Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

Programa nº 129

Mauro Malin

>>Credibilidades abaladas
>>Transposição em debate

Por Mauro Malin em 01/11/2005 | comentários

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Credibilidades abaladas


A reportagem da Veja sobre a suposta remessa de dinheiro de Cuba para a campanha eleitoral do PT envolve sérias ameaças políticas num quadro de baixa credibilidade do presidente da República e da direção petista, de um lado, e da própria revista, de outro.


Ao longo de toda a crise do “mensalão” o presidente Lula e a direção do PT negacearam e perderam credibilidade.


E a Veja, que é o veículo impresso mais lido do Brasil, comportou-se como se fosse órgão de um partido político. Adotou, isolada, uma linha lacerdista.


Agora, ou a revista tem razão, e o governo cai, ou não tem razão, e sofrerão a credibilidade da própria Veja e a de toda a mídia.


Como o Brasil é o país em que não há touradas, ou seja, não morrem nem o touro, nem o toureiro, tudo se empurra com a barriga, pode ser que nem caia o governo, nem a Veja fique irremediavelmente abalada. Mas isso comprovará que mudanças muito esperadas terão sido mais uma vez adiadas para um eterno futuro.


A Venezuela não é aqui


A disposição de partir para um confronto com a mídia, atribuída hoje pela imprensa ao presidente Lula, não coincide com o teor do que ele disse ontem em seu programa semanal de rádio. Lula fustigou manchetes de jornais mas louvou a liberdade de imprensa. Tanto mais estranho a imprensa noticiar que ele pretende trilhar caminho semelhante ao de Hugo Chávez na Venezuela. É uma idéia equivocada.


Transposição em debate


O Alberto Dines anuncia que o tema do Oservatório da Imprensa na televisão de hoje à noite será o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco.


Dines:


– Mauro, e a transposição do Rio S. Francisco, como é que ficou? O bispo d. Luiz Cápio suspendeu a greve de fome, o governo prometeu abrir o debate mas as obras estão com data marcada para começar. Excitada com tantas reportagens-bomba, a mídia esqueceu de cumprir a sua parte. O debate sobre a revitalização ou a transposição do Velho Chico caiu no esquecimento. Não se fala mais no assunto. Assim como já não se fala na seca da Amazônia. A aftosa mantém-se em cartaz por milagre. Logo-logo, os jornais cansam dela também.


O caráter ciclotímico da nossa imprensa tem muito a ver com os ziguezagues da administração pública. Na verdade, há uma relação de causa e efeito entre os estilos de uma imprensa e os costumes dos governantes. A edição de hoje do Observatório da Imprensa vai trazer de volta o destino do Rio S. Francisco com debatedores de peso – o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, o jornalista Marco Antônio Tavares Coelho e o geógrafo e professor emérito da USP, Aziz Ab’Saber. Às 10 e meia na rede da TVE e às 11 da noite na Rede Cultura.



A rotina da insegurança


Pois é, Dines. Nem a seca amazônica fez a mídia se lembrar que tem a missão de esclarecer a população sobre o destino das águas. Por falar em esquecimento, o referendo sobre armas foi realizado há pouco mais de uma semana. Vários críticos da consulta disseram que ela teve pelo menos o mérito de provocar o debate. Mas parece que não aconteceu nada. O noticiário sobre segurança pública voltou à rotina pré-referendo.


Foram feitas reportagens sobre a morte do traficante Bem-Te-Vi sem questionar por que a Polícia, numa área tão restrita como é a Favela da Rocinha, no Rio, levou dezoito meses para prendê-lo. Nesta terça-feira, 1 de novembro, a mídia nem consegue saber se Orlando José Rodrigues, vulgo Soul, acusado de ser o sucessor de Bem-Te-Vi no comando do tráfico de drogas, está vivo ou morto.


Bandidagem policial


O Globo de ontem (31/10) escreveu que Soul “descobriu que o pagamento de propinas para policiais corruptos garantia a tranqüilidade da quadrilha e dos usuários que subiam o morro para comprar drogas”. Como se fosse a coisa mais natural do mundo.


Em redações do Rio de Janeiro quem acredite que o processo tinha uma dinâmica inversa e ainda mais grave: Orlando, ou Soul, teria pagado por sofrer extorsão de policiais encarregados de prendê-lo.


Hipótese tão dificil de apurar quanto a dos dólares que teriam voado fisicamente de Cuba para o PT. O que não quer dizer que as duas coisas não tenham ocorrido.



No shopping


Em São Paulo, policiais trocaram tiros com bandidos na praça de alimentação do Shopping Eldorado. Muitos debates sobre armas e violência serão necessários para mudar os métodos policiais.

Todos os comentários

  1. Comentou em 02/11/2005 carmenleibovici

    Ola Mauro, Ainda vou aproveitar este espaço, neste importante Observatório, para sugerir que se comece a sugerir à Imprensa o destaque em assuntos e ações positivas, em todas as áreas, humanas, sociais, científicas, etc., aqui dentro do País ou lá fora, quem sabe com o mesmo destaque que tem sido dado à economia e a política, para que possamos começar, quiçá, a abrir nossas cabeças a novas perspectivas, talvez até bem mais interessantes e úteis. Carmen

  2. Comentou em 01/11/2005 renata silva

    Oi, Mauro
    o que me estarreceu mais na cobertura sobre a morte de Bem Te-Vi foi o regozijo pela morte dele. O Secretário de Segurança, Marcelo Itagiba, classificou de inteligente e vitoriosa a ação de se matar alguém que poderia ser ótima fonte de informações sobre a movimentação do tráfico e suas ramificações. É absurdo pensar que a morte desse traficante foi na verdade um alívio para o tráfico e não para combate a esse tipo de crime? Que polícia é essa que se considera inteligente por matar bandidos?

  3. Comentou em 01/11/2005 Maurício de Campos Araújo

    Não lembro de nenhum orgão da imprensa cobrirem as audiências publicas sobre a transposição do rio São Franscisco. Esse era o fórum adequado para o debate a mídia no geral não cobriu. O que vocês querem agora? Vocês não querem debater (não faz parte da cultura da imprensa brasileira), querem confundir e se possível atrapalhar, nem ligando para os que vão ser beneficiado com a obra, possivelmente porque a maioria é pobre e não compra jornal.

  4. Comentou em 01/11/2005 carmen leibovici

    Pois é… A mídia poderia ajudar, e muito, na mudança, senão na transformação, do rumo das coisas, não só no Brasil mas no mundo. Não entendo por que não o faz. A visão positiva, inteligente e crítica de colocar os fatos está nas suas mãos, mas ao invés de utilizar esta perspectiva utiliza uma perspectiva fútil, fofoqueira e inútil, além de nefasta, na maioria das vezes. Isto na maioria dos veículos de comunicação. Como isto poderia mudar? Poderia?

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