Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

Programa nº 174

Mauro Malin

>>Cobertura difícil em 2006
>>O leitor jornalista

Por Mauro Malin em 03/01/2006 | comentários

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Cobertura difícil em 2006


O presidente Lula, provável candidato à reeleição, se mostra na defensiva e põe toda a culpa em seu partido. Os jornais noticiam hoje que o governo terá à disposição recursos colossais para gastar, sabe-se lá com que critério. A oposição não assume suas próprias responsabilidades. Deputados que receberam dinheiro do valerioduto foram perdoados. Nem sequer as regras da campanha estão claras. A cobertura das eleições será um desafio.


Safra de chutes


Alguns jornais celebram nesta terça-feira, 3 de janeiro, os resultados da exportação brasileira. Não se acanham em publicar previsões para 2006. No caderno de Economia do Estadão um título até alerta: “Economistas erraram feio nas previsões”. Não adianta. Não funciona nem para o próprio Estadão.


O leitor jornalista


O editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto, destaca o papel crescente dos não jornalistas na produção de notícias.


Egypto:


– No dia seguinte ao Natal, um avião da Alaska Airlines sofreu uma descompressão quando voava a 10 mil metros de altitude. O piloto conseguiu pousar sem que os 140 passageiros sofressem mais do que um grande susto. Vários deles documentaram o incidente usando câmeras e filmadoras digitais, celulares e laptops conectados à internet. E antes que o assunto chegasse aos telejornais da noite, informações postadas em blogs e sites especializados já informavam que: 1) a quase tragédia foi causada pela colisão com um trator de bagagens, antes da decolagem; 2) o veículo causador da trombada pertencia a uma empresa terceirizada ilegalmente; 3) depoimentos de funcionários da companhia aérea denunciavam falhas graves na operação dos equipamentos em terra.


“Casos como este mostram que é impossível ignorar o fenômeno do jornalismo praticado por cidadãos comuns”, escreveu o jornalista Carlos Castilho, que postou essa história no blog Código Aberto, deste Observatório.


Na prática, profissionais e amadores hoje dispõem do mesmo tipo de equipamento e facilidades de comunicação. E os utilizam intensamente.



Da platéia para o palco


O Estadão de hoje traduz reportagem relevante publicada no The New York Times. Diz que entrevistados nos Estados Unidos agora gravam suas conversas com jornalistas, conservam trocas de mensagens eletrônicas e tomam notas em conversas telefônicas. Depois, põem a nu manipulações sofridas.


Jay Rosen, diretor da Faculdade de Jornalismo da Universidade de Nova York, os chama de “pessoas anteriormente conhecidas como o público”.


JK não foi santo


A TV Globo enfrentará nos próximos anos desafios tremendos provocados pelo impacto social das mudanças tecnológicas na comunicação eletrônica. A televisão digital permite maior interferência do telespectador, e isso transformará a relação da emissora com seu público. Mas a TV Globo é de uma competência ímpar em renovar sua programação. Apesar do horário tardio em que irá ao ar, a minissérie sobre Juscelino Kubitschek que estréia hoje é importante cultural e politicamente, num país de escolas ruins e ensino medíocre de História. Deve-se desejar que não apresente JK como um santo milagreiro. Foi um político que, como todos os outros, tinha defeitos e cometeu erros. Juscelino construiu Brasília sem o devido planejamento. Acreditava que a inflação devia ser tolerada. Preferiu a vitória de Jânio Quadros em 1960, para facilitar sua própria volta ao poder. A renúncia de Jânio foi o preâmbulo do golpe de 64. Juscelino era senador e votou em Castello Branco para presidente. Depois pagou um preço amargo.



Ações do Universo Online


O Universo Online conseguiu captar 624 milhões de reais com oferta pública de ações. É mais ou menos o dobro do que havia sido previsto. Essa capitalização poderá permitir ao principal portal brasileiro de internet promover uma necessária renovação.


Bolívia novamente distante


A imprensa brasileira mandou correspondentes à Bolívia para cobrir as eleições, mas desde a vitória de Evo Morales acompanhou de modo insuficiente a situação no país. O noticiário sobre a Bolívia nos primeiros dias do ano saiu do país com o presidente eleito. Foi para Cuba, mas não em primeira mão. Usou agências estrangeiras. Hoje, Morales estará na Venezuela. Amanhã o mais provável é que não haja nos jornais nem notícias diretas da Bolívia, nem informações de primeira mão sobre o encontro de Morales com o presidente Hugo Chávez.

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  1. Comentou em 03/01/2006 tiago

    O que aconteceu com a opção de ouvir a matéria? Aquele recurso era fantástico! Já faz três programas.

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