Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Programa nº

>>Dirceu crucificado
>>Marilena Chauí no Observatório

Por Mauro Malin em 18/10/2005 | comentários

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Dirceu crucificado


O presidente Lula teria ficado muito agradecido caso os petistas levados ao Conselho de Ética da Câmara tivessem renunciado, para encurtar o sangramento do governo e do partido. Mas para o deputado José Dirceu isso seria ruim, porque ele ficaria sozinho na planície. Nesse round, venceu quem tem poder dentro da máquina partidária. Por sinal, Dirceu venceu até aqui todas as paradas dentro do PT.


Em petit comité, o deputado reconhece que sua situação é periclitante. Em público, se defende. Na carta distribuída ontem a 512 deputados, Dirceu diz: “A mídia me julgou e condenou no dia em que um deputado corrupto resolveu se vingar por eu ter negado qualquer proteção para livrá-lo do processo que viria”. E, adiante: “Quando a mídia escolhe alguém para crucificar, justa ou injustamente, não há reputação que resista incólume. Todos sabem que a pressão da mídia é o combustível do Congresso”.


Dois reparos ao deputado. Um, pelo que ele não diz: quando lhe foi conveniente, Dirceu manipulou sem o menor escrúpulo o denuncismo na mídia. Os então deputados Aloizio Mercadante e José Genoíno foram, entre outros, seus companheiros nessa jornada. O segundo reparo: a mídia não inventou nada. E os problemas de José Dirceu não começaram com Roberto Jefferson. Começaram muito antes, com Waldomiro Diniz.


Para completar: crucificado, ao que se saiba, foi Jesus Cristo.


Leia a íntegra da carta do deputado José Dirceu: http://observatorio.
ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=351ASP001
)


 

Leia também: ‘Mídia não crucifica Dirceu’ (http://observatorio.ultimosegundo.ig
.com.br/blogs/emcimadamidia
.asp?ID={AA2AA379-7D57-4C8E
-8907-BA64FC424D2E}&login=RADIO
)

Patrimonialismo petista


A Folha de S. Paulo desta terça-feira, 18 de outubro, publica duas notícias que envolvem parentes de petistas ilustres, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT. Esses casos, se confirmados, não serão novidade. Somam-se a muitos outros para mostrar que boa parte do PT no poder, infelizmente, foi cooptado pelo patrimonialismo atávico brasileiro.


Valerioduto


Ainda à frente da Brasil Telecom, informa hoje a Folha, o banqueiro Daniel Dantas teve ligação com as empresas de Marcos Valério. A documentação que aponta esses fatos está sendo levantada em auditoria pela nova administração da Brasil Telecom. Um contrato foi cancelado depois que Roberto Jefferson resolveu falar para a Folha, em 6 de junho. Por um trabalho feito no ano passado, a DNA de Marcos Valério cobrou 850 mil reais. O preço de mercado é 50 mil reais.



Marilena Chauí no Observatório


Hoje à noite na televisão o Observatório da Imprensa vai discutir com a professora Marilena Chauí a carta que ela enviou a alunos da USP e foi publicada pela Folha de S. Paulo em setembro. Na carta, a filósofa critica a imprensa por querer obrigá-la a falar sobre a crise do “mensalão”. Marilena escreveu, abre aspas: “A mídia está enviando a seguinte mensagem: ‘Somos onipotentes e fazemos seu silêncio falar. Portanto, fale de uma vez!’ É uma ordem, uma imposição do mais forte ao mais fraco. Não é uma relação de poder e sim de força”, fecha aspas.


O programa vai ao ar às dez e meia da noite na rede da TV Educativa do Rio de Janeiro e às onze na rede da TV Cultura de São Paulo.


Desarmar os espíritos


O Alberto Dines pede um desarmamento muito mais amplo do que o que motivou o referendo de domingo que vem.


Dines:


– Mauro, estamos na reta final da discussão sobre o desarmamento e, de repente, estamos confrontados com uma selvageria que independe do comércio de armas e de munições. A morte de mais um torcedor, o terceiro, espancado por um bando de outro time nada tem a ver com a facilidade de comprar armas. Vou logo avisando que não estou no clima de paroxismo do Jornal Nacional de ontem. Acho apenas que, qualquer que seja o resultado do referendo, teremos que partir, imediatamente, para outras providências. De preferência outro referendo sobre questões relativas à criminalidade. Além do comércio de armas e do direito de armar-se, a questão crucial é o fim da violência incrustada em nossa sociedade em todas as esferas. Inclusive no debate do desarmamento. Designar os adeptos do “Não” como “direita raivosa” e os adeptos do “sim” como “cúmplices do banditismo” só mostra como estamos longe do desarmamento dos espíritos. Na verdade é ele que importa.


A arma da educação


Dines, Luzinete Barbosa, mãe de um menino de 15 anos morto ontem a bala numa escola de São Paulo, disse que ela e o marido não votam nem Sim nem Não. O que ela pede é inquestionável: “Eles precisam é de educação.Aí ninguém vai pegar em armas”, disse Luzinete.


Segundo a Secretaria de Educação, desde 2003 ocorreram 39 homicídios com arma de fogo dentro de escolas no estado de São Paulo.


O Sim se recupera


Melhorou a qualidade da propaganda a favor do Sim no referendo. Pesquisas detectam que pode estar mudando a tendência do eleitorado.


O processo incivilizatório


No Rio de Janeiro, a violência expulsa escolas da vizinhança da favela da Rocinha, relata hoje o Globo. Há muito o Estado deixou de exercer o monopólio da força em algumas favelas e conjuntos habitacionais do Rio de Janeiro. O governo atua nesses locais, mas o poder é dividido com traficantes. Essa realidade foi posta em destaque pelo Globo nos últimos dias. Mas é um equívoco colocar um rótulo geral nas favelas, como tendem a fazer a mídia e parte da opinião pública.


O economista Sérgio Besserman, diretor de Informações Geográficas do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos, do Rio de Janeiro, ex-presidente do IBGE, alerta para o caráter heterogêneo da realidade das favelas.


Besserman:


– Há uma grande dose de elitismo em falar “favelas”. Ninguém fala “bairros”. Todo mundo sabe que Anchieta é diferente do Méier, que é diferente da Pavuna, que é diferente de Copacabana. Favelas podem ser muito diferentes entre si e com necessidades diferentes também. Não existe uma solução pontual, específica, para a questão das favelas. Há que pensar as políticas públicas em geral. Se houver transporte rápido e confortável da Região Metropolitana, do nordeste da cidade do Rio de Janeiro até a Zona Oeste e a Barra, muitas pessoas que para lá se mudam, para pequenas favelas, não terão nenhuma motivação econômica para fazê-lo.


Mauro:


Sérgio Besserman explicou que dos cerca de 1.090.000 moradores em favelas do Rio de Janeiro, 850 mil estão acima da linha de pobreza. Besserman destacou que renda não é o único critério de pobreza.


(Ver também, no Em Cima da Mídia, Pobreza e favelados no Rio.)

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