Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 81

Mauro Malin

>>Buratti e Palocci
>>Essas listras horrorosas

Por Mauro Malin em 25/08/2005 | comentários

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Buratti e Palocci


Temperatura máxima a partir das onze e meia desta quinta-feira, 25 de agosto, 44 anos depois da renúncia de Jânio Quadros. O homem-bomba agora é Rogério Buratti. Espera-se que, na pior das hipóteses, o ministro Antonio Palocci tenha razão em pelo menos um ponto: que sua eventual saída do governo não signifique o fim da estabilidade econômica. O Estadão ouviu Buratti e diz que ele confirmará as denúncias. A Folha ouviu o advogado de Buratti e noticia que ele poderá recuar.


Entre as análises do que pode representar para o Brasil esse depoimento, vale a pena ler a de Rolf Kuntz no Estadão de hoje. Kuntz também é colaborador deste Observatório na internet.


Malandragem no Congresso


O painel da Folha de hoje aponta para a seguinte equação política: quanto mais o governo Lula desce a ladeira, mais viável se torna o preparo de uma gigantesca pizza na Câmara dos Deputados.


Faltam biografias


Mais uma vez se sugere aqui que a mídia faça resumos biográficos dos parlamentares artistas que estão se projetando nas CPIs. Muitos que exibem o dedo em riste poderiam estar sob investigação se esta tivesse sido feita no devido tempo.


Essas listras horrorosas


Uma coisa intolerável no espetáculo das CPIs é o mau gosto exibido em gravatas. Os senhores parlamentares, com algumas honrosas exceções, poderiam poupar os telespectadores da visão dantesca das gravatas que escolhem. Também nos noticiários o padrão não anda dos mais felizes. Ainda bem que as mulheres apresentadoras e repórteres não usam gravatas.


Uma indicação de que o chamado comportamento de manada não é uma invenção dos comentaristas econômicos é a onipresença das listras diagonais. Intrigante: por alguma razão que vem da noite dos tempos, as listras sempre descem do lado esquerdo para o lado direito do peito dos engravatados. Em 99% dos casos, as combinações são pavorosas.


Cuidado, senhores: a mistura dessas chocantes gravatas com as mentiras dos depoentes e a hipocrisia dos inquisidores pode levar a uma revolta popular.


Prefeito blogueiro


Depois das críticas ao promotor-repórter de Ribeirão Preto, Sebastião da Silveira, provoca rejeição outra modalidade de carona na crise do “mensalão”: é o blog do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia. O Globo publica hoje críticas de cariocas que fazem uma lista de problemas da combalida cidade. A cientista política Lúcia Hipólito diz que o povo do Rio não elegeu César Maia para ser correspondente em Brasília. Maia, cinicamente, diz que o blog lhe dá visibilidade.


No Pará


Como é vivida fora do circuito Brasília-São Paulo-Rio a crise do “mensalão”?


O editor de política do jornal O Liberal, de Belém, Paulo Bemerguy, fala do interesse dos leitores pela crise do “mensalão” e do sentimento detectado em cartas.


Bemerguy:


− Desde que a onda de denúncias aumentou nós temos tido uma percepção muito presente, muito intensa e muito clara sobre o interesse dos leitores do jornal no assunto. Tanto que nós estamos dando só sobre a crise seis páginas diárias em média e a seção de cartas do leitor também teve um crescimento grande. Todo dia há cartas de leitores que se dizem indignados. Seriam dois sentimentos. Um de repulsa à corrupção, seja lá de que partido, seja lá de que político. E o outro de decepção com o governo Lula.



Justiça se discute, sim


Ainda há quem diga que decisão da Justiça não se discute. Mas o Estadão e o Valor criticam hoje em editoriais uma liminar do presidente do Supremo, Nelson Jobim, favorável à transferência para o Congresso Nacional de deliberações sobre obras em áreas de preservação ambiental. Jobim é pré-candidato a presidente.


Olha o português!


Por sinal, o Estadão precisa cuidar melhor do texto de seus editoriais. Deslizes impensáveis em outros tempos têm acontecido. Nas primeiras páginas também, o que era muito raro. No resto do jornal, o Estadão não se diferencia dos concorrentes. A língua portuguesa leva marradas cotidianamente.


Sai Taubaté, entram Copacabana e São José do Rio Preto


No momento em que Luís Fernando Veríssimo anuncia a morte da crédula velhinha de Taubaté, a aposentada de 80 anos filmou o tráfico em Copacabana. Ela se junta se junta à avó de São José do Rio Preto que, noticiou-se em junho, se fez passar pela neta na internet para flagrar um pedófilo. As velhinhas mostram que houve no Brasil mudanças profundas ainda subestimadas.


A mídia e os demais poderes da República deveriam estudar mais atentamente esse fenômeno.

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  1. Comentou em 25/08/2005 charles betito

    Até a velhinha foi melhor que a polícia. A imprensa não abordou este assunto como deveria. Acho que a velhinha provou que a polícia não pega o traficante porque não quer. Não custa praticamente nada manter pessoal da polícia a filmar os morros à distância como o fez a velhinha. Ainda mais que a polícia tem muito mais aparelhagem. Abraços

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