Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

Programa nº 394

Mauro Malin

>>Crimes na internet
>>Bater primeiro

Por Mauro Malin em 14/11/2006 | comentários

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Radiobrás questionada


O repórter João Domingos informa no Estadão que o PT reclama de falta de partidarismo por parte da Radiobrás na defesa do governo, durante o primeiro mandato. O presidente da empresa, Eugênio Bucci, colocou o cargo à disposição do presidente da República.


Crimes na internet


Alberto Dines anuncia que o programa do Observatório da Imprensa na televisão tratará nesta noite do projeto do senador Eduardo Azeredo para combater crimes na internet.


Dines:


– Na véspera do aniversário da República, um dos seus pilares – a imprensa – continua como o saco de pancadas preferido das mais altas autoridades. Ontem, o presidente Lula voltou à carga inspirado pelo seu colega Hugo Chavez e novamente colocou a imprensa como bode expiatório. Mas não é só o governo ou o partido do governo que mostram uma desatenção por questões como liberdade de expressão e informação. Um senador do PSDB, partido da oposição, defende um projeto que exige o cadastramento dos internautas com intuito de coibir os crimes contra o sistema financeiro. A preocupação é válida, o remédio é péssimo. Esqueceu que com isso tira-se da Internet grande parte do seu potencial e da sua vitalidade. Participe desta discussão hoje à noite através do Observatório da Imprensa: às onze e quarenta através da Rede Cultura e pela rede da TVE mais cedo, ao vivo, às dez e quarenta.


Bater primeiro


Dines, é impossível não correlacionar os novos ataques à imprensa feitos pelo presidente Lula na Venezuela – sintetizados hoje em charge de Angeli na Folha – com o avanço das investigações sobre o chamado Dossiê Vedoin. Ontem foi o Estadão, hoje é a Folha que dá novas informações sobre telefonemas trocados com Jorge Lorenzetti, que era da campanha de Lula, e sobre o envolvimento do deputado Ricardo Berzoini, que comandava a campanha. Ao mesmo tempo, a confusão nos aeroportos evidencia certas características do governo. Como dizia o saudoso João Saldanha, a melhor defesa é o ataque. Em bom português, o presidente tenta intimidar a imprensa.


A velha impunidade


O repórter Jailton de Carvalho, da sucursal do Globo em Brasília, conta que já havia sido feita em 2004 reportagem semelhante à da capa do Globo de domingo passado, sobre o pequeno número de pessoas detidas em operações da Polícia Federal que foram condenadas.


Jailton:


– É uma matéria que segue os mesmos parâmetros de uma matéria que a gente já tinha feito em 2004, sobre o que tinha acontecido com as pessoas acusadas de desviar um bilhão e setecentos milhões da Sudam, que foi um dos maiores escândalos da fase final do governo do Fernando Henrique. A gente procurou os delegados, os procuradores da República, os juízes, para saber o que tinha acontecido com aqueles processos, que, num determinado momento, mobilizaram toda a opinião pública. A Roseana Sarney deixou de ser candidata a presidente da República num determinado momento das investigações. Chegamos à conclusão de que os processos estavam parados, enterrados.


Mauro:


– O repórter do Globo propõe uma mudança na cobertura da Justiça pela imprensa.


Jailton:


– Um subprocurador da República uma vez disse: A imprensa não cobre o Judiciário. Eu: Não cobre, como assim? Cobrimos, sim. Temos gente cobrindo. Ele falou: Não, vocês só cobrem algumas decisões do Supremo e algumas decisões do STJ. Não cobrem a base do Judiciário. Na verdade o que ele estava querendo dizer era o seguinte: que nós, jornalistas, acompanhamos alguns escândalos quando eles estão na fase inicial da investigação, na Polícia ou no Ministério Público. Depois, quando aquelas investigações, aqueles escândalos todos se transformam em processos, vai para a Justiça, o noticiário esfria, quando deveria ser o contrário. A partir dali o noticiário deveria ficar um pouco mais atento. Porque é ali que se decide, de fato, o destino das pessoas, se elas vão ficar presas ou se vão ficar soltas. Até agora o que a gente nota é que elas estão ficando soltas. Ou seja: é o velho clichê da impunidade que continua presente no nosso dia-a-dia.


Fora do palco


Retirar-se de cena favorece o esquecimento. Ontem foi o ex-ministro Luiz Gushiken, hoje anuncia-se a possível saída de Gilberto Carvalho de seu cargo no Planalto. Ambos alvos de acusações graves relembradas nos jornais.


Ala feminina do PCC


O repórter Josmar Jozino informa em manchete do Jornal da Tarde, reproduzida no Estadão, que o PCC tem agora uma ala feminina treinada para ações violentas. Enquanto isso, o governador Claudio Lembo dá declarações supostamente irônicas sobre a criminalidade.



Todos os comentários

  1. Comentou em 14/11/2006 Mateus Rodrigues

    Dines foi muito feliz em sua colocação sobre esse projeto de regulamentação da Internet. É bastante claro que existe a necessidade de transformar o meio eletrônico em um ambiente mais seguro para os usuários e empresas. Essa necessidade, porém, deve estar de acordo com as necessidades impostas pela dinamicidade do próprio meio. Burocratizar o uso da internet a tornará apenas mais ineficaz como dinamizadora de relações sociais.

  2. Comentou em 14/11/2006 Euclides Rodrigues de Moraes

    Sr. Mauro,
    Se eu não ouvi mal o Lula disse mais ou menos o seguinte: ‘Eu nunca imaginei que no Brasil ocorresse o mesmo que aqui na Venezuela, ‘certo tipo de mídia’ perseguindo o Governo’.
    Bem, se ‘certo tipo de mídia’ significa a Imprensa, discordo do posicionamento. Como entendo, que dirigiu-se a determinados órgãos, tais como: Veja, Estadão, Folha, Globo e mais um ou outro semelhante, concordo com o posicionamento do Presidente. Como, também, acredito que muitos o apoiam nesse caso específico, pois esse nicho o perseguiu sistemáticamente, tentando, inclusive, derrubá-lo do Poder.
    Negar que esses órgãos atuaram dessa forma é negar a realidade.

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