Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 435

Mauro Malin

>>Assistir de camarote é barato
>>PCC escamoteado

Por Mauro Malin em 12/01/2007 | comentários

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Homenagem às raízes


O Brasil homenageia suas origens no apoio do PSDB ao deputado Arlindo Chinaglia, qualquer que seja a metáfora escolhida para descrever o bizarro episódio: um acordo de caciques, ou um acerto entre donatários de capitanias.


Assistir de camarote é barato


Alberto Dines critica os grandes jornais brasileiros por não terem enviado repórteres à Venezuela.


Dines:


– As declarações de Hugo Chávez ao iniciar o seu terceiro mandato como presidente não deixam dúvidas de que o homem está mesmo disposto a acelerar o processo autoritário na vizinha Venezuela. Mas ontem nossos três jornalões nacionais não mandaram ninguém a Caracas para conferir. Fiaram-se apenas no noticiário das agências telegráficas internacionais e na retórica inequívoca do líder venezuelano. Abriram mão do dever de acompanhar os acontecimentos in loco. A desculpa de que foram pegos de surpresa não cola: já na semana passada o delirante Chávez deixara claro que a terceira posse não passaria em brancas nuvens. Então o que aconteceu? Economia. Este é o nome do jogo. Como nesta época do ano caem drasticamente as vendas em banca, os classificados e também os grandes anúncios, os jornais fizeram as contas e concluíram que não compensaria despachar para Caracas um enviado especial. Poderiam ter as notícias e até destacá-las (como efetivamente aconteceu) sem qualquer gasto extra. O curioso é que chegaram à mesma conclusão conjuntamente. Fica a impressão de um acerto prévio e isso enfraquece a imagem de uma imprensa competitiva e plural. Hugo Chávez detesta a imprensa livre e este tipo de sovinice coletiva só reforça o seu arsenal retórico contra o que ele chama de complô da mídia.



A Globo foi a Caracas


Desde anteontem o Jornal Nacional tem o repórter Ernesto Paglia em Caracas. Ontem, ele entrevistou a diretora de jornalismo da mais antiga emissora de televisão da Venezuela, a RCTV, ameaçada de fechamento. A Folha de hoje diz que o presidente Lula criticou Chávez em conversas reservadas. Resta saber o que Lula dirá publicamente quando os dois se encontrarem na semana que vem, no Rio de Janeiro, em reunião do Mercosul.


O SNI vive e atua


Nunca chegou a ser feito um desmonte completo dos antigos serviços de espionagem da ditadura. A Folha noticia hoje que a Abin, sucessora do SNI, quer ter direito de grampear telefones, como se fosse polícia judiciária.


Léo Gilson Ribeiro


Com a morte de Léo Gilson Ribeiro, o jornalismo perde um intelectual que foi referência para várias gerações de leitores.


PCC escamoteado


A repórter da TV Record Fátima Souza foi a primeira pessoa a falar publicamente do PCC, quando trabalhava na TV Bandeirantes. Ela acusa jornalistas e autoridades de insensibilidade e irresponsabilidade.


Fátima:


– É até deselegante para mim, que também faço parte da mídia, também já errei, mas no episódio do PCC o que a mídia fez foi cometer um grande erro. Não é “super” ego, não, mas eu acho que se eu tivesse sido ouvida naquele momento, se o resto da mídia tivesse dado essa força, para que o PCC estivesse rapidamente em todos os jornais, em todas as revistas, em todas as rádios, o governo teria se mexido, teria trabalhado com mais empenho, não teria simplesmente fingido que era um problema que não existia. Tenho certeza absoluta de que se o PCC tivesse sido combatido naquele momento, quando tinha 700 homens, ele não chegaria a ter 130 mil.


Mauro:


– Há contestação a respeito desse número, mas para Fátima o fundo da questão é que os governos tentam negar o que lhes parece incômodo.


Fátima:


– Hoje você tem uma coisa muito alarmante no PCC, mais do que na cadeia, é o PCC aqui do lado de fora. Nós tivemos ataques aqui em maio, que pararam a maior cidade do país, que de repente você via brotar PCCs de todos os cantos, camicases saindo às ruas das favelas, dos bairros, de todos os pontos de São Paulo, dispostos a atacar, detonar, seguir uma liderança. O próprio Estado, durante os ataques, demorou a reagir. A gente estava no 17º ataque, eu estava na porta do Deic, o diretor do Deic, Godofredo Bittencourt, olhou para a minha cara e disse: “Não há nada que comprove que há relação entre os ataques e que são do PCC”. Pelo amor de Deus! Isso é ou não enxergar absolutamente nada, ou fazer um jogo sujo, como fizeram quando morreram 111 e anunciaram que eram 11 até as cinco horas da tarde e terminou a eleição.


Mauro:


– Fátima Souza se refere ao massacre do Carandiru, em 1992. Clique aqui para ler a entrevista completa da jornalista.

Todos os comentários

  1. Comentou em 12/01/2007 Ivan Moraes

    ‘acordo de caciques, ou um acerto entre donatários de capitanias’: o nome certo seria ‘moçoes carreiristicas’? No final das contas estao prometendo mundos e fundos por esses votos e nada esta sendo apresentado aos brasileiros a respeito da importancia de ser o ‘vencedor’ um Chinaglia ou um Aldo –nao tem nada a ver com o Brasil. Mauro, voce teria condicoes de eventualmente esclarecer essa importancia toda com um item ou dois?

  2. Comentou em 12/01/2007 Mario Neto Neto

    Mais. O então candidato à presidência e ex-govwrnador Geraldo Alckmin e o então candidato ao governo de São Paulo José Serra, ambos do PSDB, e vários políticos da mesma espécie, juntos com vários jornalistas, exploraram a versão que os ataques do PCC naquele momento eram estranhos e estariam sob o comando do PT para prejudicar a campanha e o brilho eleitoral tucano. Querem ver? Acesse todas as declarações dessas figuras naquele momento. Ainda estão fresquinhas. Peço a vocês do Observatório que publiquem tais declaraçoes (inclusive as do secretário de Segurança Pública, Saulo de Castro) no mais curto espaço de tempo para ilustrar essa entrevista. Acho que a Fátima daria muito mais risadas. Ou melhor, ficaria mais chocada ainda com tamanho cinismo por parte do tucanato de alta plumagem. Com certeza ela deve lembrar muito bem como foi isso. Espero que vocês do Observatório comentem meu comentário.

  3. Comentou em 12/01/2007 Antonio Carlos S.M.C.

    Parabéns, realmente é preciso registrar a História do País seja ela do Crime Organizado ou não. O PCC bem como o CV são forças atuantes no panorama social brasileiro, elas existem há mais de 12 anos e são uma realidade em todas as classes sociais da população brasileira.

  4. Comentou em 12/01/2007 nelson fernando de fiqueiredo fernando

    Aqui em Santo André está demais a corrupção. É de tudo: Detran, Policia. Gostaria que você fizesse uma reportagen de Santo André.

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