Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Programa nº 326

Mauro Malin

>>Inteligência, nem policial, nem jornalística
>>Ministro Marco Aurélio na TV

Por Mauro Malin em 08/08/2006 | comentários

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Inteligência, nem policial, nem jornalística


Como as autoridades divulgam pela mídia trechos de grampos telefônicos, os bandidos agora evitam celulares e usam visitas para transmitir instruções. Não existe inteligência policial. A cúpula do governo não ouve quem conhece a realidade dos presídios. Tampouco existe trabalho jornalístico adequado. Quase tudo é feito em gabinetes oficiais, fora dos locais onde se produz a crise. A mídia só reage. Espasmodicamente. E não questiona as autoridades, porque elas são suas principais fontes de informação. Perdão. De desinformação.


O aprendizado do terror


A jornalista Márcia Glogowski foi durante muitos anos editora de Geral e de Cidade no Estado de S. Paulo. Ela chama a atenção para o ineditismo da crise atual.


Márcia:


– Os cadernos de Cidade vivem um grande desafio no momento, que é como informar bem a população quando se vive pela primeira vez em São Paulo um clima de terrorismo. Os criminosos do PCC desde maio têm lançado essas ofensivas, para desmoralizar totalmente a segurança, e deixando a população de São Paulo com medo. Só que São Paulo, historicamente, é a cidade de empreendedores. Em qualquer nível. Não precisa ser gente rica. Os pobres também aqui são muito empreendedores. E é essa a resposta que a população tem que dar. A função dos jornais no momento, então, é descobrir caminhos e não deixar essa população desorientada. Tentar achar uma solução, pôr essa discussão nas páginas. Vai ficar pesado demais? Vai. Muitas vezes o leitor quer ler uma coisa menos dura, menos séria. Como fazer? Pensar em algum jeito gráfico para manter sempre o alerta. Talvez tentar, não ensinar, mas dar uma orientação para a população de como manter a calma, não se deixar levar por boatos e manter a sua normalidade na vida para enfrentar essa situação de terror.


Leia ‘Terror é desafio para os jornais’, de Márcia Glogowski.


Estado de defesa


Usar o terror do PCC na briga eleitoreira é uma afronta à população. Mais um sintoma de degenerescência da política. Se o governo federal, por exemplo, quisesse agir, uma das opções seria recorrer ao estado de defesa, previsto na Constituição para “preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza”. Exatamente o que acontece hoje em São Paulo, onde o governo estadual perdeu o controle da situação. Isso não significa apenas ou necessariamente mandar tropas federais, mas, por exemplo, intervir na cúpula da (in)segurança pública, em defesa da população. Mas, para fazer isso, o governo federal precisaria ter autoridade. Num quadro de alianças com mensaleiros e sanguessugas, nem pensar.


Ao mesmo tempo, sem políticas sociais, sem descriminalizar as drogas, sem controlar o tráfico de armas, não se avançará.


Ministro Marco Aurélio na TV


Alberto Dines anuncia que o entrevistado de hoje no programa de televisão do Observatório da Imprensa será o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio de Mello.


Dines:


– Não é a primeira vez que um Presidente da República tenta se reeleger. Em 1998, FHC também tentou e conseguiu. A única diferença é que embora fosse a primeira vez, aquela reeleição foi menos, digamos, atribulada. O presidente Lula chegou a comentar em tom de blague que não sabe quando é candidato e quando é Chefe da Nação. Por outro lado, o desvendamento do escândalo do mensalão e suas conexões com o caixa dois obrigou a Justiça Eleitoral a criar paradigmas mais rigorosos para a propaganda eleitoral. Além disso, há os implicados nos escândalos cujas candidaturas precisam ser discutidas. Além disso, temos a mídia eletrônica que precisa ser acompanhada porque trata-se de uma concessão pública, não pode favorecer ninguém. Resultado: neste momento, além dos três poderes, temos um superpoder provisório, mas efetivo, o Tribunal Superior Eleitoral. Ele precisa ser ouvido. Por isso, hoje à noite o Observatório da Imprensa vai entrevistar o presidente do TSE, o ministro Marco Aurélio de Mello. O programa de televisão do Observatório da Imprensa é transmitido hoje às onze e meia da noite na TV-Cultura. Mais cedo e ao vivo, às dez e meia, na TV-E.


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Todos os comentários

  1. Comentou em 08/08/2006 Marco Antônio Leite Costa

    Num trecho do texto, o jornalista diz que o pobre também é empreendedor. Para que possamos entender este trecho, solicito informar o que o pobre tem para empreender. Pois, o que sabemos de fato é que o povo pobre só têm a força de trabalho para vender, a fim de manter sua sobrevivência. Outrossim, a inteligência passa kilometros de distância da polícia, bem como das falsas autoridades.

