Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

Programa nº 712

>>Cartão para todos
>>Nossa imprensa se globaliza

Por Luciano Martins Costa em 08/02/2008 | comentários

Referências bibliográficas

LAKOFF, George. 1977. Linguistic gestalts. In: Papers from the Thirteenth Regional Meeting of the Chicago Linguistic Society. Chicago, Illinois., pp.236-287.

MONDADA, L. & DUBOIS, D. 1995. Construction dés objets de discours et categorization: une aproche des processus de référenciation. In: BERRENDONER, A. & REICHLER-BEGUELIN,M-J. (eds).p.273-302.

PUTNAM, Hilary. 1990 [1988]. Représentation et réalité. Trad. Claudine Engel-Tiercelin. Paris: Éditions Gallimard.

RUSSELL, Bertrand. 1974. Lógica e Conhecimento – Ensaios escolhidos. Trad. Pablo Rubén Mariconda. São Paulo: Abril Cultural.

WITTGENSTEIN, Ludwig. 1979 [1958]. Investigações Filosóficas. 2a.ed. Trad. José Carlos Bruni, São Paulo: Ed.Abril.

JORNAL DO COMMERCIO – Recife – PE. 07,08,13 de agosto de 2002.

FOLHA DE PERNAMBUCO – Recife – PE. 07,08 de agosto de 2002.

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Cartão para todos

Os jornais continuam se alimentando no portal www.transparência.gov.br para trazer diariamente a seus leitores os novos abusos no uso dos cartões de crédito corporativos de servidores federais graduados.

O trabalho de coleta e seleção de dados não é o melhor do jornalismo, mas vai aos poucos ajudando o cidadão a entender uma das razões pelas quais o Estado pesa tanto no bolso de quem paga impostos.

A novidade de hoje é que todos os grandes diários resolveram também vasculhar os gastos do governo do Estado de S.Paulo.

E todos revelam que os funcionários paulistas gastaram proporcionalmente mais em 2007 do que os seus consortes da administração federal.

Foram 108 milhões de reais, dos quais 48 milhões nas chamadas ‘despesas miúdas’.

Só não apareceram ainda os detalhes, porque o governo do Estado não mantém um portal aberto com os relatórios de gastos.

De qualquer modo, a notícia, que foi destacada pela Folha e o Estadão, aparece no Globo bem distante do noticiário sobre os abusos com cartões corporativos da área federal, como se um tema não tivesse nada a ver com o outro.

As edições de hoje bem que poderiam ser o prenúncio de que a imprensa vai finalmente avançar na investigação, publicando algo mais do que aquilo que já está disponível para qualquer internauta do mundo no portal transparência.

No entanto, a notícia sobre os gastos de funcionários paulistas não significa que os jornais se esforçaram na reportagem: o Globo entrega, no título, que as informações sobre despesas do governo de São Paulo foram passadas pelo Partido dos Trabalhadores.

Os jornais apenas pegaram a pauta do PT e foram questionar o governo.

Se a imprensa não investiga os poderes, limitando-se a reproduzir o que já era de domínio público na área federal, quem abriria a caixa-preta de Estados e municípios?

O Estadão de hoje dá uma dica, ao informar que a Ordem dos Advogados do Brasil pediu à suas seccionais que mantenham os olhos bem abertos.

Assim, por inapetência ou por falta de estrutura para fazer bem o trabalho de apurar os fatos, os jornais podem acabar cedendo lugar para a OAB, ONGs e outras instituições mais empenhadas em trazer a verdade inteira sobre a gastança.

Nossa imprensa se globaliza

A disputa intensa nas eleições dos Estados Unidos teve o poder de tirar nossos jornais de certa displicência em relação aos fatos do mundo.

Num cenário cada vez mais globalizado, uma imprensa muito doméstica presta um serviço incompleto.

Alberto Dines:

– O interesse da nossa imprensa pela disputa eleitoral americana tem várias explicações, a primeira delas é óbvia: a sucessão de Bush é, em si, uma das mais disputadas desde a de 1961 quando pela primeira vez um católico, John Kennedy, entrou no páreo. Agora, diante da possibilidade efetiva de uma mulher ou um negro ocupar a Casa Branca, é natural que uma imprensa paroquial como a nossa imprensa dedique tanta atenção a um fato internacional. Mas o que importa nesta alteração é que, há pouco mais de dez anos, os grandes jornais brasileiros decretaram que o leitor brasileiro não gosta de política internacional. Fizeram pesquisas,  chamaram consultores e de comum acordo, reduziram o espaço da cobertura e diminuíram drasticamente o número de correspondentes internacionais. O Brasil ficou de costas para o mundo justamente quando se iniciou o processo de globalização da economia. Agora, mesmo sem fazer pesquisas, nossa imprensa percebeu o auto-engano. A escalada autoritária de Hugo Chávez, o drama dos seqüestrados pelas FARC, a sucessão de Fidel, a erupção de violência no Quênia, sem falar no conflito no Oriente Médio que completa 60 anos consecutivos, estão exigindo mais atenção, mais espaço (ou mais tempo) e melhores coberturas. Hillary Clinton, Barack Obama e McCain ficarão nas manchetes até novembro e, com isto, vão ajudar a imprensa brasileira a reencontrar-se com o mundo. Quem vai lucrar é o Brasil.

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