Domingo, 17 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Programa nº 228

Mauro Malin

>>Drogas: não basta mostrar os pequenos falcões
>>Preferência por fofocas

Por Mauro Malin em 20/03/2006 | comentários

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Drogas: não basta mostrar os pequenos falcões


As novidades jornalísticas são de duas categorias. Uma envolve de modo sério problemas profundos e o longo prazo. É o documentário Falcão, meninos do tráfico, de MV Bill e Celso Athayde, exibido ontem pelo Fantástico. Outra se projeta de modo menos consistente. É a estréia do blog da revista Época.


O documentário Falcão é mais importante. Na correria das redações desfalcadas é difícil produzir trabalhos meticulosos assim. O Fantástico marcou pontos, embora tenha sido um tanto raquítico o trabalho jornalístico da própria Rede Globo agregado à exibição do documentário, salvo sua edição.


Mas a grande pergunta é: quem mostrará a realidade dos grandões do tráfico de drogas e de armas, que não moram em favelas; da polícia; dos políticos que manipulam a questão; e, principalmente, de quem consome cocaína, maconha e outras drogas no Brasil?



Blog desastrado


A Época correu para lançar um blog na sexta-feira, véspera da circulação da edição desta semana. A grande informação era o dinheiro na conta do caseiro Francenildo. Pode ser que Nildo tenha sido manipulado pela oposição, ninguém apurou isso direito, a começar da Época, que primou pela irresponsabilidade e lançou a pecha sobre o caseiro.


O blog da Época, que poderia ter sido uma bela novidade, revelou-se um desastre jornalístico. Para começar, é um blog coletivo. Não um coletivo de blogs, como fazem este Observatório e o Globo Online, entre tantos outros sites e portais. O blog da Época publicou apenas três notas na sexta-feira. Parou por aí. O segundo comentário ao segundo tópico, exatamente o que causou toda a celeuma, é uma foto grotesca de um indivíduo virado de costas para a câmara, nu, e mais não digo. Colocada às cinco da manhã desta segunda-feira, 20 de março. Continuava no site às oito e quarenta da manhã de hoje. O blog da Época começou sem pai nem mãe.


Preferência por fofocas


Alberto Dines mostra como as revistas semanais ignoraram a crise institucional provocada pelo governo, por intermédio do senador Tião Viana, com a participação do Supremo Tribunal Federal.


Dines:


– Temos quatro semanários de circulação nacional e estes semanários, supõe-se, devem fazer o sumário dos acontecimentos da semana. Nenhum, no entanto, destacou na capa nem mencionou no miolo a crise institucional produzida na última quinta-feira, um dia antes do fechamento das edições. Foi um brutal choque entre os poderes e como raramente já se viu: o Chefe do Executivo, o Presidente Lula, determinou a um dos Vice-Presidentes do Senado, Tião Viana, que impetrasse um mandado de segurança para impedir que a CPI dos Bingos ouvisse o caseiro Francenildo a respeito do que se passou na embaixada da República de Ribeirão Preto em Brasília. E o STF acolheu o mandado de segurança sem pensar duas vezes. Significa que no Brasil existe uma democracia mas inexiste um dos fundamentos da democracia, o equilíbrio entre os poderes. A mídia impressa do fim de semana preferiu concentrar-se no que Francenildo — Nildo para os íntimos — contou e praticamente passou ao largo do abalo institucional. Acharam que é complicado demais para explicar aos leitores. O depoimento de Nildo seria mais picante. E mais uma vez a fofoca venceu.


A questão da legalidade


A imprensa não se ocupou de um aspecto relevante da ação militar recente no Rio: a legalidade. Segundo o Código de Processo Penal e o Código de Processo Penal Militar, um mandado de busca, como o que respaldou a ação do Exército, deve: “I – indicar, o mais precisamente possível, a casa em que será realizada a diligência e o nome do respectivo proprietário ou morador; ou, no caso de busca pessoal, o nome da pessoa que terá de sofrê-la ou os sinais que a identifiquem”. A busca não pode, dentro do espírito da lei, ser feita de modo genérico, num bairro inteiro, ou em vários.


A mídia precisa mostrar que ação das Forças Armadas não pode prescindir nem de um trabalho de inteligência, nem da mais estrita legalidade.


