Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

Programa nº 658

>>Hugo Chávez vem aí
>>Mortes de jornalistas

Por Luciano Martins Costa em 22/11/2007 | comentários

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Hugo Chávez vem aí

O Estado de S.Paulo e a Folha publicaram na seção de Política a aprovação do ingresso da Venezuela no Mercosul, decidida ontem pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

O Globo publicou a notícia na editoria de Economia.

A proposta de adesão da Venezuela ainda tem que passar por duas votações no plenário da Câmara e ser votada no Senado, onde a aprovação será com certeza mais difícil.

O sentimento geral dos deputados da base aliada, com exceção dos petistas e dos filiados ao PSOL, foi resumida pelo líder do PTB, Jovair Arantes: ‘Chávez é horroroso. Se pudéssemos fazer um boneco dele, faríamos fila para malhá-lo no dia de Judas, mas precisamos da parceria comercial com a Venezuela’, justificou o deputado, segundo a Folha.

Em tese, a Comissão de Constituição e Justiça deveria discutir apenas os aspectos jurídicos da proposta, mas a figura polêmica do presidente venezuelano tomou praticamente todo o espaço destinado à notícia pelos jornais.

O Estado e a Folha publicaram um mapa da América do Sul e informações sobre a história do Mercosul, que foi iniciada em 1991. Mas faltaram informações exatamente sobre o que mais interessa: qual é a vantagem econômica da entrada da Venezuela no bloco comercial.

Os jornais embarcaram na discussão política sobre o regime de Hugo Chávez, se é uma democracia ou uma ditadura, e esqueceram de informar o leitor porque o Brasil quer a Venezuela no Mercosul.

A Venezuela tem um Produto Interno Bruto de 176 bilhões de dólares.

O Brasil exporta para aquele país 3 bilhões e meio de dólares por ano em terminais de telefonia, carros, frango, açúcar e outros produtos industrializados e importa pouco mais de 500 milhões, principalmente em derivados de petróleo.

As vendas do Brasil para a Venezuela cresceram mais de 100% desde 2004.

Com uma parceria assim, Hugo Chávez tem que fazer ainda muitas trapalhadas para merecer o desprezo do Brasil.

Mortes de jornalistas

A Associação Mundial de Jornais divulgou no começo da semana novo relatório sobre a estatística da violência contra jornalistas.



Neste ano, já foram mortos 106 jornalistas desde janeiro, 45 deles só no Iraque. O número está muito próximo do total de 2006 – 110 mortos – o recorde de assassinatos desde que a contagem começou a ser feita.

Descontando-se o caso do Iraque, onde os jornalistas são submetidos aos  riscos de todas as guerras, chama atenção o fato de que, em outras regiões, as mortes estão relacionadas ao crime organizado e à corrupção.

A imprensa brasileira não deu muita bola para o relatório.

Segundo a Associação Mundial de Jornais, na América Latina muitos jornalistas são ameaçados, agredidos ou mortos quando se dedicam a investigar o crime organizado, o tráfico de drogas e os casos de corrupção.

No Brasil, a maioria desses está relacionada a problemas fundiários, ações de criminosos ou de políticos corruptos e até questões ambientais.

Mas há controvérsias em torno desse relatório.

Pode ser o caso do brasileiro Ajuricaba de Paula, citado na lista.

Ajuricaba tinha 73 anos quando foi morto no município de Guapimirim, Estado do Rio,  no dia 24 de julho de 2006. Ele costumava denunciar a administração municipal por suspeitas de corrupção, e divulgava em órgãos da imprensa regional um movimento de moradores contra os políticos locais.

Segundo a versão da Associação Brasileira de Imprensa, adotada pela Associação Mundial de Jornais, o jornalista teria sido espancado até a morte pelo vereador Oswaldo Vivas, por causa de uma discussão sobre política.

Segundo o acusado, que publicou sua versão no site Observatório da Imprensa em agosto de 2006, foi um acidente. Ele teria tentado evitar uma agressão do jornalista, que estaria armado de um martelo, e ambos caíram ao chão, o que teria ocasionado uma lesão fatal.

A Justiça ainda não julgou a questão.

De qualquer maneira, são muitos os casos de jornalistas brasileiros que ainda são ameaçados e agredidos pelo Brasil afora, sem que as ocorrências engrossem as estatísticas oficiais.

Alguns desses casos resultam em assassinatos.

De tão comuns, as mortes relacionadas a esses conflitos já não sensibilizam a imprensa.



Mesmo quando a vítima é um jornalista.

Essa é a verdadeira fronteira da liberdade de imprensa no Brasil.

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/11/2007 J.Augusto Figueirêdo

    Horrorosos são o Senado e Câmara dos deputados no Brasil, que sempre tem seus elementos envolvidos em desvio de dinheiro, fraudes e outras falcatruas, deveríamos ter um Chaves no Brasil. Assim ele colocaria essa cambada de ladrões pra correr.

  2. Comentou em 23/11/2007 ivan oliveira

    Gostaria de saber pq foram incluidas na mesma materia a morte de jornalistas e Hugo Chavez? Pelo que se sabe, os únicos jornalistas atacados na Venezuela foram os do canal Estatal, no golpe de 2002 onde os opositores fecharam o VTV para que não fosse desmentido o golpe de estado, tomando o canal com o exercito golpista. E o país com mais mortes de jornalistas em trabalho é o México, onde o governo pró-EUA prende manifestantes opositores a todo momento sem acusações legais.
    Flata ética na transmissão de informações dos jornais nacionais, infelizmente…
    P_a_Z

  3. Comentou em 23/11/2007 Marco Antônio Leite

    Caro escriba, em todas às atividades do ser humano, morrem trabalhadores, porque tanta preocupação com as mortes de jornalistas que estão no fronte das guerras entre países e na guerrilha urbana. Qual a diferença de um trabalhador da construção civil(morrem aos montes) de um jornalista morto em sua atividade.

  4. Comentou em 22/11/2007 Helio Canalonga

    O Brasil tem mais é que exportar até as causas, como disse uma vez o Dr. Antonio Ermirio, exportem de tudo e para todos os Paises, até para a Venezuela, como fazem os nossos irmãos americanos, o Chaves passa e a Venezuela fica.

  5. Comentou em 22/11/2007 Altino Correia Correia

    É profundamente lamentável que tantos jornalistas tenham sido vítimas da violência, da
    incompreensão e da agressividade de certos políticos que deveriam pautar pelos princípios
    democráticos e de responsabilidades. Os mortos
    são sempre os que discordam da conduta e do procedimento irregular daqueles, que uma vez
    eleitos para representar a comunidade passam a agir de forma contrária, legislando em causa própria. Ou se envolvendo em atos de corrupção.
    No cumprimento de sua missão, o jornalista/ou
    radialista nada mais faz do que denunciar o que considera irregular ou desonesto. Mas nem sempre consegue chegar ao objetivo final, porque
    o’poder econômico’ fala mais alto, e nem sempre ele dispõe de espaço suficiente para dizer o que sabe. Muitas vezes, é ‘silenciado’ antes mesmo de emitir sua opinião… E dizer que o Art.5º
    de nossa Constituição diz que ‘todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade’. Diz ainda nos parágrafos seguintes que ‘ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante; e que é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença’…

  6. Comentou em 22/11/2007 Daniel Thomé

    Infeliz o seu ponto de vista, lamentável

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