Segunda-feira, 01 de Maio de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº941

Programa nº 483

Mauro Malin

>>Insegurança e excesso de oficialismo
>>Mídia fora da pauta

Por Mauro Malin em 21/03/2007 | comentários

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Cana amarga


O melhor contraponto à declaração do presidente Lula sobre o heroísmo dos usineiros de cana está na capa da Folha de S. Paulo de hoje. A usina Renascença, de Ibirarema, interior paulista, foi autuada por manter pelo menos 90 trabalhadores no plantio de cana em condições consideradas degradantes.


CPI não é arma única


Foi preocupante o esmagamento da oposição ontem na Câmara dos Deputados, mas não é indispensável uma CPI para investigar o apagão aéreo. Se a imprensa cumprir competentemente seu papel, a sociedade poderá conhecer melhor a realidade do setor aéreo. E cobrar seus direitos.


Insegurança e excesso de oficialismo


O coordenador da sucursal da Folha de S. Paulo no Rio de Janeiro, Sérgio Costa, avalia deficiências da cobertura sobre segurança pública.


Costa:


– Eu vejo hoje uma cobertura muito menos de segurança e muito mais de fatos policiais, e que acaba pautando as ações das autoridades. Do tipo: tem um crime como o que aconteceu essa noite no Rio. Um francês foi assassinado na Via Dutra numa tentativa de roubo de celular dentro de um carro quando eles pararam para trocar pneu. A imprensa inteira, talvez até do mundo, pode cair em cima, e aí imediatamente as autoridades dão uma resposta. Agora, todo o panorama que cria essa situação acaba ficando em segundo plano.


Mauro:


– O jornalista da Folha diz que a sucessão de crimes provoca esquecimento.


Costa:


– A demanda é muito grande, de trabalho, e como não se investiga praticamente nada, o noticiário vai sendo substituído pelos fatos novos e os antigos vão sendo esquecidos. Os leitores reclamam: Que fim levou o caso Fulano de Tal? Daqui a pouco esse caso do menino João Hélio, que foi arrastado, também vai desaparecer.


Mauro:


– Segundo Sergio Costa, outro problema é a primazia das declarações oficiais.


Costa:


– Parte da nossa deficiência na cobertura dessa área de segurança vem de uma dependência muito grande. Você não tem hoje muitos repórteres investigativos, com todo tipo de fonte. Acho que tem muita dependência, principalmente dos grandes meios, como a televisão, das fontes oficiais. Qualquer coisa que aconteça aqui no Rio, por exemplo, imediatamente você tem um secretário de Segurança disponível, um chefe de Polícia, um comandante da PM para dar entrevista na televisão. E isso dá uma visibilidade muito grande. Conseqüentemente, a mosquinha da política acaba encostando ali.


Clique aqui para ler a entrevista completa.



Ainda o STF


Voltam ao noticiário hoje, no Globo, críticas à atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, proprietário de uma escola que foi contratada pelo tribunal sem licitação.


Lavagem de dinheiro


Delegados de Polícia querem impedir que o Senado vote projeto que transfere ao Ministério Público a competência para comandar investigações sobre lavagem de dinheiro. O dicionário Aurélio define: corporativismo é “ação em que prevalece a defesa dos interesses ou privilégios de um setor organizado da sociedade, em detrimento do interesse público”. No caso, quais seriam os interesses?


Mídia fora da pauta


O editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto, fala de um estudo que constatou pouco interesse da mídia pela discussão da própria mídia.


Egypto:


– Nesta semana foi divulgado o relatório da pesquisa “Mídia e políticas públicas de comunicação”, realizada pela ANDI http://www.andi.org.br – Agência de Notícias dos Direitos da Infância com apoio da Fundação Ford.


O estudo analisou 1.184 matérias publicadas entre 2003 e 2005, em 53 diários de todo o país e quatro revistas semanais de informação. Um dos objetivos foi avaliar como a imprensa brasileira trata os assuntos concernentes aos seus deveres e responsabilidades. E responder à pergunta: como a mídia discute os temas relacionados à própria mídia?


Apenas sete dos 57 veículos analisados concentram 35% dos textos a esse respeito publicados no período. E assuntos importantes para a agenda pública, como o papel dos meios no aprimoramento da democracia, a concentração e a propriedade cruzada, e temas como regulação e auto-regulação praticamente inexistem na cobertura.


No Brasil, a mídia não está na pauta da mídia.


Não misturar dinheiro com notícia


Na mesma página em que noticia o cumprimento de Delúbio Soares a José Dirceu, que festejou aniversário ontem, o Globo critica, em pequeno editorial: “O presidente Lula planejaria juntar, na Secretaria de Comunicação, o trabalho de contato com a imprensa – que já é feito – com o guichê de publicidade do Executivo. (….) É péssima solução. Pois as boas práticas recomendam que dinheiro e notícia mantenham uma grande e visível distância profilática”. O jornal sugere que o presidente reflita melhor sobre sua política de comunicação. Está certo. Mas o próprio jornal também precisa refletir melhor sobre suas práticas comerciais.

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  1. Comentou em 23/03/2007 Denis Biassi

    Sobre o parágrafo ‘Cana Amarga’, não é apenas o presidente que parece não enxergar a degradação humana que há muito ocorre, mas todos nós, meros cidadãos obstinados por economia nas bombas dos postos e não conhecemos a realidade alheia que sustenta nossos pequenos luxos que por sua vez enriquecem cada vez mais os grandes barões do álcool.

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