Em campanha


No processo eleitoral, a imprensa se revela majoritariamente uma correia de transmissão dos interesses em confronto. Na Folha de hoje, o nome Serra aparece em três manchetes: páginas 1, 4, 5. Na página 7 o nome é Alckmin. Três revistas deram Alckmin na capa. A Veja deu Fernando Henrique. Maior isenção terá de ficar por conta do rádio e da televisão.


Estatais


A Petrobrás chega à manchete de hoje do Estadão. A notícia é calcada num relatório do Tribunal de Contas da União. A imprensa brasileira passa ao largo das atividades de empresas estatais citadas durante as apurações do mensalão. Por exemplo: Correios, Instituto de Resseguros do Brasil, Furnas, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Sebrae – que na prática é uma estatal –, fundos de pensão… A lista é longa.


# # #


Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/03/2006 Iolando Fagundes

    Será que um anônimo (caseiro, motorista ou corretor) também pode mentir em público?

  2. Comentou em 21/03/2006 Igor Healt

    Sobre o motorista, basta vc dar uma olhadinha no Blog do Alceu Nader, lá vc verá que nem eu preciso desqualificá-lo ele próprio invalida o depoimento dele e do caseiro. Parece que vcs não frequentam os outros blogs aninhados aqui no OI. E para observar a imprensa e ficar em cima da mídia, se faz necessário ler determinadas matérias tendênciosas ou desastradas, como por exemplo, a matéria com a entrevista do motorista na Folha de São Paulo. Essa matéria é no mínimo esdruxula.

  3. Comentou em 21/03/2006 Marco Antônio Leite da Costa Leite

    Senhor Igor, o Lullardoso como governante não faz mais que sua obrigação. Nos pagamos impostos em tudo que compramos, não é justo que esse governo não faça o mínimo. Não viva de esmolas, o que precisamos é de boas condições de vida através de muita luta, e não de migalhas oferecida por esse capitulador de plantão. Abraços, Marco Antônio

  4. Comentou em 21/03/2006 Geraldo Moura da Silveira

    Caro Dines, acho que não houve nenhum desequilíbrio entre os poderes da República.

    A mesma Constituição, que institui a independência e harmonia entre os poderes como um dos princípios que norteiam a República, determina que as CPIs devem se ater a investigar o fato determinado que originou sua criação e instalação. Os poderes jurisdicionais das comissões parlamentares de inquérito não são absolutos. Vou mais longe, na democracia não existem direitos nem poderes absolutos. Isso é característica dos regimes absolutistas.

    Há muito tempo que a CPI dos Bingos fugiu de seus propósitos iniciais e se transformou em um palanque eleitoral para travar uma briga política suja para desgastar o governo Lula. Acho que o governo demorou para tomar essa medida, drástica, mas necessária e perfeitamente legal.

    Abraços!!!!

  5. Comentou em 21/03/2006 Iorgeon Haenkel

    Existe outra versão para o vazamento dos estratos do CASEIRO. Estão dizendo que, na iminência da descoberta que o caseiro estava comprado, a própria oposição tratou de vazar o estrato do CASEIRO para colocar a culpa no governo, e transformar o caseiro num coitado inquirido pelo governo poderoso. Isso tanto parece que é verdade que o discurso da mídia é um só, a de que o ‘inocente’ caseiro teve sua vida devassada em detrimento do ministro Pallocci. Eu não duvido de mais nada, essa oposição é capaz de tudo.

  6. Comentou em 20/03/2006 Iolando Fagundes

    Uma coisa é certa, o NIRDO tá ferrado. Foi se meter com gente totalmente sem escrúpulos, inclusive o suposto pai (PFL). A emenda do empresário saiu pior que o soneto. Ele além de negar a paternidade acaba negando o tal acordo com o Nildo. Quis dar uma de esperto demais, virou joguete nas mãos da oposição. Esta mesma oposição que o tratou tão bem vai acabar abandonando-o e jogando-o às traças. O depósito no início era de 25 mil, encontraram 38 mil, que depois virou 40 mil, que antes era para comprar um carro de passeio, que agora virou um ônibus. COMO DIZ O ALCEU A MULTIPLICAÇÃO DAS VERSÕES. FALSIDADES MÚLTIPLAS PULULAM NA IMPRENSA NACIONAL.

