Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

Programa nº 402

Mauro Malin

>>IstoÉ e Época
>>Por uma agenda brasileira

Por Mauro Malin em 24/11/2006 | comentários

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PT e mídia


Nas propostas do PT para a chamada democratização da mídia e para o uso de critérios políticos na distribuição de verbas públicas de publicidade há mais do que uma semente de autoritarismo.


IstoÉ e Época


Nada nos jornais, hoje, sobre a revelação feita em CPI por Oswaldo Bargas: o ex-petista leu antes de ser publicada a reportagem da IstoÉ sobre o chamado Dossê Vedoin. A imprensa noticia um possível processo contra o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, no caso da abertura do sigilo do caseiro Francenildo Costa, sem mencionar que os dados foram divulgados no site da revista Época. Mídia não gosta de crítica da mídia.


Por uma agenda brasileira


A editora de Mundo da Folha de S. Paulo, Claudia Antunes, fala do maior desafio enfrentado, em sua opinião, na cobertura de assuntos internacionais pela imprensa brasileira.


Claudia:


– O que diferencia, ainda, a cobertura de internacional que é feita no Brasil da cobertura de internacional que é feita nos Estados Unidos ou na Europa é a falta de uma agenda, de uma agenda brasileira sobre o que a gente quer saber do mundo, o que é importante para a gente saber do mundo. Acho que o que pode diferenciar uma cobertura da outra não é tanto o viés político, se é esquerda, direita, centro, se mantém a objetividade, se não mantém. Acho que toda cobertura é influenciada, um pouco, pelo ponto de vista de quem está produzindo, e isso é mais pronunciado em política internacional. O que eu acho que diferencia é de que país, de quem você vai falar. E nisso é que a gente não pode ser igual nem aos Estados Unidos, nem aos jornais europeus. A gente pode aproveitar muita coisa que eles fazem, como a gente aproveita. Tem muita coisa de qualidade. Mas a gente tem que tentar criar a nossa própria agenda. Não de uma forma, assim, caipira, “Ah, vamos dar porque tem relação com o Brasil. Vamos dar porque isso interessa ao Brasil”. Não é desse ponto de vista. Quem faz internacional tem que ter uma visão cosmopolita. Não precisa ter uma relação direta com o Brasil para ser importante. É a gente tentar ver que regiões do mundo têm problemas iguais aos nossos. O que você vai dar é mais importante do que como você vai dar. Porque como você vai dar, você tem que ter sempre uma idéia de ser sempre o mais objetivo possível e ao mesmo tempo o mais contextualizado e o mais analítico possível.


Mauro:


– Claudia Antunes diz que a maior riqueza de fontes de informação, graças à internet, deve ser complementada por uma rede de correspondentes fixos, que importantes jornais brasileiros reduziram muito nos últimos anos.


Claudia:


– Cobertura internacional é uma cobertura cara. Todos os jornais brasileiros passaram por reestruturações. Essas reestruturações de uma certa maneira levaram a cortes de despesas, que afetaram a área internacional. Se, por um lado, hoje, você pode ter, estando na redação, muito mais acesso a fontes que não sejam só as agências no exterior, por outro lado todos os jornais cortaram muito o número de correspondentes efetivamente no exterior. O ideal seria ter as duas coisas. Ao mesmo tempo poder fazer, da redação, uma coisa mais contextualizada, mais crítica, que não seja uma mera reprodução de agência, e ao mesmo tempo ter gente lá fora, porque nada substitui ter uma pessoa no local. Mas isso não acontece.


[Clique aqui para ler a entrevista completa.]


O habitual pacote


Manchetes anunciam de modo neutro, como manda a prudência, um pacote econômico de fim de ano do governo. Mas comentaristas experientes, como Rolf Kuntz, ontem, no Estadão, e Miriam Leitão, hoje, no Globo, estão com a sensação de que não há um conjunto consistente de idéias por trás do anúncio.


Anistia não é esquecimento


Palavras do ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, hoje, em artigo na Folha, a respeito do coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de comandar tortura, objeto de solidariedade de colegas de farda anteontem em Brasília: “O coronel Ustra (….) Terá dito, no discurso pronunciado, que lutou pela democracia, quando, na realidade, emporcalhou com o sangue de suas vítimas a farda que devera honrar”.


O assunto é objeto de debate mais amplo nos jornais de hoje. E deve ser debatido. Os fatos da História podem ser abafados, mas não suprimidos.


Cegueiras


A cada dia são mais assustadoras as revelações na mídia sobre a situação real do controle de tráfego aéreo no Brasil. Agora se fala em porção do espaço aéreo “cega, surda e muda”. Essa descoberta tardia é também um atestado de mau funcionamento da imprensa.

