Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

Programa nº 448

Mauro Malin

>>Igrejas e Tanure avançam na mídia
>>Tarso é diferente de Lula

Por Mauro Malin em 31/01/2007 | comentários

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Igrejas e Tanure avançam na mídia


Daniel Castro noticia hoje na Folha que o governo acaba de dar um canal de televisão à Igreja Renascer, cujos dirigentes estão às voltas com a Justiça nos Estados Unidos e no Brasil.


A mídia brasileira passa por uma metamorfose. Daniel Dantas e Nelson Tanure, empresários com sólida tradição em negócios controvertidos, informam estar na iminência, cada um de seu lado, de comprar a Editora Três, cujo carro-chefe é a revista IstoÉ.


Tanure assumiu o controle da rede de televisão CNT e disputa o grupo O Dia de comunicação com R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, estrela do Show da Fé, na Rede Bandeirantes, e com Edir Macedo, da Igreja Universal, que já possui a Rede Record, programas de rádio, o jornal Folha Universal e a revista Plenitude.


Gratuito se defende


O jornal gratuito Destak, iniciativa de um grupo português, afirma em nota que André Jordan, naturalizado brasileiro há mais de 50 anos, possui 70,1% das ações, e seus diretores, Cláudio Zorzetti e Fabio Santos, são brasileiros natos. O comunicado do Destak diz que a lei brasileira não proíbe a participação de estrangeiros no conselho de administração da empresa.


A Folha de S. Paulo noticiou na semana passada que a Associação Nacional de Jornais pediu ao Ministério Público uma investigação sobre a participação estrangeira no jornal gratuito.


O editor do Destak, Fábio Santos, declara que o jornal só chamou a atenção da ANJ e a iniciativa do Ministério Público só virou notícia na Folha de S. Paulo porque “o jornal já é um projeto de sucesso, o que incomoda os grandes veículos já estabelecidos”.


A Globo fala aos pais


Uma portaria sobre classificação indicativa de programas de televisão aberta sai na semana que vem, depois de três anos de discussão pública. A classificação já existe, mas hoje cada emissora adota uma maneira própria de indicar aos pais a idade recomendada pelo Ministério da Justiça. Há dias a Globo martela anúncio institucional em que uma criança tem os olhos vendados, como se estivesse sendo impedida de ver, e o locutor tece loas ao discernimento dos pais.


[Acréscimo às 9h40:]


Eis o texto:


Todo programa de TV aberta tem uma classificação por idade. Mas o que conta mesmo é a sua opinião. Ninguém melhor do que os pais para saber o que os seus filhos devem assistir. A televisão brasileira oferece informação, diversão e entretenimento de qualidade e de graça. Os limites é você quem dá. Cidadania, a gente vê por aqui.”


Ontem, para capturar essa fala, passei algum tempo diante da Globo em horário vespertino. Vi muita coisa que eu não exibiria para crianças pequenas. Por exemplo, chamadas para programas adultos. Por exemplo, o noticiário que irrompe entre a Sessão da Tarde (onde alguns diálogos hão de ter provocado no mínimo perplexidade em crianças; Robin Williams, protagonista de Uma Babá Quase Perfeita, diz para o namorado de sua ex-mulher que ela tem em casa ‘um vibrador que você não faz idéia’, ou algo parecido, e, em seguida, como o interlocutor expressasse estranheza em face do diálogo, explicita coisas como ‘afogar o ganso’ e assemelhadas); por exemplo, propagandas dirigidas a crianças, protagonizadas por crianças para comover adultos e para comover crianças.


É claro que a classificação indicativa só funciona se o pai ou responsável levá-la em consideração. Ainda não existe televisão com câmera para vigiar quem assiste à programação (poderá haver, algum dia, mas será usada para entender o comportamento do público e modelar o marketing). Estaria a Globo chovendo no molhado? Não. Quando se combina a fala em ‘off‘ com as imagens a sugestão é de que cabe aos pais remover a censura que venda a visão de seus filhos. (Ver imagens que serão colocadas nesta página em algum momento do dia.) Ou seja: a Globo já antecipa uma campanha ‘anticensura’. Mas o Ministério da Justiça afirma que não se trata disso. Daqui a algumas horas publicarei reportagem feita com a assessora de imprensa do Ministério Patrícia Costa.


Dizer, de modo genérico, que a televisão aberta ‘oferece informação, diversão e entretenimento de qualidade’ soa como piada. Pior. É mentira.


Finalmente, é preciso reiterar que a televisão aberta não é ‘de graça’. O telespectador, como o leitor, o ouvinte ou o internauta, dá seu tempo, vendido a patrocinadores que embutem o custo da publicidade no preço dos produtos. Além disso, ainda não tenho notícia de distribuição gratuita de aparelhos de televisão, nem me consta que as emissoras paguem a conta de luz dos telespectadores.


(Ver também ‘Globo faz campanha oblíqua‘.)


Tarso é diferente de Lula


Alberto Dines diz que o ministro Tarso Genro diverge do presidente Lula ao voltar baterias contra a mídia.