  7. Comentou em 20/03/2006 Iolando Fagundes

    ‘Ele [Nildo] não é meu filho’, disse o empresário ontem à afiliada da Rede Globo no Piauí. ‘Eu não tenho transação [regular] com ele. Ele andou aqui [em Teresina] dizendo que tinha um cara que vendia um ônibus lá [em Brasília] por R$ 40 mil’, afirmou. ‘Eu me interessei e aí eu fiquei guardando esse dinheiro na conta dele.’ O empresário afirmou que estava mandando o dinheiro aos poucos. ‘Ele [Nildo] me pediu para eu transferir o dinheiro para, quando chegar aos R$ 40 mil, pagar o carro para trazer para mim. E foi isso que eu fiz.’ Por telefone, a mãe do caseiro, Benta Maria dos Santos Costa, 42, disse que Eurípedes Soares é pai de Nildo. Ela disse que seu filho ligou hoje para ela em Nazária (20 km de Teresina) e decidiram entrar com ação na Justiça para o reconhecimento de paternidade. ‘Ele [o empresário] disse que meu filho está mentindo. Pois vamos ver quem está dizendo a verdade.’

  8. Comentou em 20/03/2006 Igor Healt

    MARCOS ANTÔNIO Você têm razão, graças ao PROUNI estou cursando uma universidade, Curso Jornalismo. Graças à diminuição do IPI de computadores pude comprar o meu PC, e agora estou teclando aqui no Blog do Dines e debatendo sobre o que muitos jornalistas teimam em reconhecer. Este governo tem méritos, muitos méritos.

  9. Comentou em 20/03/2006 Iolando Fagundes

    20/03/2006 – 22h03 Empresário nega paternidade, mas confirma depósitos em conta de caseiro Publicidade da Agência Folha, em Teresina. O empresário piauiense Eurípedes Soares da Silva, 62, negou ser o pai do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, mas disse que fez três depósitos no valor de R$ 25 mil para a conta particular dele. Eurípedes Soares –dono da empresa Soares, que faz transporte intermunicipal de ônibus na região metropolitana de Teresina (PI)– disse que depositou o dinheiro na conta de Nildo para que o caseiro comprasse um ônibus no valor de R$ 40 mil, em Brasília, para reforçar sua frota. Dados sobre a movimentação bancária de Nildo foram divulgados na última edição da revista Época. A reportagem sugere, com base em depósitos na conta do caseiro, que pode ter sido ‘comprado’ o depoimento no qual ele contou à CPI dos Bingos ter visto o ministro Antonio Palocci (Fazenda) em uma casa em Brasília utilizada para festas com garotas de programa e para reuniões de lobby. Nildo disse que o dinheiro foi depositado por Eurípedes Soares, que seria seu pai biológico. À TV piauiense, o empresário disse que o caseiro se ofereceu para intermediar a compra, em Brasília, de um ônibus que lhe interessou. Os depósitos bancários, segundo Soares, se devem a esse negócio.

  10. Comentou em 20/03/2006 Marco Antônio Leite da Costa Leite

    Senhor Igor, alienação é um Vírus que se aloja no cerebro, para combate-lo com eficacia se faz necessário uma terapia intensiva através do uso do bom senso. Você tem que analizar os fatos atuais de forma mais ampla possível, a fim de não cometer injustiças. Como alerta, deixe de defender o sr. Lullardoso, pois o mesmo fez opção pelos ricos, a não ser que você seja um desses poucos privilegiados. Abraços

    Marco Antônio

  11. Comentou em 20/03/2006 Haertel Duarte

    Correta ou não, a ação do exército no RJ serviu para mostrar à população que o problema do tráfico tem solução. Bastou um trabalho sério e bem coordenado executado por forças bem preparadas para que o tráfico sentisse o golpe. A operação asfixiou o processo de distribuição de drogas na cidade, causando prejuízos a esse tipo de atividade. Resta agora cobrar das autoridades uma ação semelhante e duradoura para que o RJ volte a ser a cidade maravilhosa.

