Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Programa nº 455

Mauro Malin

>>Classificação não é censura
>>Discutir os conteúdos

Por Mauro Malin em 09/02/2007 | comentários

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Menos Brasília, mais Brasil


Alternam-se nas manchetes dos jornais dois cenários do país. Um diz respeito aos poderes da República, ao presidente, aos ministros, ao Congresso Nacional e ao Judiciário. Outro mostra violência indizível, educação em marcha a ré, infra-estrutura precária, despreparo para chuva, desertificação de áreas agrícolas, uma crise aérea sem horizonte de superação. Numa entrevista recente ao Observatório da Imprensa, o editor-chefe do Globo, Rodolfo Fernandes, resumiu o dilema jornalístico que está por trás dessa alternância: é preciso cobrir menos Brasília e mais Brasil.



Canalizar a indignação


Quanto maior a indignação com a morte do garoto no assalto de anteontem no Rio, e ela é indispensável, maior precisa ser o esforço para encontrar caminhos eficazes na segurança pública. Ontem, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, disse que é preciso melhorar o policiamento ostensivo, mas sobretudo mudar a cultura da violência.


Jornalista assassinado


Mais um jornalista assassinado no Rio. Foi Robson Barbosa Bezerra, ontem à noite.


Classificação não é censura


Alberto Dines, a propósito da discussão sobre classificação indicativa na TV, diz que é preciso questionar a concentração da mídia em poucos grandes grupos.


Dines:


– O racha na grande imprensa por causa da Classificação Indicativa para a programação de TV é extremamente saudável. Força a discussão, promove a diversidade e, sobretudo, escancara um problema muito mais grave: a concentração da mídia em poucas empresas. Quando um grupo de mídia tem negócios na TV, seus veículos impressos submetem-se aos interesses específicos das empresas de TV e esquecem de atender aos interesses dos leitores dos seus jornais e de toda a sociedade. É o que está acontecendo agora: os jornais editados por empresas que atuam na área da TV estão qualificando a salutar Classificação Indicativa como censura, os outros estão discutindo o assunto sem constrangimentos. A Classificação Indicativa é uma antiga aspiração de todos os interessados numa TV que atenda aos seus compromissos públicos. José Gregori, quando foi ministro da Justiça no segundo mandato de FHC, veio ao Observatório da Imprensa para defender a urgente implantação de um sistema para classificar os programas de TV de acordo com as idades. Naquela ocasião, a OAB não estrilou. No primeiro mandato do presidente Lula, o Ministério da Justiça tentou implantar a classificação, mas o responsável pelo setor foi transferido 24 horas depois. A classificação de espetáculos não tem nada de censura, está prevista na Constituição, mas a insistência de certos grupos de mídia em liquidá-la mostra que está na hora de promover uma grande discussão sobre a mídia. Mas sem histeria partidária e sem os chavecos chavistas.


Discutir os conteúdos


Na Folha de S. Paulo de hoje, Daniel Castro noticia que a MTV apóia a iniciativa do Ministério da Justiça. O coordenador de Relações Acadêmicas da Agência de Notícias dos Direitos da Infância, Guilherme Canela, co-autor de artigo publicado hoje na Folha em defesa da classificação indicativa, diz que ela tem caráter pedagógico.


Canela:


– A nossa aposta é que isso gerará para boa parte das pessoas um mínimo de reflexão. Ou seja, porque é que o governo está sinalizando aos pais que esse programa contém um conteúdo inadequado? A nossa impressão é que essa mínima mensagem pode levar as pessoas a refletir sobre a qualidade da programação. O que acontece muito pouco, hoje, porque um dos nossos grandes problemas é que a televisão não se discute a si própria.


Mauro:


– A situação atual é que uma novela como Páginas da Vida, indicada para maiores de 14 anos, exibida na maior parte do país às nove da noite, passa no Acre, por exemplo, às seis da tarde, horário livre.


Canela:


– Ao determinar que a classificação indicativa está vinculada não só à idade mas também a um determinado horário, a conseqüência imediata disso, num país que tem diferentes fusos horários, é que você tem que cumprir o horário local de onde a programação está sendo emitida, e não o horário de Brasília, no caso brasileiro.


Ver também ‘Especialista defende classificação indicativa‘.


A palavra do embaixador


São de inestimável importância para o debate público as críticas do embaixador Roberto Abdenur a certos aspectos da política externa do país. Quando alguém de dentro de uma corporação fala para a sociedade, tabus e silêncios são quebrados. E uma grande dose de realismo é acrescentada ao debate. Abdenur dá hoje nova entrevista, ao Estadão.

Todos os comentários

  1. Comentou em 09/02/2007 Marcio Flizikowski

    Finalmente, faltou você contextualizar que Abdenur era embaixador brasileiro nos EUA até novembro de 2006. Ele ´deixou´ o posto mais importante da diplomacia brasileira recentemente e, convenhamos, eticamente não seria correto ele estar dando declarações e fazendo críticas a uma instituição que acabou de deixar. A menos que se sinta recalcado ou tenha outros interesses.

  2. Comentou em 09/02/2007 Marcio Flizikowski

    Caro Mauro, seria bom você corrigir seu post sobre ‘A palavra do embaixador’. Primeiro, Abdenur é ex-embaixador. Segundo, a frase ‘Quando alguém de dentro de uma corporação fala para a sociedade, tabus e silêncios são quebrados’, reforça novamente a idéia de que o ex-embaixador continua atuando.

  3. Comentou em 09/02/2007 Ivan Moraes

    ‘violência indizível, educação em marcha a ré, infra-estrutura precária, despreparo para chuva, desertificação de áreas agrícolas, uma crise aérea sem horizonte de superação’= aonde esta o dinheiro brasileiro que ninguem ve? Eh so sair na rua e procurar ele: o unico lugar aonde se ve ‘bilioes de reais’ no Brasil eh no custo dos muros altos pagos pelo povo, e em uma ou outra cidade de interior bem organizada. Uma ou outra cidade.

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