Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 1107

>>História mal contada
>>O desafio ambiental

Por Luciano Martins Costa em 24/08/2009 | comentários

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História mal contada


Há muito mais informações ocultas do que explícitas na controvérsia que se desenrola em função da acusação da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, que afirmou à Folha de S.Paulo ter recebido recomendação da ministra Dilma Rousseff para “agilizar” a fiscalização das empresas da família Sarney.


A ministra afirma que simplesmente nunca houve a reunião na qual supostamente teria feito tal recomendação.


Lina Vieira foi ouvida no Senado e não conseguiu se lembrar de dados importantes para dar verossimilhança a sua acusação.


Por outro lado, não há registros oficiais de um encontro entre Lina Vieira e Dilma Rousseff no qual poderia ter havido a conversa citada praticamente todos os dias pelos jornais nas últimas semanas.


A imprensa tem investido muito de sua reputação nesse caso, claramente induzindo o leitor a acreditar na versão da ex-secretária da Receita.


Mas cresce na internet uma avalancha de informações e especulações que podem dar outra direção a essa história.


Tudo começa no depoimento de Lina Vieira aos senadores.


Sentado ao seu lado, um suposto assessor era visto dando dicas ao pé do ouvido da ex-secretária.


Jornalistas curiosos e leitores de blogs o identificaram como o publicitário Alexandre Firmino de Melo Filho, marido da depoente.


Mais: revela-se que Alexandre Firmino é assessor do senador Garibaldi Alves, do Partido Democratas, foi ministro interino no governo de Fernando Henrique Cardoso e é um dos acusados num processo que envolve a governadora do Maranhão, Roseana Sarney.


A Folha de S.Paulo publicou no sábado, dia 22, uma pequena nota, no meio do noticiário sobre a controvérsia entre a ex-secretária da Receita e a ministra da Casa Civil, informando resumidamente sobre a circunstância que torna o marido de Lina Vieira, e ela própria, partes interessadas nas encrencas da família Sarney com a Justiça.


Se existe um processo contra Roseana Sarney e Alexandre Firmino é um dos denunciados, observam alguns blogueiros, quem teria supostamente interesse em melar a fiscalização seria a própria ex-secretária da Receita, e não a ministra.


Portanto, a história pode vir a ter um desfecho oposto ao entendimento que os jornais vêm dando ao caso.


Se realmente tem interesse em esclarecer a controvérsia, a imprensa deve aos seus leitores uma reportagem completa sobre as relações do marido de Lina Vieira com o clã Sarney.

O desafio ambiental


Alberto Dines:


– A imprensa saudou com entusiasmo o anúncio do desligamento da senadora Marina Silva do PT e sua filiação ao Partido Verde, pelo qual deverá concorrer à presidência da República. Marina Silva é uma das raras unanimidades positivas. Num momento em que o Senado tornou-se uma Casa dos Horrores, sua trajetória pessoal e política são impecáveis,  sua postura e compostura primam pela elegância.


Marina fala bem, escreve bem e, sobretudo, pensa bem. Tem carisma e nenhuma arrogância Além dos atributos pessoais, o simples aparecimento de um novo nome num quadro eleitoral há muito saturado pela mesmice já é, em si, excelente notícia — cria novas expectativas, incógnitas e sugere surpresas. A imprensa adora novidades e novidades na corrida presidencial abrem o leque da representatividade e da democracia.


Acontece que Marina Silva tem compromissos públicos com a causa ambiental e o desenvolvimento sustentável. Sua plataforma será majoritariamente verde, o que será muito bom para o país, para as Américas e o resto do mundo.


Então cabe perguntar: este entusiasmo da mídia pela inflexível Marina vai continuar quando suas ousadas e justas propostas começarem a ser debatidas? A mídia saberá acolher suas bandeiras anti-consumo desenfreado com o mesmo entusiasmo agora oferecido à com que agora recebeu uma nova candidatura feminina, a anti-Dilma?


Sabemos que a mídia adora denunciar o desmatamento acelerado da Amazônia, mas sabemos também que a mídia é avessa à punição de ruralistas, quase todos na oposição. Nossos veículos usam as cruzadas ambientais para atrair simpatias, sobretudo no leitorado mais jovem. Cada jornalão preserva como ícone um articulista antipoluidor Mas quando entrar em discussão o controle do  apetite empresarial a mídia manterá o mesmo idealismo? Em caso positivo, será uma revolução.

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