Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

Programa nº 146

Mauro Malin

>>As grandes linhas da crise
>>Um Brasil dividido

Por Mauro Malin em 24/11/2005 | comentários

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As grandes linhas da crise


Existem duas linhas possíveis de leitura da crise em torno do ministro Antonio Palocci. Uma é predominante, está nos editoriais de hoje do Estado de S. Paulo e da Folha. O presidente Lula teria recuado da tentação de mudar a política econômica. A extensão completa desse conflito ainda não foi descrita pela imprensa. É um conflito de interesses e de visões que não depende apenas da vontade dos atores. A outra linha de explicação foi abordada de passagem pelo jornalista Raimundo Costa no Valor de terça-feira: os senadores José Sarney e Renan Calheiros desconfiam de uma grande encenação do tipo colocar e tirar o bode da sala.


Nos dois casos, falta à mídia uma visão mais articulada. Entre outras razões, é porque praticamente não existem mais partidos políticos no Brasil capazes de fazer análises estruturais e de conjuntura.


Crise de boatos


Eliane Cantanhêde escreve hoje na Folha que o ministro Palocci tem uma verdadeira máquina de versões. Ora dando conta de que vai para casa, ora de que não arreda pé.


Crise de corrupção


Em meio a todos os episódios que animam o noticiário há uma constante: dados sobre os escândalos de corrupção continuam a ser produzidos quase que diariamente.



Um Brasil dividido


O Alberto Dines aponta a existência de linhas de fratura da sociedade brasileira que a mídia não consegue captar com clareza.



Dines:



– Mauro, os jornais de hoje trazem muitas novidades. O presidente acha que Palocci é imprescindível, os juros caem mais um pouco e o Supremo adiou a decisão sobre a cassação de José Dirceu. Mas a grande novidade não está explicitada. O país está dividido. Perigosamente dividido. Palocci fica, mas fica enfraquecido pela guerrilha, que ainda não foi debelada. A taxa de juros caiu meio ponto mas o mercado acha que havia espaço para uma queda muito maior. E a grande cisão está contida na indecisão da nossa suprema corte. A votação de ontem terminou rigorosamente empatada, vai ser decidida pelo ministro Sepúlveda Pertence, que, tudo indica, parece propenso a votar pela suspensão do processo a José Dirceu. E, nesse caso, há fortes indícios de que a Câmara pode se rebelar e votar o relatório do Conselho de Ética, contra a opinião do Supremo.


A democracia pressupõe o contraditório e as divergências. Mas o que estamos vendo é uma divisão. Perigosa divisão. E o pior é que os jornais, fragmentados por tantas notícias, não conseguem mostrar o tamanho desta divisão.


Discutir a Justiça


Tornam-se a cada dia mais urgentes novas discussões na mídia sobre os rumos da Justiça brasileira, que continuamente toma decisões relevantes em muitos campos. O caso do deputado José Dirceu tem suficiente repercussão política para ser a manchete desta quinta-feira, 24 de novembro, do Globo.


Ontem um juiz acusado de mandar matar outro, no Espírito Santo, foi libertado. Um juiz de Minas Gerais foi impedido de continuar mandando soltar presos que ele considerava estarem em condições inaceitáveis de encarceramento.


Na esfera econômica, o jornal Valor noticia que a Justiça do Rio tentou ontem reconduzir o grupo de David Zylbersztajn e Omar Carneiro da Cunha ao comando da Varig.


Libération fora do ar


O jornal francês Libération está parado por uma greve de seus jornalistas desde segunda-feira. O comitê de greve diz que demissões feitas pela direção são inaceitáveis. A direção diz que elas se inserem num processo de indispensável modernização do veículo, que agora está muito articulado com sua versão na internet. Todos os jornais do mundo, fora da China, da Índia e de alguns outros poucos países, enfrentam uma crise séria de perda de leitores. E ainda não se conseguiu chegar a novos formatos que combinem qualidades editoriais com viabilidade do modelo econômico.



Rocinha no Orkut


Os novos leitores de notícias estão cada vez mais enfronhados na rede mundial de computadores. No site de relacionamento Orkut, informa o jornal eletrônico do Viva Favela, do Rio de Janeiro, já existem mais de 80 comunidades de internautas dedicadas à Favela da Rocinha.


Disputa de blogs


A Folha de S. Paulo anuncia hoje que os blogs de política de seus colaboradores Fernando Rodrigues e Josias de Souza são os mais visitados do Brasil. Segundo o site Jornalistas e Companhia, passaram o pioneiro, de Ricardo Noblat.

Todos os comentários

  1. Comentou em 25/11/2005 José Ronaldo Gonçalves

    Srs.: Concordo em parte com a análise contida no comentário de Célio Mendes. Discordo da generalização. Tem gente na imprensa tentando manter a seriedade crítica. Embora nem sempre concorde, existem análises ponderadas da crise e seus atores. A despeito de tudo sou uma voz solitária: Concordo com a forma que se encontrou para viabilizar a política nos tempos atuais. O esquemão que mandava no País estava muito enraizado e apostou todas as fichas na dêbacle do Lula. Como isso não ocorreu eles partiram para o ataque e se travestiram de éticos e moralistas. Conta outra!!! Nesse processo até a imprensa foi levada no papo. Uns pelo mais puro sentimento e outros nem tanto… Se alguém quiser se dar ao trabalho sugiro uma compilação rigorosa de tota atuação parlamentar e atos de governo nos últimos 15 anos. Uma boa pesquisa nos artigos sobre corrupção em geral. Enriquecimento ilícito e outros tipos. Uma análise na composição das diretorias das Estatais (correios, petrobrás, etc…)e nos negócios produzidos neste período. Ah!!! Retirem o ponto eletrônico de alguns parlamentarezinhos e vejam o que acontece. Na verdade a teia de negócios e interesses é grande e, por incrível que pareça, é, algoz e salvadora simultaneamente. É uma baita correlação de forças (nem tanto) ocultas. É uma luta na lama. Por isso o Lula (ainda) não dançou. Ele sabe jogar. Joga muito!

  2. Comentou em 24/11/2005 Célio Mendes

    Tambem acho que ja passou da hora de o funcionamento da maquina judiciaria ser posto em debate, mas me preocupa que só se fale nisso quando esta contraria interesses de segmentos de nossa sociedade que sempre foram beneficiados por suas decisões, nunca vi uma mobilização da midia contra uma decisão judicial de declarar uma greve abusiva isto mesmo sendo nosso pais um campeão de abusos do direito trabalhista, ou então na época das privatizações os mesmos que hoje estão condenando o judiciario reclamarem das decisões que suspenderam liminares e permitiram a doação de nosso patrimonio em um processo que até hoje não foi devidamente investigado quer por CPIs quer pela nossa ‘combativa’ imprensa.

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