  12. Comentou em 20/03/2006 elton titonelli

    Se entendi bem o Observatório usa dois pesos e duas medidas. No caso da CPI dos Bingos defende que ela seja genérica, uma verdadeira CGI, fugindo do fato determinado conforme preceitua a Constituição. No caso da ação do exército diz que a busca não pode ser feita de modo genérico.A CPI pode e o exército não ? Não é uma contradição?

  13. Comentou em 20/03/2006 Marco Antônio Leite da Costa Leite

    Os meninos que são obrigados a traficar drogas por imposição da miséria e de um sistema que não se preocupa com a educação, saúde, emprego e sálario digno. Os grandes traficantes circulam livremente no leito do asfalto e nos luxuosos gabinestes no Rio de Janeiro e Brasilía. Para mudarmos esse quadro de horror, a sociedade tem que se organizar junto aos sindicatos, associações de bairros, entre outras organizações e cobrar seriamente dos Governantes uma mudança radical na forma de utilizar nossos impostos, a fim de prender os marginais do colarinho branco e dar melhores condições de vida a população mais explorada e usada deste imendo país. Marco

  14. Comentou em 20/03/2006 Antonio de Padua

    Que sirva este termo como cristal refletor e refrator de dados e fatos, não de luz, mas de componentes, na essência, da Sociedade geral da Nação. Não fiquemos a ‘ouvir estrelas’. Olhemos para os espelhos em todos os niveis: os poderes legislatios e executivos! O que são eles se não a mais ou menos bem definida imagem da Pátria?!

  15. Comentou em 20/03/2006 Lucia Santanna

    Mauro, pena que tão poucas pessoas tenham a coragem de encarar o problema das drogas. Somente crianças de até 12 anos desconheciam o que foi mostrado neste documentário, o que de forma alguma o desmerece. Só que vejo que não contribuirá em nada para acabar com o problema. Acho que um filmezinho misturando ficção, em que um super-herói exterminasse com todos os traficantes principalmente os grandões (como vc definiu); e com muita realidade mostrasse o que aconteceria com os usuários de droga nos dias seguintes, explicaria a todos o real problema.Inclusive a mais clara realidade de que a solução do problema mostrado no tal documentário não depende da polícia prender os grandões, mas da sociedade. A maioria dos usuários que conheço são de classe média e alta e suas famílias financiam seu uso e contribuem para tudo o que se vê neste documentário. Mas quando vamos ter coragem de DIZER a verdade?

  16. Comentou em 20/03/2006 Igor Healt

    O MAIS ENGRAÇADO DESSA MANCHETE É QUE ELA TENTA ATINGIR O GOVERNO LULA, UTILIZANDO-SE DE UM ÓRGÃO DO PRÓPRIO GOVERNO. ISSO SÓ DEMONSTRA QUE ESTE GOVERNO APURA A MAIORIA ESMAGADORA DOS DESVIOS OCORRIDOS. O MAIS INTERESSANTE AINDA É, AO LER O RELATÓRIO DA TCU, PERCEBE-SE QUE OS GRANDES PROBLEMAS COM LICITAÇÕES E COMPRAS SUPER-FATURADAS OCORRERAM DURANTE OS 8 ANOS DO GOVERNO TUCANO/PFL. SÓ PARA RESUMIR, HOUVE RECENTEMENTE, A CONDENAÇÃO DE 7 A 11 ANOS DE PRISÃO, DE ALGUNS DIRIGENTES DO BANCO DO BRASIL, DA ÉPOCA DO GOVERNO FHC. A MÍDIA, DE UMA FORMA GERAL, POUCO REPERCUTIU A NOTÍCIA.

  17. Comentou em 20/03/2006 Igor Healt

    Sobre a decisão do STF, talvez o DINES devesse dar um pulinho aqui ao lado. Dê uma lidinha da decisão, na íntegra, no Blogo do ALCEU NADER. Pode ser que te esclareça mais sobre o fato determinante pelo qual a CPI dos ‘BINGOS’ foi criada? O maior erro do governo, e isso vc pode culpar, foi ter deixado os palhaços da CPI do fim do mundo continuar com o circo armado. Temos que decidir se queremos um pais com EStado de Direito ou uma ditadura. E pior, uma ditadura da mídia, onde se investiga, se julga e condena, para só depois, a história corrigir os erros cometidos pelo verbo solto.

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