Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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>>IstoÉ e Época
>>Por uma agenda brasileira

Por Mauro Malin em 24/11/2006 | comentários

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PT e mídia


Nas propostas do PT para a chamada democratização da mídia e para o uso de critérios políticos na distribuição de verbas públicas de publicidade há mais do que uma semente de autoritarismo.


IstoÉ e Época


Nada nos jornais, hoje, sobre a revelação feita em CPI por Oswaldo Bargas: o ex-petista leu antes de ser publicada a reportagem da IstoÉ sobre o chamado Dossê Vedoin. A imprensa noticia um possível processo contra o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, no caso da abertura do sigilo do caseiro Francenildo Costa, sem mencionar que os dados foram divulgados no site da revista Época. Mídia não gosta de crítica da mídia.


Por uma agenda brasileira


A editora de Mundo da Folha de S. Paulo, Claudia Antunes, fala do maior desafio enfrentado, em sua opinião, na cobertura de assuntos internacionais pela imprensa brasileira.


Claudia:


– O que diferencia, ainda, a cobertura de internacional que é feita no Brasil da cobertura de internacional que é feita nos Estados Unidos ou na Europa é a falta de uma agenda, de uma agenda brasileira sobre o que a gente quer saber do mundo, o que é importante para a gente saber do mundo. Acho que o que pode diferenciar uma cobertura da outra não é tanto o viés político, se é esquerda, direita, centro, se mantém a objetividade, se não mantém. Acho que toda cobertura é influenciada, um pouco, pelo ponto de vista de quem está produzindo, e isso é mais pronunciado em política internacional. O que eu acho que diferencia é de que país, de quem você vai falar. E nisso é que a gente não pode ser igual nem aos Estados Unidos, nem aos jornais europeus. A gente pode aproveitar muita coisa que eles fazem, como a gente aproveita. Tem muita coisa de qualidade. Mas a gente tem que tentar criar a nossa própria agenda. Não de uma forma, assim, caipira, “Ah, vamos dar porque tem relação com o Brasil. Vamos dar porque isso interessa ao Brasil”. Não é desse ponto de vista. Quem faz internacional tem que ter uma visão cosmopolita. Não precisa ter uma relação direta com o Brasil para ser importante. É a gente tentar ver que regiões do mundo têm problemas iguais aos nossos. O que você vai dar é mais importante do que como você vai dar. Porque como você vai dar, você tem que ter sempre uma idéia de ser sempre o mais objetivo possível e ao mesmo tempo o mais contextualizado e o mais analítico possível.


Mauro:


– Claudia Antunes diz que a maior riqueza de fontes de informação, graças à internet, deve ser complementada por uma rede de correspondentes fixos, que importantes jornais brasileiros reduziram muito nos últimos anos.


Claudia:


– Cobertura internacional é uma cobertura cara. Todos os jornais brasileiros passaram por reestruturações. Essas reestruturações de uma certa maneira levaram a cortes de despesas, que afetaram a área internacional. Se, por um lado, hoje, você pode ter, estando na redação, muito mais acesso a fontes que não sejam só as agências no exterior, por outro lado todos os jornais cortaram muito o número de correspondentes efetivamente no exterior. O ideal seria ter as duas coisas. Ao mesmo tempo poder fazer, da redação, uma coisa mais contextualizada, mais crítica, que não seja uma mera reprodução de agência, e ao mesmo tempo ter gente lá fora, porque nada substitui ter uma pessoa no local. Mas isso não acontece.


[Clique aqui para ler a entrevista completa.]


O habitual pacote


Manchetes anunciam de modo neutro, como manda a prudência, um pacote econômico de fim de ano do governo. Mas comentaristas experientes, como Rolf Kuntz, ontem, no Estadão, e Miriam Leitão, hoje, no Globo, estão com a sensação de que não há um conjunto consistente de idéias por trás do anúncio.


Anistia não é esquecimento


Palavras do ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, hoje, em artigo na Folha, a respeito do coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de comandar tortura, objeto de solidariedade de colegas de farda anteontem em Brasília: “O coronel Ustra (….) Terá dito, no discurso pronunciado, que lutou pela democracia, quando, na realidade, emporcalhou com o sangue de suas vítimas a farda que devera honrar”.


O assunto é objeto de debate mais amplo nos jornais de hoje. E deve ser debatido. Os fatos da História podem ser abafados, mas não suprimidos.


Cegueiras


A cada dia são mais assustadoras as revelações na mídia sobre a situação real do controle de tráfego aéreo no Brasil. Agora se fala em porção do espaço aéreo “cega, surda e muda”. Essa descoberta tardia é também um atestado de mau funcionamento da imprensa.

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