Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 145

Mauro Malin

>>Ameaça de virada
>>Liberdade precária

Por Mauro Malin em 23/11/2005 | comentários

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Ameaça de virada


No excelente programa de ontem à noite do Observatório da Imprensa na televisão, ficou evidente que há uma grande encruzilhada da vida brasileira ainda não explicitada com a devida clareza pela mídia. Um momento de virada que pode tirar dos trilhos um esforço feito desde 1994 para estabilizar a economia.


Desta vez, vamos!


Gilberto Menezes Cortes fez no programa do Observatório um brilhante paralelo entre a atual pressão contra a política do Ministério da Fazenda de Lula e a queda de Mário Henrique Simonsen no início do governo do general Figueiredo, em 1979. Disse que Delfim Neto, ministro da Agricultura, liderou na época a pressão contra a austeridade fiscal, com apoio do empresariado paulista, porque pretendia ser candidato a governador e, depois, a presidente da República. Ficou no lugar de Simonsen.


Rolf Kuntz disse que estava em Brasília e ouviu, em meio a uma caminhada de empresários na Praça dos Três Poderes, um deles gritar: Desta vez, vamos! E comentou Kuntz: fomos, sim, para a famosa década perdida.


O medo do furo


Fernando Rodrigues chamou a atenção para a dificuldade que os jornais têm de cobrir tantos assuntos relevantes ao mesmo tempo, com medo de levar furos.


Junta Orçamentária


Num canto do noticiário desta quarta-feira, 23 de novembro, informa-se que amanhã reúne-se no Palácio do Planalto a Junta Orçamentária do governo. Com Lula e os ministros Palocci, Paulo Bernardo e Dilma Roussef. Convém ficar de olho.


Demagogia do PSDB


O PT tem dado tanto material para a mídia que ela se esquece de criticar com a necessária ênfase a leviandade com que o PSDB faz críticas à política econômica. O ex-presidente Fernando Henrique andou liderando o coro da demagogia.


Separação de poderes


Não se sustenta o argumento usado ontem pelo ministro Antonio Palocci para explicar por que não processa Rogério Buratti e jornalistas. Palocci disse que não quer usar o peso do Ministério da Fazenda nas investigações. Se a Justiça não tem independência, o regime não é democrático, é ditatorial.



Liberdade precária


O editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto, diz que é difícil exercer a liberdade de imprensa em certas regiões do país.


Egypto:


– O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto vive um paradoxo que seria curioso se não fosse absurdo. Ele é editor do Jornal Pessoal, de Belém do Pará, e repórter com décadas de experiência na cobertura de assuntos da Amazônia. Lúcio foi um dos três jornalistas escolhidos para receber o Prêmio Internacional da Liberdade de Imprensa, concedido pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas, organização não-governamental com sede nos Estados Unidos.


O jantar em homenagem aos premiados realizou-se ontem, terça, no antigo e ainda elegante hotel Waldorf Astoria, em Nova York. Mas Lúcio não pôde comparecer. Ele não saiu de Belém para não correr o risco de perder algum prazo nos 18 processos que responde em razão de seu trabalho jornalístico. São processos que têm duas características em comum: todos são baseados na Lei de Imprensa, entulho autoritário em vigor desde 1967, e todos derivam de matérias envolvendo assuntos de interesse público, em especial a grilagem de terras na Região Amazônica.


Liberdade de imprensa é isso aí.



Resistência às cotas


O professor de economia da UFRJ Marcelo Paixão inovou ao mostrar numa pesquisa que se os brancos do Brasil formassem um país, ele estaria em quadragésimo quarto lugar no IDH, e um Brasil dos negros estaria na centésima quinta posição. Paixão fala de uma mudança de comportamento da mídia em face da questão racial.


Marcelo Paixão:


– Principalmente no período posterior ao Plano Real ocorreu um aumento do ingresso de estudos que falavam sobre desigualdade e pobreza no Brasil. A mídia continuou dando um espaço importante quando o tema racial apareceu. Eu próprio fiz estudos divulgados por cada um desses grandes órgãos da imprensa brasileira. Nós percebemos que houve uma maior abertura desse setor para o enfrentamento dessa questão, que até então não era uma questão que tivesse uma visibilidade pública tão forte. Mas, de fato, ao longo dos últimos dois anos houve uma inflexão na maneira pela qual a mídia veio trabalhando com a temática racial. Principalmente tendo em vista a questão das políticas de cotas nas universidades. No momento em que uma política específica estava sendo construída, a partir justamente desses indicadores, dessas pesquisas que vinham sendo feitas, o posicionamento central da grande imprensa brasileira acabou caminhando no sentido de ser contrário.


Não decola


Em meio a uma interminável viagem que não sai do chão, coloca-se a respeito do destino da Varig a mesma pergunta sem resposta de seis meses atrás: quem vai pagar o prejuízo da empresa?

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