Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Programa nº 337

Mauro Malin

>>Campanha ruim, cobertura idem
>>Orkut virou “mico”

Por Mauro Malin em 23/08/2006 | comentários

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Morro e asfalto


É importante a declaração do ministro da Defesa, Waldir Pires, no jornal Valor de hoje, de que o Exército não deve entrar no combate à criminalidade. Forças Armadas defendem a soberania nacional. Pires contraria declarações eleitoreiras do presidente Lula.


Mas o ministro foi infeliz quando disse: “Todos sabem que o Exército não está preparado para subir o morro”. O problema está tanto no morro como no asfalto. O morro sofre mais. Falar só no morro é preconceito.



Não misturar PT com PCC


Que o PCC ache que está ajudando o PT, é um problema da quadrilha. Isso de modo nenhum compromete o PT com o PCC. A politização eleitoreira desse assunto é um desastre.


Campanha ruim, cobertura idem


Cada vez que os jornais publicam listas de deputados denunciados por envolvimento com a máfia das ambulâncias, prestam bom serviço público. Os acusados, é claro, devem ter amplo direito de defesa.


Mas a divulgação das denúncias não redime a cobertura eleitoral, que raramente terá sido tão bisonha. Isso se deve antes de mais nada à característica da campanha propriamente dita, até aqui vazia e repetitiva como o horário obrigatório.



Excesso de guerras


O editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto, mostra como uma guerra pode esconder outra.


Egypto:


– Nas últimas semanas, o noticiário sobre a guerra do Iraque na mídia americana ficou em plano secundário, perdendo espaço para o conflito entre Israel e o Hezbollah e para os desdobramentos da descoberta, em Londres, dos planos de atentados terroristas em aviões de carreira.


Uma matéria da Associated Press, divulgada na semana passada, mostrou que no início deste ano os principais telejornais das três maiores rede de TV aberta dos Estados Unidos dedicaram, em média, 39 minutos semanais ao Iraque. Após o início do conflito no Líbano, ainda segundo a AP, a média caiu para 13 minutos por semana.


Repórter ameaçada


O jornal O Dia denuncia a inércia das autoridades policiais do Rio de Janeiro diante das ameaças sofridas pela jornalista Maria Mazzei, autora de reportagens sobre venda de cadáveres por funcionários do Instituto Médico-Legal do estado.


Esclarecer o povo


O professor de Direito da USP Fabio Konder Comparato, que acaba de lançar o livro Ética – Direito, moral e religião no mundo moderno, indica para a mídia uma missão democrática.


Comparato:


– Há um fato que precisa de qualquer maneira passar para o povo. É que o único responsável pelo seu destino e pelo futuro da nação brasileira é o próprio povo. Não são os outros, não são os representantes, não são os governantes. E, portanto, é preciso em primeiro lugar que o povo tome conhecimento dos grandes assuntos, assuntos de importância nacional. As riquezas nacionais, a sua disponibilidade, ela deve ser decidida por quem? Pelo Lula, pelo Congresso Nacional? Ou é preciso que haja uma ampla discussão entre todos os cidadãos e eles votem? É da maior importância que se comece a desbloquear esses mecanismos de decisão popular.


Mauro:


– Comparato é o coordenador do Fórum Permanente de Reforma Política criado pela Ordem dos Advogados do Brasil. Ele quer a participação de entidades representativas da imprensa.


Comparato:


– Eu insisti em que houvesse a participação de entidades representativas de setores importantes da sociedade civil, e que pudessem fazer pressão sobre o Congresso Nacional. E obviamente, entre essas entidades devem estar algumas dos meios de comunicação de massa.


Orkut virou “mico”


O Google brasileiro entrou em conflito com o Ministério Público Federal sob a acusação de não ajudar a identificar racistas, pedófilos e neo-nazistas que usam as páginas do site de relacionamento Orkut. No Rio, o Tribunal Regional Eleitoral multou um candidato que usava o Orkut para fazer propaganda eleitoral.


O Orkut, como se sabe, foi dominado por brasileiros. Por isso se tornou estrategicamente desinteressante para a empresa Google internacional. E o escritório brasileiro não tem autonomia suficiente para modificar o produto de modo a atender a Justiça brasileira.


Microsoft e Yahoo! são mais prudentes e costumam só lançar produtos quando têm estrutura montada para atendimento ao cliente. Isso não significa renunciar à popularidade. O Yahoo Respostas brasileiro, por exemplo, lançado há um mês, já é o segundo do mundo, atrás apenas do americano.


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Todos os comentários

  1. Comentou em 27/08/2006 Radamés A. P. Silva

    Mentirinhas e questões de fundo, ou MANIPULAÇÃO DE INFORMAÇÃO, veja a cara-de-pau do site UOL na seguinte matéria:

    ‘Políticos do PT são os que têm o maior avanço patrimonial”

    A matéria dá ênfase ao PT dizendo (de forma indignada), de que os ‘políticos’ do PT tiveram o maior aumento patrimonial durante o período de 1998 e 2002. Informa que na média um patrimônio que era de 102.000 foi para 188.000, ou seja, 48 meses ganhando 10.000 por mês = 480.000, descontando gastos e impostos é perfeitamente razoável aumentar o patrimônio em 85.000!

    Veja a evolução nominal média dos políticos dos demais partidos, mas veja com sinceridade sem pretensão, pré-conceito ou arbitrariedade:

    PTB – 1.360.000
    PFL – 1.051.000
    PMDB – 444.000
    PSDB – 399.000
    PL – 263.000
    Outros – 229.000
    PSB – 185.000
    PT – 85.000

    Aqueles que no período ganham 480.000 e declaram um aumento de mais de 1.000.000, não são motivos de manchete, mas quem aumenta em 85.000 o é. Cuidado para não ser feito de trouxa e ser manipulado, ainda mais em época de eleição.

  2. Comentou em 23/08/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Campanha eleitoral ruim não é ruim não. É excelente, pelos menos para os defensores do VOTO NULO, que agradecem publicamente a mediocridade de nossos políticos. Este ano talvez eles aprendam uma lição importante. Se não aprenderem será o caos, mas o caos é sempre o prenúncio de uma nova ordem. A democracia grega foi parida em meio a uma verdadeira guerra civil que durou quase um século. A nossa está chegando… que se cuidem os que acham que controlam o Estado com seus partidos nanicos e suas maçonarias boçais.

  3. Comentou em 23/08/2006 Pedro Taveira dos Santos

    Em se falando que uma guerra esconde a outra, os noticiários também vem sendo assim. No ano passado só se falavam em mensalão, logo em seguida veio o problema do gás da Bolívia, em seguida a copa do mundo, eleições e agora os sanguessugas. A impressão que dá é que as notícias no Brasil é questão do momento e que o País no passado nunca teve notícias boas ou ruim, torna-se um esquecimento. Em se tratando de mazelas parece que o Brasil de 4 ou 5 anos para trás era um verdadeiro paraíso, do lado bom, parece que nunca também houve coisas boas. Pois não passa de um simples esquecimento. Outra coisa que me passa pela cabeça é que os meios de comunicação querem é vender informações: principalmente se for de grupo que interessa a eles as boas notícias e se for de grupo que seja oposto a eles as notícias ruim. Mas que essas notícias sejam da hora e que leve o público a comprar revistas, jornais, ibope no rádio ou televisão, não importa o meio, desde que esteja havendo consumo, é o que interessa. Se estamos bem informado ou não isso é outra coisa.

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