Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 1098

>>Brincando na lama
>>Lembrando Euclides

Por Luciano Martins Costa em 11/08/2009 | comentários

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Brincando na lama


Neste começo de semana, os principais jornais do País se desviam do escândalo que tem como epicentro o presidente do Senado Federal e testam outros temas não menos espinhosos, ameaçando manter o leitor preso no novelo das intrigas, do bate-boca, das informações obtidas em vazamentos de inquéritos.


Por enquanto, nenhum sinal de que a imprensa esteja interessada em melhorar a qualidade da agenda pública, colocando em debate a reforma política ou as propostas de estratégias sustentáveis para a retomada do desenvolvimento econômico.


A política e o jornalismo encalharam no lodaçal.


E parece que todos estão apreciando brincar na lama.


Os três jornais de circulação nacional não chegam a um ponto comum na abordagem do escândalo no Senado.


A Folha de S.Paulo, que parece menos interessada no assunto, noticia aquilo que já vinha sendo anunciado desde o final de semana: que a oposição ao governo federal entrou com recurso contra a decisão do presidente do Conselho de Ética do Senado para tentar abrir apenas um processo contra Sarney.


O Globo afirma que o Partido dos Trabalhadores resiste a colaborar para que José Sarney seja levado a julgamento.


E o Estado de S.Paulo noticia que não só o PT vai concordar com a aceitação de uma denúncia, como antecipa que o tema será a indicação de um namorado da neta para cargo no Senado.


Sarney se livraria facilmente da acusação e, em troca, seus aliados abandonariam as denúncias contra integrantes do PSDB.


Ou seja, segundo o Estadão, todo o escândalo que paralisou o Congresso por mais da metade do ano e rendeu quilômetros de papel de imprensa vai acabar em mais um acordo.


Nos jornais desta terça-feira já se podem notar os ensaios de outros escândalos com potencial para ocupar as futuras manchetes.


Nas primeiras páginas, destaque para o início de processo contra o  empresário Edir Macedo e outros dirigentes da organização de negócios religiosos chamada Igreja Universal do Reino de Deus.


Macedo e seus sócios no negócio de almas são acusados de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.


Há também referências ao caso de corrupção que envolve a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, novos inquéritos na suposta relação criminosa entre o notório investidor Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas, e a prisão de acusados num caso de fraudes em obras do Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC.


Mas tudo indica que o tema predileto da imprensa será a controvérsia criada pela ex-secretária da Receita Federal Lisa Maria Vieira, ao afirmar que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, teria feito pressões para acelerar a fiscalização da Receita contra empresas da família Sarney.


O leitor atento pode estar lembrando de Shakespeare e pensando: muito barulho por nada.


Mas por trás de todo esse ruído, o observador pode perceber os sons da campanha eleitoral de 2010.


Lembrando Euclides


A exemplo do que fizeram em relação ao bicentenário do surgimento da imprensa no Brasil, comemorado em 2008, os jornais ainda não deram sinais de que irão registrar devidamente o centenário da morte de Euclides da Cunha, que marcou a história do jornalismo nacional com a mais épica de todas as reportagens já produzidas por aqui.


Deve-se a ele não apenas a revelação de um Brasil remoto, que vegetava à margem das cidades que floresceram no litoral, mas também a inauguração de um estilo que se demorava na descrição dos detalhes geográficos e topográficos da cena, na análise profunda do caráter dos personagens, na contextualização que acabou se tornando característica do jornalismo em sua melhor forma.


Euclides da Cunha anda ausente das escolas e da imprensa que engrandeceu.


Alberto Dines:


– Ele foi um grande jornalista que escreveu o maior épico da literatura brasileira ou foi um escritor que também fez jornalismo quando cobriu os últimos lances da Guerra de Canudos?


Os especialistas divergem nesta questão, mas há uma unanimidade em torno de Euclides da Cunha: foi grande em tudo o que fez.


O “Observatório da Imprensa” junta-se às homenagens prestadas ao autor de Os Sertões no centenário da sua morte com uma edição especial em formato de documentário que será exibida hoje, às 22:40 em rede nacional. Em S. Paulo pelo Canal 4 da Net e 181 da TVA.

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