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ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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>>Evitar o imediatismo
>>Bolas de falso cristal

Por Mauro Malin em 23/03/2006 | comentários

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Evitar o imediatismo


O Supremo não decidiu sobre a verticalização. Decidiu que não vale derrubá-la em 2006. Na imprensa, hoje, a discussão tem como foco quem perde ou ganha no horizonte da presente campanha eleitoral. Só o Jornal do Brasil, em tom bombástico, aborda o assunto no plano das instituições, das regras da vida política partidária, com o título “Proibida a farra das alianças”.


Bolas de falso cristal


Alberto Dines diz que os jornais tornam mais fácil a vida dos que promovem acordos para salvar mensaleiros.


Dines:


– Por acaso o cidadão-ouvinte está insatisfeito com o resultado da votação de ontem na Câmara? Acha que Wanderval Santos, do PL, e João Magno, do PT deveriam ter sido cassados como ‘mensaleiros’? A Comissão de Ética também achava, por isso pediu a interrupção dos seus mandatos por quebra de decoro. Mas a imprensa diária ontem não tinha a mesma certeza e preferiu enveredar pelo caminho da profecia. A bola de cristal da Folha anunciou que João Magno poderia escapar, mas não Wanderval Santos. A do Globo foi na mesma linha, enquanto o “Estadão-ão-ão” achou que o abjeto assunto da punição dos “mensaleiros” não merecia ser impresso em suas nobres páginas. Este exercício de adivinhação não é o que a sociedade espera da sua imprensa. Ao dizer que Magno pode escapar, os jornais nada mais fazem do que reforçar as convicções dos deputados que apóiam o mensalão. Foi exatamente isso o que aconteceu. Não um mas os dois foram absolvidos. Hoje, a imprensa tomou partido, protestou contra o tamanho da pizza — tarde demais. Se fosse mais enérgica na véspera hoje não estaria tão indignada no dia seguinte.


Quem negocia os acordos?


Certamente os jornais não poderiam editorializar seu noticiário como medida preventiva contra a absolvição de mensaleiros, mas poderiam, de muitas maneiras, opinar, ou noticiar opiniões. Veja-se o caso da Caixa Econômica Federal. Hoje, a coluna de Ancelmo Gois no Globo informa que um advogado resolveu encerrar sua conta na Caixa. E o chargista Angeli, na Folha, desce brilhantemente o malho no indiscreto banco estatal.


Em relação aos mensaleiros, havia e há, sim, margem para reportagens que sejam denúncias contra novas faltas de decoro, não parlamentar, mas político. Por exemplo: quem negocia essas votações em plenário? No dia 10 deste mês, a Folha deu um roteiro dos entendimentos que salvaram Roberto Brant e Professor Luizinho. É preciso refrescar constantemente a memória do leitor com essas informações. Só para relembrar: vem aí a votação do caso de João Paulo Cunha.



Voto secreto de deputados


Ainda não se produziu na imprensa uma discussão séria sobre a validade do voto secreto no plenário da Câmara dos Deputados.


Dez mil obras


O puxa-saquismo é uma doença crônica. O desmonte da lista de 10 mil obras do governo Rosinha Garotinho, que continua hoje no Globo, é esclarecedor. Algum gênio teve a brilhante idéia do mote: “10 mil obras”. E toca achar obra para completar o número. Se a pessoa não tem critério, se é movida apenas pelo instinto de servir o chefe, entra qualquer coisa. Até consulta de dentista.


Os repórteres Carla Rocha e Fábio Vasconcelos não precisaram empregar talento de Casseta e Planeta para fazer um texto de alto teor humorístico. Bastou ler atentamente a lista. Acharam, entre outras pérolas, o “recapeamento asfáltico das alamedas internas do Palácio Laranjeiras”.


Atenção, repórteres: em outros estados surgirão listas de realizações dos bravos governantes. E o prefeito José Serra vai usar seu currículo recente se entrar em campanha para governador de São Paulo. Olho vivo.


Pedras de crack no Rio


Continua a desorganização do noticiário sobre a criminalidade mais ou menos organizada. Informa-se nesta quinta-feira, 23 de março, a apreensão na Favela de Manguinhos, no Rio de Janeiro, de 500 pedras de crack. Os padrões de consumo de drogas mudam e a mídia demora a perceber o fenômeno.


Interior sem liberdade


A organização Repórteres sem Fronteira denunciou o desrespeito à liberdade de imprensa da mídia local brasileira, informa hoje na Folha Nelson de Sá, citando a BBC. O caso do Diário de Marília, que sofreu ataque no ano passado, não aparece nas páginas dos grandes jornais. O assassinato de Rafael Camarinha, filho de um ex-prefeito, acusado de participar do ataque, foi dado em pequena nota.


Leitor online


A mudança mais importante na mídia brasileira não vem da disputa entre as redes Globo e Record. Vem da informação de que mais de 1 milhão de computadores populares serão vendidos neste ano. A nova relação do público com a imprensa é a maior mudança em curso no jornalismo.


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Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br.  


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