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/11/2006 Thogo Lemos

    ‘Se a educação pública caminhasse melhor, a imprensa seria obrigada a mudar de patamar’!!!! Se vocês fossem obrigados, como qualquer comum, a respeitar a Constituição, Art.221, a ordem de sua frase estaria naturalmente invertida. A mídia tem responsabilidade de mudar, de ir à frente. E o que a mídia tem feito pela educação do país?? Ou será que ela não tem nada a ver com isso?

  2. Comentou em 27/11/2006 Marco Costa Costa

    Analiticamente escrevendo o contextualizado da reestruturação da mídia faz de conta que escreve a verdade de tudo o que ocorre no mundo e, nós leitores nos divertimos com acreditar que a pura verdade, verdadeira verdade, está com a pidona de liberdade de expressão democraticamente, a fim de emitir notícias com fonte não fidedigna. Quando a nossa queridinha imprensa passar a levar á sério sua própria existência, com absoluta certeza, o leitor passará a dar crédito para a imprensa e seus profissionais.

  3. Comentou em 26/11/2006 wagner bhering gava

    e depois o ministro da defesa diz que nosso sistema aereo e um dos melhores do mundo eu nao quero ver o pior

  4. Comentou em 24/11/2006 Fábio Carvalho

    O discurso mais autoritário que conheço é o que quer manter o oligopólio da mídia brasileira, que negocia matérias para petistas aloprados com a cumplicidade silenciosa da Época. A Folha, que denunciou o mensalão, calou quando o ex-araponga da Abin (contratado por um interesse comercial contrariado) gravou o vídeo da propina revelado pela Veja. A reportagem da Folha de hoje afirma, sem rodeios, que a democratização é um pretexto para a PT discutir a mudança de critérios de distribuição de verba publicitária oficial. Eu não poderia esperar matéria mais imparcial e isenta do que a que se lê debaixo de um título com ‘critério político’ aspado. O Fórum Nacional de Democratização da Comunicação, que entre outras coisas lutou pela implantação do Conselho de Comunicação Social, é autoritário, Mauro? Pois é objetivo estratégico do FNDC ‘empreender a reestruturação do mercado de comunicação no Brasil, através de medidas legais e políticas, com a criação de condições favoráveis para a concorrência comercial, fortalecimento da capacidade de produção por empresas e entidades, impulso a segmentos da mídia com necessidades de valorização, regionalização da produção e ampliação do mercado, inclusive para viabilização da produção hoje sem canais de distribuição, e amplo estímulo à pluralidade de expressão’. A Ford Foundation, que apóia o OI, apóia o FNDC.

  5. Comentou em 24/11/2006 douglas puodzius

    Na conclusão de que as propostas de democratização da midia trazem em seu bojo mais que uma semente de autoritarismo, há mais que desinformação, há engajamento anti-democratico de defesa do espirito de corpo em prejuizo da sociedade. Primeiro porque não é uma proposta PT, partido, que com toda autoridade democratica, pode e deve encampar bandeiras que visam melhorar os instrumentos de progresso de nossa sociedade. Segundo porque, critérios politicos devem nortear as ações de qualquer governo, inclusive as questões da comunicação social. Alias, impossivel apontar qualquer governo ao longo da historia da humanidade que não tomasse decisões baseadas em sua politica. Portanto, é falacia querer dar a entender que outros governem por criterios tecnicos e que o Pt esteja disvirtuando essa nobre pratica administrativa. Basta lembrar Alkimim e as verbas da Nossa Caixa. Pode-se discutir os critérios políticos utilizados na distribuição do orçamento de publicidade, mas, não se pode querer impor os tais citérios tecnicos sobre uma linha de pensamento. Isso simplesmente não existe. É argumento que não se sustenta na própria essencia de um governo democratico, eleito pelo projeto. O que o PT propõe é uma distribuição submetida a uma politica de democratização da comunicação, diametralmente oposta ao critério monopolizante defendido pelo mercado. Se é contra. Esteja à vontade.É democrático.

  6. Comentou em 24/11/2006 Francisco das Chagas Alves

    Com relação à editoria de Mundo, gostaria de chamar a atenção para a cobertura, de Nova Iorque, pela Rede Globo, da invasão do Iraque, a partir da imprensa americana. Seria contenção de gastos?

  7. Comentou em 24/11/2006 Marco Costa Costa

    É brilhante esta idéia de contextualizar as notícias de uma forma geral. Tudo tem que ser ilustrado para que não possamos ficar em duvidas quando a notícia é verdadeira ou puro sofisma daquele que escreve com a paixão de um jornalista juvenil.

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