Dines:


– Tarso Genro voltou a atacar. Depois de merecidas férias, na segunda-feira, num seminário em Porto Alegre, o ministro das Relações Institucionais denunciou o controle da mídia brasileira por grupos econômicos e acusou-a de ser responsável por uma “destruição cruel” do Poder Legislativo. O ministro Tarso Genro esqueceu que em junho de 2005, na qualidade de ministro da Educação, assinou um solene e tocante artigo na Folha de S. Paulo propondo a refundação do PT diante da sucessão de escândalos conhecida como “mensalão”. Agora, passa uma borracha no que sentiu e escreveu naquela ocasião e ainda acrescenta uma descomunal bobagem: a reforma política não pode ser imposta pelos “poderes mediáticos”, terá que vir da sociedade. O ministro só não explicou quais os meios que a sociedade usará para propor a reforma política – através do Congresso? Se o Congresso é palco neste momento de uma enorme lavagem de roupa suja, como é que a sociedade pode esperar que seja o árbitro de mudanças que começarão por ele mesmo? Antes de soltar o verbo de forma tão descuidada, Tarso Genro deveria olhar o seu crachá e o seu cartão de visitas para verificar se o seu cargo ainda é o de Relações Institucionais. Nesta posição seu compromisso funcional é o de preservar e garantir as relações institucionais do governo com os demais poderes, inclusive com a imprensa. A esta altura, repetir os chavecos chavistas sobre a mídia é um retrocesso. Mais do que isso: é um desacato ao presidente Lula, que há duas semanas comprometeu-se solenemente em preservar a democracia em nosso país.



A viuvinha ou os narcotraficantes?


O sensacionalismo, cada vez mais, atropela na imprensa informações relevantes. Hoje, Estadão e Folha nem noticiam na primeira página a prisão, em São Paulo e Mato Grosso do Sul, de integrantes de uma conexão internacional do narcotráfico. Mas dão chamada para a prisão da viúva do ganhador da loteria assassinado no Estado do Rio. O Globo, que dá chamada para o narcotráfico, dedica à prisão da moça título forte, com foto que ocupa dois terços da largura e um terço da altura da página.

Todos os comentários

  1. Comentou em 02/02/2007 douglas puodzius

    Desculpe o erro no texto que enviei. Onde se le: Observador Malin, leia: Observador Dines. Se puder arrumar antes de publicar, agradeço.

  2. Comentou em 02/02/2007 douglas puodzius

    Acho um pouco descabidas as conclusões e proposituras do Observador Dines em seus comentários sobre o ministro Tarso Genro. É claro que, devemos acreditar no articulista quando este diz que Tarso voltou a atacar a imprensa só porque constatou a concetração da midia brasileira nas mãos de poucos e porque acredita que a reforma politica deva ser realizada pelo poder constituido democraticamante e amparado em milhões de votos. Afinal, o ministro está realmente aplicanco o mesmo ‘CHAVECO’ de um outro presidente democraticamente eleito e amparado por milhões de votos que se recusa a seguir as receitas que a midia recomenda e defende fervorosamente e que levaram milhões a miseria. Lula comprometeu-se com a democracia amparado por milhões de votos que recebeu democraticamente e é porisso que irá ouvir o povo e seus representantes e não um bando de aves de rapina que semeam a miseria. Continuo repetindo que a imprensa deve usar outra tatica para defender ideias liberais, pois o olhar de pirata não funciona mais. Usar o tapaolho para a estrutura da midia e querer meter uma lupa para enxegar picuinhas no ministro, algum ato desabonador , é infatil. Até porque esta descontextualizada a situação . Ele pode simplesmente ter respondido alguma pergunta hipotetica. Mesmo que fosse outro contexto. Por que negar a ele ter sua opinião basada na realidade que todos nós vimos? Discordo!

  3. Comentou em 31/01/2007 José de Souza Castro

    Li há pouco no Comunique-se: ‘O Ministro das Comunicações, Helio Costa (PMDB-MG), revogou a autorização para a criação em Vila Velha (ES) de uma retransmissora do sinal gerado pela Fundação Evangélica Trindade, de propriedade da Igreja Renascer em Cristo. Helio Costa tomou a decisão dia 30/01, mas já sem tempo hábil para sua publicação no Diário Oficial da União daquele dia. A decisão valerá a partir de 01/02, quando deverá ser publicada no veículo’. Ainda bem. Esse assalto das religiões picaretas – aquelas que não se baseiam em princípios éticos – aos meios de comunicação não traz qualquer benefício ao país.

  4. Comentou em 31/01/2007 Mirna Vieira Vieira

    Vejam esse link!!! http://lists.indymedia.org/pipermail/cmi-goiania/2006-April/0408-h0.html grave!!! muito grave!!!

  5. Comentou em 31/01/2007 Marco Costa Costa

    Sempre pensei que sofismar fosse privilegio somente de políticos e seus asseclas. No entanto, acabo de ler neste ótimo artigo que a TV aberta brasileira oferece informação, diversão e entretenimento de qualidade e de graça. Faz-me rir, isto que foi dito não passa, pura e simplesmente de lixo cultural da pior espécie, bem como a conta do consumo de energia elétrica não sai no nome das emissoras de televisão. Outro fato interessante esta relacionado com a igreja eletrônica. Explorar a fé alheia através da telinha torna-se muito mais fácil e rendoso, pois o telespectador não precisa sair da cama para ouvir que se o mesmo se converter a esta ou aquela religião o sortudo poderá num curto espaço de tempo sair da miséria econômica e passar a ser um cidadão de primeira classe. Ademais, estes exploradores da falta de cultura e consciência política da maioria que assiste ou vai a uma igreja destas que existem às centenas, visa manter o indivíduo no conformismo e na calmaria, bem como na alienação total. Se o andor da carruagem for nesta velocidade um dia as emissoras de televisão estarão nas mãos somente de pastores, bispas, padres e padrecos, desta forma teremos somente o circo da fé.

  6. Comentou em 31/01/2007 Marnei Fernando

    GRAVES E ELUCIDATIVAS DENÚNCIAS NESSE LINK… Recomendo que todos leiam e divulguem imediatamente… http://lists.indymedia.org/pipermail/cmi-goiania/2006-April/0408-h0.html

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