Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

Programa nº 445

Mauro Malin

>>Crimes financeiros
>>Coronel Ustra

Por Mauro Malin em 26/01/2007 | comentários

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Crimes financeiros


O repórter da Folha de S. Paulo Mario Cesar Carvalho diz que a imprensa brasileira, de modo geral, cobre precariamente crimes financeiros.


Mario Cesar:


– A imprensa brasileira não faz um acompanhamento sistemático dos crimes financeiros. Só trata dos casos mais espetaculares que resultam ou em prisão, ou quando o criminoso é muito famoso, por exemplo, o caso do Edemar Cid Ferreira ou de um [Salvatore] Cacciola da vida. Mas não há um acompanhamento das rotinas desses casos. Por isso, na minha avaliação, a imprensa brasileira não tem know how, não sabe como cobrir esses crimes. Você vê um jornalista entrevistando um advogado especializado na área financeira ou um procurador, é uma coisa vergonhosa, porque as pessoas não sabem quais são exatamente as acusações, qual é o embasamento. Hoje em dia, por exemplo, tem toda uma legislação internacional que trata de lavagem de dinheiro. O crime financeiro hoje em dia é uma vanguarda dos crimes, tanto que os Estados Unidos, após o 11 de setembro, elegeram essa modalidade de crime como uma de suas prioridades.


Para você cobrir com o mínimo de inteligência esse tipo de matéria, você precisa conhecer a legislação internacional, precisa acompanhar os casos internacionais. Só para dar dois exemplos recentes: a promotoria de Nova York, de Manhattan, exatamente, abriu uma série de processos contra doleiros brasileiros sob a acusação de que eles operam em bancos de Nova York sem autorização. Outro exemplo é que a Suíça também abriu um processo que me parece bastante grande, porque é da ordem de 1 bilhão de euros o dinheiro que eles estão buscando, que seria dinheiro desviado da Parmalat do Brasil, e a forma como esse dinheiro foi tirado foi por meio de doleiros. Eu acho que é a primeira vez na história que a Suíça decide processar doleiros. Até então, esse tipo de crime era tolerado, hoje em dia não é mais. Eu acho que a questão do terrorismo, das drogas, do tráfico internacional mudou completamente a visão com que esses Estados têm sobre o crime financeiro.


Clique aqui para ler a entrevista completa de Mario Cesar Carvalho.


Coronel Ustra


A homenagem realizada ontem no Rio ao coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chefiou o DOI-Codi de São Paulo nos anos 70 e é processado por pessoas que foram torturadas, pede mais debate, não menos. É um equívoco do deputado Fernando Gabeira, citado por Ustra como terrorista, dizer que se trata de problemas do século passado. Violência e tortura fazem parte do cotidiano brasileiro. É só conferir nos jornais de hoje.


Economia ou política?


Alberto Dines valoriza a declaração política feita pelo presidente Lula ao lançar o PAC.


Dines:


– Parece que o presidente Lula não gostou das primeiras manchetes que reproduziam um certo ceticismo com relação ao PAC. Mas depois percebeu que no cômputo geral a reação foi positiva. Ainda bem que as primeiras queixas ao comportamento da imprensa não foram formalizadas, apenas sussurradas nos corredores do Planalto. O compromisso de promover o crescimento dentro da democracia e que foi assumido pelo presidente na cerimônia de lançamento do programa significa que o governo precisará aprender a ouvir, precisará aprender a dialogar e, sobretudo, precisará aprender a ter paciência. Democracia não combina com impaciência, o autoritário, mandão, é aquele que não sabe esperar, nem respeitar as discordâncias. O PAC levará tempo para ser implementado, vai exigir grandes doses de tolerância e capacidade de negociação. De todas as partes. Pode ser que os níveis pretendidos de crescimento fiquem aquém do que foi estimado e que as metas não sejam cumpridas, porém uma coisa é certa: mantido o compromisso de respeito à democracia, o PAC poderá ser apontado no futuro como um plano econômico frustrante em matéria econômica e, ironicamente, triunfante no campo político.


Dilma e Dirceu


A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deu entrevista a vários jornais sobre o PAC. Sem arroubos. Contrasta com a artilharia de seu antecessor no cargo, José Dirceu, que pediu a demissão do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Dirceu é amigo de Lula. Muy amigo.


Romancista premiada


Ana Maria Gonçalves, autora do romance Um Defeito de Cor, ganhou ontem o prêmio de literatura brasileira de 2007 da Casa das Américas, em Cuba. O livro é uma ficção que descreve a vida dos escravos negros na Bahia durante o século XIX.


Chinaglia, Aldo e Fruet


O debate entre os três candidatos à presidência da Câmara organizado pela Folha de S. Paulo, que começa às 10 da manhã, poderá ser acompanhado ao vivo no site do Universo Online.



Todos os comentários

  1. Comentou em 26/01/2007 Ivan Moraes

    ‘as primeiras queixas ao comportamento da imprensa não foram formalizadas, apenas sussurradas nos corredores do Planalto’: que bom, me da mais espaco pra gritar no alto dos telhados: Lula baixou as taxas menos do que o previamente combinado com os governadores e ninguem viu nada de mais!!! Nao vou reclamar com Lula, vou reclamar com ninguem. Acorda, ninguem. Voce eh surdo ou burro, ninguem?

  2. Comentou em 26/01/2007 Dante Caleffi

    Crimes financeiros?Com a inundação de estagiários que sequer sabem escrever, nem crimes comuns escapam da ignorância jornalística.Esse saudosismo das práticas repressivas de ‘Brilhante’Ustra,no clube militar, é de um anacronismo deprimente.
    Democracia não combina com impaciência,segundo Dines.Bom seria ,que lembrasse os oposicionistas e insatisfeitos,que se queixam de lerdeza e preguiça,por parte do governo.Quem tem se mostrado impaciente com ‘essa’ democracia, são os que vêem escorrer de seu controle,as formas de domínio da sociedade brasileira.Conspiram pelo insucesso os alijados do poder economico e certa imprensa com histórico democraticamente desabonador.Todos são amigos de Lula. Daí, ouvi-los… Dilma ,pontua pelo equilíbrio.Possui a fidelidade ideológica,associada ao pragmatismo técnico.

  3. Comentou em 26/01/2007 Henrique Jordano

    Recomendo a todos a leitura no blog de Luís Nassif, um artigo postado por arkx, é bastante esclarecedor. O copom não baixar a taxa selic foi uma afronta ao governo, pois o banco central há muitos anos está a favor do mercado e não a favor do país. Agora por que isso acontece são outros 500..

  4. Comentou em 26/01/2007 Marnei Fernando

    Evangelho segundo o profeta Dines:
    —- O PAC poderá ser apontado no futuro como um plano econômico frustrante em matéria econômica e, ironicamente, triunfante no campo político.
    —– O governo precisará aprender a ouvir, precisará aprender a dialogar e, sobretudo, precisará aprender a ter paciência.
    —– A Democracia não combina com impaciência, o autoritário, mandão, é aquele que não sabe esperar, nem respeitar as discordâncias.
    —– Podemos observar que neste pequeno texto de conteúdo visionário, nosso sapientíssimo guru, encontrou espaço suficiente pra fazer duas referências ao temor de nosso guia espiritual quanto aos rumos que este governo deve conduzir democracia… Ele ensina ao presidente que há de se ter paciência… paciência… paciência… que não seja autoritário… que não seja autoritário… Do que será que nosso preofeta do apocalípse e seus discípulos observados estão com medo?

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