‘ouvissemos falar’ de dólares na cueca de um assessor petista também julgaríamos inverossímil. Não duvido mais de nada, os políticos são capazes de tudo.

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