Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 117

Mauro Malin

>>Cinismo tem preço
>>De costas para o agronegócio

Por Mauro Malin em 14/10/2005 | comentários

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Cinismo tem preço


O governo Lula e o PT de Ricardo Berzoini usam o respeito aos trâmites legais para manobrar na crise do “mensalão”. Isso faz parte do jogo. Mas a argumentação de que ilegalidade contumaz e generalizada se torna legalidade, como disse Berzoini a propósito do caixa dois de campanha, é inaceitável e provoca forte rejeição da mídia. A sensibilidade da opinião pública está sendo cinicamente ignorada pelo governismo.


Sim e não empatados


A TV Globo divulga hoje resultado de pesquisa do Ibope sobre o referendo das armas. Uma sondagem feita pelo Instituto Ipsos aponta empate técnico entre o sim e o não e um grande número de indecisos, o que sugere haver margem para convencimento. Na campanha do sim ainda não apareceram políticos, que são os encarregados de elaborar e fazer cumprir as leis.



De costas para o agronegócio


O Alberto Dines mostra como a passividade e o desconhecimento da mídia sobre a realidade do agronegócio brasileiro têm a ver com o surto de aftosa. Fala, Dines.


Dines:


– Mauro, o surpreendente surto de aftosa com os enormes prejuízos à economia tem um ângulo, digamos, “jornalístico” e que caberia avaliar. Somos uma potência agrícola, não é assim? Mas a cobertura do agronegócio pela mídia brasileira é absolutamente precária. Não temos jornalistas especializados na mídia generalista e não temos uma mídia especializada. Repare que dos três jornais nacionais apenas o Estadão tem um suplemento agrícola e, por coincidência, foi o primeiro destacar a gravidade do surto. Nota-se a mesma insensibilidade na imprensa regional, com a exceção do Rio Grande do Sul. Quando falamos em veículos especializados não incluímos as publicações de teor rural mas dirigidas ao público urbano, como o tradicional Globo Rural. Nossas empresas jornalísticas não gostam de inovar. Não fosse assim já há muito tempo teriam começado a dar mais atenção ao agronegócio e agora não seriam surpreendidas como foram. Se a imprensa não acompanha o progresso, o progresso se interrompe.


Contrabando e aftosa


O jornal eletrônico Midiamax, de Campo Grande (http://www.midiamax.com/ ), surgiu na internet a partir da experiência de alimentar com notícias um outdoor digital na principal avenida da capital de Mato Grosso do Sul. É o que tem o noticiário mais completo sobre o novo surto de aftosa no estado. Sílvia Frias, repórter do Midiamax, informa ter ouvido relatos de contrabando de gado do Paraguai, onde é mais barato, para frigoríficos de Mato Grosso do Sul. Ela diz que todos os surtos, desde 1995, ocorreram na fronteira com o Paraguai. A avaliação de que o país vizinho está livre da aftosa, feita por autoridades sanitárias mundiais, é recebida com reservas no Brasil. Silvia fala dos efeitos catastróficos da aftosa para Mato Grosso do Sul, assunto que a mídia ainda não detectou corretamente.


Sílvia:


– O último foco de que a gente teve notícia aqui foi em1999 em Naviraí, que também é uma região fronteiriça, extremo sul do estado, assim como Eldorado. E isso caiu como uma bomba para o estado porque a gente estava caminhando para uma abertura de mercado… Nós somos uma área livre de aftosa com vacinação, e se pleiteava ser área sem vacinação. A União Européia está embargando a carne brasileira. Outros oito países, além de sete estados brasileiros, também embargaram a carne sul-mato-grossense, e 95% do nosso mercado é de exportação. Se não tiver uma solução imediata, uma coisa mais objetiva, é catastrófico para o estado, sim.


Tuma e Herzog


A retomada da pesquisa sobre os episódios que levaram ao assassinato de Vladimir Herzog, 30 anos atrás, dá frutos. Nesta sexta-feira, 14 de outubro, o Estado de S. Paulo antecipa revelação do livro Meu querido Vlado, do jornalista Paulo Markun. O hoje senador Romeu Tuma, na época chefe do serviço de informações do Deops paulista, foi a primeira autoridade da ditadura a denunciar Vladimir Herzog, que era diretor de jornalismo da TV Cultura de São Paulo.


Foi em 10 de setembro, 45 dias antes do assassinato de Herzog numa prisão policial-militar.


Está em cartaz o filme Vlado, 30 Anos Depois, de João Batista de Andrade, que era então repórter especial da TV Cultura e amigo de Herzog.


Em parceria com o Observatório da Imprensa, o Museu da Pessoa criou um site especial com depoimentos inéditos de pessoas que viveram o período. Está aberto à participação de todos no endereço www.museudapessoa.net.


Águas do S. Francisco


A revista The Economist e o Banco Mundial entram no debate sobre a transposição das águas do São Francisco. Nos dois casos, a conclusão é: até aqui, o debate e o esclarecimento do tema foram insuficientes.



Contra os cartéis


O Globo dedica sua manchete de hoje à decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Cade, de condenar 20 dos maiores laboratórios farmacêuticos do país por terem organizado um boicote à entrada dos genéricos, em 1999. Todos os jornais noticiam o assunto, com maior ou menor destaque, como fizeram ontem as emissoras de televisão. O boicote, como se sabe, não funcionou. E a sociedade, num país que se democratizou, dispõe de novos instrumentos para se defender. Ainda cabe recurso da decisão do Cade.

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