Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Programa nº 216

Mauro Malin

>>Acabou a festa
>>Faltam correspondentes

Por Mauro Malin em 02/03/2006 | comentários

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Acabou a festa


Enquanto o Globo se distrai com o resultado do Carnaval carioca, os jornais paulistas noticiam avanços das CPIs e outras novidades importantes. O Estadão dá em manchete a descoberta de telefonemas do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, a suspeitos de mensalismo. Na Folha, a família do prefeito Celso Daniel anuncia sua saída do Brasil, com medo de violências. Celso Daniel pode ter sido vítima de um crime comum, mas pouca gente duvida da existência de um vasto esquema de corrupção na Prefeitura petista de Santo André.



A voz da igreja


Os veículos repercutem segundo seu engajamento a manifestação da CNBB sobre a política econômica e social do governo Lula. Quem quer hostilizar o governo, dá mais destaque.


Faltam correspondentes


Nahum Sirotsky, correspondente em Israel do portal IG, faz uma advertência a respeito da qualidade das informações transmitidas por agências de notícias.


Nahum:


– Existem jornalistas no Brasil de nível internacional, de qualidade excepcional. Gente que tem a noção do que seja hoje a informação e o conhecimento. Existe ainda também um velho complexo, um velho preconceito. A agência de notícias, ou ela representa certos interesses, certa política, certa ideologia, ou ela, de forma geral, é um negócio. E, como negócio, ela pretende ser comprada como produto por veículos de todas as tendências. O veículo comunista e o veículo fascista. O direitista e o esquerdista. Todos eles vão comprar o noticiário da agência.


Mauro:


– Nahum explica que, por isso, as agências muitas vezes recaem na superficialidade.


Nahum:


– Nem sempre a agência é a melhor fonte para entender o que acontece no mundo, não. De forma geral, a agência dá o contorno, os aspectos principais do que ela pode informar. Eu estranho muito que a imprensa brasileira, a grande mídia, a mídia que se respeita, não dedica mais recursos a ter observadores próprios, que informem com a visão brasileira, para que se compreenda no Brasil o que está acontecendo no mundo. Eu acho que o Brasil hoje é um país mal informado, porque tem poucos observadores no exterior. A agência tem mais recursos para estar presente em muitos lugares ao mesmo tempo e mandar as informações observadas por repórteres que inclusive nem sempre são os melhores repórteres do mundo. Se sabem mais ou menos os fatos que estão acontecendo. Mas muito raramente agora há o background, o contexto, o ambiente, a história, que permitem que você compreenda. Você coleciona fatos mas não compreende.


O samba da ignorância


Por falar em contexto e referências históricas, alguém podia ter contado para os autores do samba-enredo da Vila Isabel que Arriba! era o grito de guerra dos fascistas espanhóis. Digamos que se possa ver com alguma condescendência a confusão que os sambistas fizeram com referências voluntárias a Che Guevara e involuntárias ao ditador espanhol Francisco Franco. Mas os jornalistas… O Globo dá nesta quinta-feira, 2 de março, em letras garrafais, manchete de página: “Arriba, Vila!”


Julio Fombelida Pitta é barbeiro em São Paulo. Há cinqüenta anos, foi embora da Espanha franquista.


Julio:


– É horrível. “Arriba, España, Viva Franco!”. Era tipo uma mão assim levantada, parecia Hitler. Não era nem saudação. Era uma obrigação, lá sei eu. O senhor me falou agora. Depois de 53 anos que eu ouvi falar, agora, estou ouvindo hoje. Não esqueci nunca. Essas coisas a gente não esquece nunca. Grava na gente.



Chávez e folia


Trata-se como se fosse a coisa mais natural do mundo o patrocínio da estatal venezuelana de petróleo para uma escola de samba brasileira. Agora que a Vila Isabel ganhou é capaz de Hugo Chávez ir ao Rio comemorar.


Responsabilidade social


Dois brasileiros são listados em estudo publicado na edição desta semana da revista The Economist como empreendedores sociais destacados. O ex-assessor do presidente Lula Oded Grajew, fundador do Instituto Ethos, e Fabio Rosa, fundador do Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas e da Auto Sustentabilidade.


A The Economist aponta, entre vários assuntos relevantes, deficiências e malandragens nas práticas de empresas na esfera da chamada responsabilidade social. No Brasil, a imprensa trata acriticamente esse universo.



Marketing da Folha


A Folha faz hoje marketing com prêmio dado às entrevistas de Roberto Jefferson, em junho de 2005. O título é “Revelação do ´mensalão´ ganha Prêmio Folha”. Quem revelou o mensalão foi o Jornal do Brasil, em setembro de 2004. Só que ninguém deu bola.


# # #


Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br.

Todos os comentários

  1. Comentou em 02/03/2006 José Carlos dos Santos

    Mauro, você acha que o normal é o jogo do bicho, políticos ou criminosos patrocinarem escolas de samba, fala sério. Quanto ao grito de exclamação ‘Arriba’, pode-se inferir que na Espanha a expressão esteja associada ao Franquismo (particularmente não acho isso) mas na América Latina, objeto do enredo, essa expressão não está associada a ditadura e sim aos gritos de aclamação ou incentivo comparável ao nosso ‘Viva’. Quanto à família de Celso Daniel, de saída do Brasil, gostaria de saber quem financiará a viagem, afinal é estranho, porque quando dava ibope acusar o PT não tinham medo de nada.

  2. Comentou em 02/03/2006 fernando yassu

    É sobre caso Celso Daniel e seus irmãos: quem os ameaça. Ora, a polícia não investiga. Na era tecnógica, o já prosaico bina – ou a quebra de sigilo telefonico – não identificar as chamadas? Mais: o que a imprensa está fazendo? Não confronta as provas colhidas pela polícia – que sustenta ter sido crime comum – e pelos promotores – que defendem crime de mando. Quem está com a razão? Não era hora do jornalista penetrar nesse angu e descobrir a verdade? A polícia foi apressada? Em quatro anos, o que os promotores juntaram de provas materiais? Ou será que a imprensa não quer a verdade e deixará esse cadaver insepulto. Uma perguntinha banal: era possível montar esse crime sem um telefonema? O que deu a quebra dos sigilos telefôicos dos suspeitos de mandante e os bandidos? Leio, leio, mas nada.

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