Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 610

>>A volta de Cacciola
>>Contas erradas

Por Luciano Martins Costa em 17/09/2007 | comentários

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Antigos e novos escândalos

A prisão do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, no principado de Mônaco, traz de volta ao noticiário o personagem central do escândalo de 1999, que levou à criação da CPI dos Bancos.
Boa oportunidade para relembrar algumas histórias que a imprensa deixou na gaveta.

Dines:

– De onde teria saído a bolada de um milhão e setecentos mil reais? A pergunta está completando um ano de existência. O escândalo do Dossiê Vedoin tornou-se público no dia 15 de Setembro de 2006, duas semanas antes do primeiro turno e as dúvidas mais elementares ainda não foram esclarecidas. Ao contrário, ficou tudo mais confuso.  Mesmo que o presidente Lula tenha acusado os primeiros suspeitos como ‘aloprados’, mesmo que a compra do dossiê tenha sido abortada pela ação da Polícia Federal, até hoje não há culpados. Nem os responsáveis pela ‘Operação Abafa’ foram incomodados. Aquilo que seria um dos maiores crimes eleitorais transformou-se na maior pizza de todos os tempos. Pior de tudo: foram melancólicas as retrospectivas publicadas em alguns jornalões de ontem. A única certeza inequívoca e incontestável foi esquecida: a disposição da revista IstoÉ de publicar um trambique jornalístico. Se houve crime na compra de um dossiê calunioso, se este dossiê calunioso chegou a ser divulgado parcialmente e até serviu de base para a propaganda do candidato Orestes Quércia, por que razão omite a mídia este ilícito praticado por um veículo jornalístico? É falta de memória ou corporativismo?  Esta é uma pergunta que jamais será respondida com clareza porque a mídia no Brasil não discute a mídia. Mesmo quando se trata de um caso de polícia.

Luciano:

Mais do mesmo


As duas revistas noticiosas de maior circulação disputam na edição desta semana a primazia e a exclusividade dos bastidores do julgamento do senador Renan Calheiros.

A rigor, a despeito do grande esforço de reportagem, nenhuma das duas apresenta uma versão totalmente inédita do que se passou na sessão secreta. A maior parte das informações já havia circulado pelos jornais, blogs e sites informativos.



No entanto, Época consegue ser mais objetiva que Veja. Embora as duas revistas tenham enveredado pelo mesmo viés unânime da imprensa em geral, Época foi menos pródiga nos adjetivos.

Mas as duas revistas repetem a omissão e o erro que os diários cometeram nos últimos dias.

A omissão: por que a oposição não votou em peso pela cassação?

O erro: as revistas passam a impressão de que o presidente do Senado foi definitivamente inocentado.

Como se sabe, Renan Calheiros ainda não chegou ao ponto mais quente do seu inferno astral.

Coisa de cangaceiro

A frase mais criativa sobre o escândalo do Senado foi dita por Fernando Gabeira, segundo a Folha e o Globo.

Participando de um debate durante a 13a. Bienal do Livro no Rio, Gabeira disse que não apoiaria um movimento do tipo ‘Cansei’ contra Renan Calheiros.

Para Gabeira, uma campanha para derrubar Renan deveria se chamar ‘Se entrega, Corisco!’

A volta de Cacciola

A notícia da prisão do ex-banqueiro Salvatore Cacciola no principado de Mônaco produz uma boa oportunidade para rememorar um dos grandes escândalos financeiros dos últimos anos.

A Folha de S.Paulo refresca a memória do leitor na edição de hoje.

Conta como o banco Marka, pertencente ao italiano, recebeu ajuda financeira do Banco Central do Brasil, em janeiro de 1999, durante a crise mundial que levou à desvalorização brusca do real.

O prejuízo de um bilhão e seiscentos milhões de reais causado ao Banco Central deu início à CPI dos Bancos, que em oito meses condenou o então presidente do BC, Francisco Lopes, e toda a diretoria, recomendando ao Tribunal de Contas da União que os obrigasse a devolver o dinheiro.
Em 2005, Lopes foi condenado a dez anos de prisão e Cacciola recebeu uma pena de treze anos.

O banqueiro havia sido preso em 2000, mas fugiu para a Itália logo após ser libertado graças a um habeas-corpus concedido pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Marco Aurélio Mello.

A Justiça de Mônaco decide hoje se ele continuará preso à espera do julgamento do pedido de extradição para o Brasil.



Por enquanto, o Banco Central ainda não viu um centavo do dinheiro desviado.

Dança do siri

Talvez os jornalistas tenham sido influenciados pelas boas notícias dos últimos dias na economia.

O aumento da renda dos brasileiros em mais de 7% no ano passado e o registro de investimentos recordes no País parecem ter melhorado o humor dos editores.

O fato é que o Estadão apresentou no alto da primeira página, em sua edição de domingo, o locutor da Rede Globo Galvão Bueno dançando a tal ‘dança do siri’ com dois comediantes de uma emissora rival.

Cabe agora aos sociólogos e comunicólogos explicar ao público a relevância cultural do evento, capaz de levar os editores do outrora vetusto jornalão paulista a expor na primeira página a desajeitada performance de Galvão Bueno.

Quem livrou Renan

Os jornais dedicam hoje pouco espaço à crise do Senado. O Estado de S.Paulo lhe reserva menos de meia página, espaço ocupado pelo noticiário da festa na cidade natal de Renan Calheiros, Murici, em Alagoas.

Apenas a Folha de S.Paulo mantém a marcação cerrada, contando que os aliados de Renan estão tentando eleger um relator amigo para o próximo processo, aquele que trata da compra de emissoras de rádio com dinheiro de origem duvidosa.

Contas erradas

Baixada a poeira, era hora de a imprensa fazer as contas certas da absolvição de Renan no julgamento de quarta-feira passada.

A afirmação unânime de que o Partido dos Trabalhadores organizou e definiu o resultado da votação secreta não resiste a uma conta de padeiro.

O PT tem doze senadores. Segundo os cálculos dos jornais, seis deles votaram contra a cassação ou se abstiveram.

O partido Democratas tem dezessete senadores e o próprio líder Agripino Maia acha que no mínimo oito deles votaram a favor de Renan.

O PSDB tem treze votos e pelo menos um deles, o do alagoano João Tenório, foi para a absolvição de Renan.

Se o Partido Democratas tivesse votado em peso pela cassação, hoje o Senado estaria escolhendo um novo presidente.



Conclusão: Renan foi absolvido pela oposição.

Espera-se que em algum momento a imprensa explique por que razão.

As manobras dos próximos dias vão demonstrar quem realmente deseja a cassação de Renan Calheiros e quem está fazendo jogo de cena.

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