Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1006
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Programa nº 736

>>Crescimento e sustentabilidade
>>A imprensa não quer a TV pública

Por Luciano Martins Costa em 13/03/2008 | comentários

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Crescimento e sustentabilidade

A imprensa destaca, com unanimidade, o crescimento de 5,4% do Produto Interno Bruto do Brasil em 2007.

Em todos os jornais, o avanço da economia, puxado pelo grande crescimento do consumo e do investimento, é a grande manchete de hoje.

Contrariando os prognósticos de muitos especialistas, que previam um crescimento menor por conta da desvalorização do dólar, que viria a afetar a receita das exportações, o consumo interno se acelerou no último trimestre do ano passado, registrando uma expansão de 6,5%.

Paralelamente, os investimentos cresceram 13,4%, o que indica que tanto o governo como a iniciativa privada estão se movimentando.

Os jornais reconhecem o erro das previsões pessimistas que abrigaram nos últimos meses, e a Folha publica opinião de que o Brasil pode crescer mesmo sem reformas estruturais.

A notícia é boa, mas esconde dois vícios perigosos.

O primeiro se refere à ilusão de que a economia continuará crescendo porque os investimentos produtivos do ano passado garantem o suprimento da forte demanda interna.

Bons momentos da economia têm sido usados, historicamente, para adiar reformas modernizadoras e investimentos em infraestrutura.

Mas o mais preocupante no noticiário de hoje é que os jornais brasileiros seguem considerando o PIB como medida principal do desenvolvimento.

Já faz mais de cinco anos que se discute a validade desse indicador, pois ele mede apenas a produção da riqueza financeira e não leva em conta os custos sociais e ambientais desse crescimento.

Equivale a comemorar o fato de um fazendeiro ter ganho mais dinheiro em determinado ano porque derrubou e vendeu todas as àrvores de sua propriedade.

Comemorar o crescimento do PIB sem considerar os danos que esse crescimento provocou e sem citar uma linha sequer sobre os valores socioambientais que devem respaldar o avanço da economia é um retrato acabado da ignorância da imprensa sobre os paradigmas da sustentabilidade.

Fazer o PIB crescer é tarefa relativamente fácil e já aconteceu no período do ‘milagre econômico’: basta reduzir a fiscalização sobre o trabalho infantil, tolerar o trabalho escravo, esquecer as diferenças de renda e fechar os olhos para a destruição dos recursos naturais.

Se é um Brasil assim que queremos, tudo bem, pode começar o foguetório.

A imprensa não quer a TV pública

A TV pública nasce no Brasil sob a indiferença hostil da imprensa e sem o merecido debate no Congresso.

Alberto Dines:

– A MP que cria a TV Pública foi afinal aprovada no Senado, numa sessão melancólica, alta madrugada de quinta-feira. Os matutinos não tiveram tempo de enfiar a notícia em suas edições de ontem, as rádios que baseiam o  seu noticiário nos jornais tiveram que ser  discretas — inclusive porque são contra a TV Pública — e os portais de notícias na Internet que não dispõem de um corpo de repórteres próprios, exceto os blogs especializados, também primaram pela ausência. A criação da TV Pública no Brasil merecia uma sessão compatível com a  sua importância. Erraram todos: a oposição, porque ignorou que existe outra rede pública, praticamente nos mesmos moldes da TV-Brasil, a Rede Cultura, financiada pelo governo do Estado de S. Paulo. Juntas em determinados projetos e programas poderiam estabelecer um alto padrão de qualidade. Errou o líder do governo no Senado que, por causa dos prazos,  deixou de lado outra MP pedida pelo governo sob a alegação de ‘irrelevância’. Permitiu, assim, a votação da MP da TV Pública numa votação simbólica já que, em protesto, a bancada da oposição retirou-se do plenário. A criação de uma TV Publica ou uma TV de Interesse Público está sendo reclamada há pelo menos uma década por todos os que se preocupam com o baixo nível da TV privada. O texto aprovado tem furos, mas alguns deles poderiam ser corrigidos durante a tramitação, desde que a oposição entendesse a importância de uma rede pública de TV e percebesse que um dia ela será governo. O projeto não merecia tanto ressentimento, não merecia, sobretudo, este desfecho tão pouco edificante.

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  1. Comentou em 13/03/2008 Ivan Moraes

    ‘O projeto não merecia tanto ressentimento, não merecia, sobretudo, este desfecho tão pouco edificante.’: Dines, a palavra que nao pode ser dita eh LOBBIES. Ninguem entende patavinas de tv em Brasilia mas todo mundo insiste em fingir pelo bem de seus lobbies. Tava todo mundo falando por eles. Ja pensou se alguem la desse a impressao de ter lido pelo menos duas paginas a respeito? Seria um caos!

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