Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

Programa nº 1379

>>Cenas do próximo capítulo
>>Entre o fato e a ilação

Por Luciano Martins Costa em 17/09/2010 | comentários

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Cenas do próximo capítulo

As eleições estão aí e as próximas duas semanas prometem mais fúria e sangue.

Se ainda existe a possibilidade de análises frias e não engajadas sobre o papel da imprensa nesse cenário, é preciso antes registrar alguns elementos.

1o. – Os grandes jornais, aqueles que são chamados de circulação nacional, e que concentram o noticiário mais agressivo, funcionam claramente como linhas auxiliares da campanha oposicionista.

2o. – O governo é extremamente vulnerável a ações de lobistas, tem uma assessoria de comunicação pouco eficiente e tende a negligenciar cuidados básicos quando trata com correligionários.


3o. – O sistema partidário e o modelo de financiamento de campanha favorecem a corrupção.
 
Isso posto, observe-se que o interesse jornalístico desapareceu das páginas da imprensa, uma vez que as linhas de divulgação dos escândalos associados ao noticiário político já não seguem uma lógica de investigação, de reportagem, mas o objetivo de causar impacto na opinião pública.

Predominam as ilações sobre as informações.

No caso que custou o cargo à ex-ministra Erenice Guerra, por exemplo, uma análise das mensagens supostamente enviadas pelo consultor ou lobista que é a fonte principal da imprensa deixa indícios de que o acusador tentava chantagear os supostos intermediários.

O prontuário policial do acusador recomendaria mais cuidado dos jornalistas, se de fato o que motivasse as reportagens fosse o desejo de informar e esclarecer os fatos.
 
O objetivo da imprensa parece ser provocar o segundo turno na eleição presidencial.

O resto, ou seja, a apuração e o esclarecimento, ficam para depois, como aconteceu em 2002 e 2006.

Ou para nunca.

Mas quais as chances de os grandes jornais e as revistas semanais de informação influenciarem a escolha de um número suficiente de eleitores?
 
Vejamos: o Brasil tem 135 milhões de cidadãos aptos a votar.

Desse total, uma porcentagem desconhecida – predominante entre os menos educados – perderá o voto por causa da exigência de levar junto com o título de eleitor um documento com fotografia e pela complexidade do processo.

Os grandes jornais são lidos por cerca de 1,5 milhão de pessoas diariamente, ou seja, pouco mais de 1% do eleitorado. Com mais 2 milhões de leitores de revistas, esse total não chega a 3% dos que vão às urnas.

Para a maioria, que só se informa pela televisão, os telejornais são puro ruído – a não ser nos casos em que a notícia pode ser vista.

Aguarde-se, portanto, para os próximos dias, alguma cena de mala com dinheiro, dinheiro na cueca – ou na calcinha, coisa do gênero.
 
Entre o fato e a ilação

Alberto Dines:


– O presidente Lula agiu rápido e na brevíssima entrevista que concedeu ontem ao portal “ultimo segundo” foi lacônico, preciso, incisivo: “quando a gente está na vida pública não tem o direito de errar e quando erra tem que pagar.”  O mais importante é que nesta crise Lula não investiu contra a imprensa, não a confrontou diretamente, preferiu um recado oblíquo sob a forma de conselho. Esta mesma cautela, há algumas semanas, quando se avolumaram as denúncias na imprensa sobre a quebra de sigilo fiscal de figuras da oposição, teria evitado a perigosa exacerbação que dominou o cenário político no início da reta final da campanha e azedou novamente as relações governo-mídia.

Mas o recado do presidente Lula à imprensa faz sentido:  “Em casos de denúncias como esta é preciso fazer a distinção entre o que é fato e o que é ilação das manchetes dos jornais”. As primeiras denúncias da revista Veja e da Folha de S. Paulo envolvendo os filhos e a ministra Erenice Guerra eram consistentes, fortes, mas na sua formulação estava visível uma intenção de atingir de qualquer maneira a antecessora, a candidata Dilma Roussef.

É o que Lula chamou de “ilação”. Se a imprensa desde o início da campanha tivesse sabido ater-se às evidências teria evitado os exaltados ataques do presidente. Em compensação, se o presidente tivesse reprimido seu ostensivo engajamento não haveria pretextos para distorções do noticiário. O eleitor talvez não distinga as diferenças entre fato e ilação. Mas sabe perceber com muita clareza quando os governantes cometem erros e quando merecem punição.

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