Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

Programa nº 150

Mauro Malin

>>Gangorra estatística
>>Ministra defende ação contra racismo

Por Mauro Malin em 30/11/2005 | comentários

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Gangorra estatística


Hoje haverá a divulgação do resultado ruim do PIB no terceiro trimestre. Mas o Estado de S. Paulo já aponta uma tábua de salvação: pedidos extras de grandes redes varejistas apontam crescimento no último trimestre. A mídia faz o país viver há muitos anos numa super-excitação com dados econômicos.



Exploração das bengaladas


Também nesta quarta-feira, 30 de novembro, o Supremo decidirá se pode ser votada hoje no plenário da Câmara a proposta de cassação do mandato de José Dirceu.


As bengaladas de um celerado contra Dirceu não mereciam a primeira página dos jornais. Mas, ao contrário, foram a imagem preferida no Estadão, no Globo e no Jornal do Brasil. A Folha deu os personagens, não o gesto alucinado.



Dirceu polariza


Na Folha se enfrentam César Benjamim, ex-dirigente do PT que hoje é contra Dirceu e Lula, e Fernando Morais, escritor e jornalista que foi ligado ao ex-governador Orestes Quércia. Em sua defesa de Dirceu, Fernando Morais faz um ataque genérico à mídia. Diz que “a imprensa investigou, julgou e condenou o deputado”. Em seguida, concentra sua crítica na revista Veja.


A Veja tem pretensões a arauto da direita, mas é preciso repetir que a mídia não inventou Roberto Jefferson, Delúbio e Marcos Valério, o assassinato do prefeito Celso Daniel e os negócios da turma de Ribeirão Preto.


Ruim de serviço e de bico


O presidente Lula disse ontem, pela enésima vez, que a mídia não divulga os fatos positivos de seu governo. Ora, a mídia há muitos anos é viciada em informações oficiais. De todos as esferas de governo. Mas o governo Lula, primeiro, não prima pela eficácia. E, segundo, divulga muito mal o que faz de bom. Essa é uma de suas incompetências crônicas.


Ministra defende ação contra racismo


A ministra da Secretaria Especial para Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, reagiu ontem a um artigo publicado no Globo contra a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, que tramita na Câmara dos Deputados.


Matilde Ribeiro:


– Para o governo brasileiro, é importantíssimo que seja aprovado o Estatuto da Igualdade Racial como mais um instrumento nessa necessária orquestração de ações entre o Executivo, o Legislativo e a sociedade civil visando a superação do racismo. Reações como esta de hoje no jornal O Globo, pelo jornalista Ali Kamel, são extremamente importantes. Todas as vezes que algum setor da sociedade, seja o governo, seja o parlamento, sejam empresas, procuram dar passos significativos para a superação do racismo no Brasil, há uma reação contrária. Foi assim com a política de cotas na UERJ, no Rio de Janeiro, e na UNEB, na Bahia. Existe no Brasil uma falsa visão de que vivemos sob uma democracia racial. O Estatuto trará uma contribuição para que o Estado brasileiro se comprometa com a inclusão de fato da população afro-descendente.



Crise não extingue jornais


O editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto, diz que os jornais estão em crise mas não vão acabar.


Egypto:


– Novembro foi um mês pródigo em previsões catastrofistas sobre o futuro dos jornais. Nos Estados Unidos, a circulação média dos diários caiu 2,6% no semestre encerrado em setembro. Na Europa, para ficar apenas no exemplo francês, o Le Monde recém-concluiu uma ousada reforma gráfica para enfrentar a concorrência dos jornais gratuitos, e em especial da informação eletrônica. E o Libération, diário fundado em 1973 por Jean-Paul Sartre, não circulou durante toda a semana passada por causa de uma greve de jornalistas contra a extinção de cinqüenta e dois empregos no jornal. O Libé deve perder de 6 milhões de euros neste ano.


No Brasil, dados da Associação Nacional de Jornais mostram que a circulação cresceu 0,8% em 2004, o bastante para atingir o mesmo volume que se vendia em 1995-96.


O quadro não é dos melhores. Mas jornal vai acabar? Não, não vai, assim como a fotografia não acabou com a pintura nem a TV, com o rádio. Mas o meio jornal vai ter que mudar, e mudar muito. Com um pé na convergência digital e outro na credibilidade – esta, aliás, um capital insubstituível.



Polícias midiáticas


A Rede Globo contou ontem, mais uma vez, com a colaboração policial para ter o privilégio de filmar acusados no momento da prisão. Da Polícia Federal, no caso da chamada quadrilha de coiotes. E da Polícia Civil do Rio de Janeiro no caso de uma rede de prostituição. Em agradecimento, apareceu a imagem do chefe de Polícia do Rio, Álvaro Lins.

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  1. Comentou em 30/11/2005 armando dias duarte

    1- A mídia não inventou Ribeirão Preto, o assassinato de Celso Daniel, Delúbio, Roberto Jefferson, etc. Concordo Inteiramente. Mas suas análises,comentários, julgamentos e condenações são de inteira responsabilidade da midia. Disto ela não pode escapar. 2 – O Governo Federal não divulga muito mal o que faz de bom. O julgamento da mídia transforma tudo em coisa ruim. Vide caso dos resultado da Pnad. Toda a grande mídia deu conotação negativa a resultados tão bons. Espere a saida da VEJA no final de semana para conferir. 3 Concordo com sua afirmação que um dos pilares para que os jornais não acabem e a sua CREDIBILIDADE. Ora credibilidade não é totalmente subjetiva. Tem de ser realmente objetiva. Antes desta crise 61% dos brasileiros não confiavam nos jornais (pesquisa Ibope). Acredito que este percentual deve ter aumentado.

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