  2. Comentou em 08/08/2006 giselle mathias

    Percebo que no comentário sobre os ataques do PCC há uma tentativa de também responsabilizar o atual governo federal, pelo descontrole e desmando da segurança pública de São Paulo. Não é tão simples o governo federal enviar tropas, sem o consentimento do poder constituído de São Paulo, caso contrário seria uma intervenção, e esta tem trâmite próprio, não é só enviar tropas. Basta lembrar que no Rio e no Espírito Santo, os respectivos governos estaduais solicitaram ajuda federal, muito diferente do que acontece no estado de São Paulo. Cumpre esclarecer, ainda, que o Brasil é uma Federação, e que os Estados possuem autonomia. O problema da violência em São Paulo não iniciou neste ano nem em 2003, vem da falta de políticas públicas, da diminuição do ‘Estado’ e do descaso com a sua po pulação. Para falar em patrulhamento de fronteiras, do combate ao tráfico de armas e drogas é preciso recordar que foi no atual Governo que a Polícia Federal aumentou o seu contingente e vai aumentar mais ainda para melhorar a eficiência dos seus serviços. No Governo PSDB a política era a de diminuição do Estado e da tercerização dos serviços públicos, o Estado de São Paulo é a prova cabal do desastre desses ideais, países como a Suíça e a Alemanha proporcionalmente possuem mais servidores públicos do que nós, não é sucateando o Estado que encontraremos a solução dos problemas desse país.

  3. Comentou em 08/08/2006 José Renato Almeida

    Parece-me proposital a insistência dos meios de comunicação em carimbar como crime organizado somente os bandidos pé-rapados do PCC e do Comando Vermelho. Com isso tentam desviar a atenção das demais organizações criminosas que vêm saqueando e aterrorizando os brasileiros há muito mais tempo. Os criminosos do PCC e do CV, que agem nos presídios e na exploração das drogas, estão na faixa de 25 anos de idade, enquanto as quadrilhas dos sanguessugas, mensalão, privatização, Banestado, venda de sentenças e corrupção institucionalizada, em geral, já acumulam cabelos brancos e muitos anos de impunidade. A investigação feita pela Polícia Federal e a prisão de surpresos ‘senhores acima de qualquer suspeita’, recentemente em Rondônia, vêm confirmar que os mais importantes grupos e siglas do crime organizado estão infiltrados em nossas instituições democráticas, cooptando até os novos do Ministério Público, em quem depositamos tantas esperanças no combate à corrupção sistêmica existente em nosso país.

    José Renato M. de Almeida
    Salvador – Bahia

  4. Comentou em 08/08/2006 José Fernandes

    Duvido que perguntem ao Marco Aurelio sobre os inúmeros habeas-corpus que ele concedeu (tipo ao Cacciola entre muitos outros) e que tanto prejuizo trouxeram à Justiça desse país.(e à economia porque o dinheiro não foi recuperado)

  5. Comentou em 08/08/2006 marlonadriani abreu

    É impressionante como pela imprensa tudo que acontece neste país o culpado é o Presidente Lula, uma vez que quando as tropas Federais realizaram manobras na Cidade do Rio de Janeiro, parte da mídia criticou o Governo Federal, agora que esses ataques do PCC vêm ocorrendo, mais uma vez se alega que o Governo Federal é responsável, uma vez que o estado de São Paulo vem sendo governado pelo PSDB há 12 anos, e em nenhum momento vejo algum tipo de questionamento, gostaria que alguem imparcialmente respondesse que esses ataques ocorreram pelo fato do PCC ser bem estruturado há muito anos ou de uma hora para outra eles se organizarm

  6. Comentou em 08/08/2006 Emilio Gallo

    COINCIDÊNCIAS? ‘DEMÁS’ Em Cochabamba, território de plantio ilegal da planta Erythroxylon coca (cocaína) na Bolívia (outros territórios tem plantio legal para consumo interno da folha) ganharam as eleições para o partido de EVO MORALES (MAS). Evo recebeu APOIO ELEITORAL em sua campanha, do presidente Lula. Em Cochabamba existe um DEPUTADO, do partido MAS, que se chama: Gabriel Herbas Camacho. Marcola chama-se: Marcos Willians Herbas Camacho. Seu irmão aqui no Brasil, preso pelo Denarc (Departamento de Investigações Sobre Narcóticos), na noite de terça-feira, no Tatuapé, na Zona Leste da Capital…chama-se: Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, de 34 anos. Eles, Gabriel, Marcola e Alejandro, são filhos de um mesmo boliviano. Então fica assim: Quinta-feira todos os políticos sabiam da entrevista BOMBA de DANIEL DANTAS na VEJA, que sairia na sexta-feira… Na sexta-feira, MARCOLA, que tem ligações com o MST, as FARC´s e com o MAS (partido de Evo, apoiado por LULA, amiguinho do PT no Fórum São Paulo), começa uma mega rebelião em SP… Coincidências demais, né? E o gás? Sumiu do noticiário? Se você não faz parte dessa CORJA INTERNACIONAL DE TRAFICANTES, repasse para seus contatos: é seu dever cívico. Caso contrário, delete.

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