Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 427

Mauro Malin

>>Lula e a violência
>>Promessa antiga

Por Mauro Malin em 02/01/2007 | comentários

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Posse em alta na telinha


O presidente Lula não pode se queixar do principal veículo de mídia do país. O Jornal Nacional não economizou simpatia no noticiário sobre sua posse para o segundo mandato. O tom é completamente diferente nos jornais de hoje, entre eles o Globo. Sublinham a modéstia do evento e as indefinições do governo.


Fogos e tiros


Todos os telejornais da Globo omitiram que houve quatro feridos a bala durante a passagem do ano em Copacabana. A quem beneficia tentar tapar o sol com uma peneira?


Lula e a violência


Alberto Dines registra que o presidente Lula chamou a si parte da responsabilidade de combater a criminalidade violenta.


Dines:


– No discurso de posse que leu no plenário do Senado ontem o presidente Lula não conseguiu reprimir suas magoas e/ou preconceitos e tentou alfinetar a imprensa quando disse que “o povo constitui a verdadeira opinião pública do país que alguns pretenderam monopolizar”. Apesar disso, minutos depois, num improviso no parlatório, sem se dar conta, o presidente da República entrou na polêmica iniciada pelo jornalista Merval Pereira sexta-feira no Globo sobre a natureza da onda de violência deflagrada no Rio de Janeiro e assumiu uma posição candente: o que aconteceu e ainda acontece no Rio, disse Lula, não é banditismo, é terrorismo. A afirmação é inédita, ousada. Mesmo durante os motins em S. Paulo, nenhuma autoridade, civil ou militar, estadual ou federal havia diagnosticado o episódio com tanta convicção e veemência. O problema não é semântico, é político. Combater o terrorismo é atributo do Estado brasileiro, a partir de agora o governo federal não precisa esperar que os governos estaduais peçam a sua ajuda. Terrorismo é ameaça à segurança nacional, o governo terá que agir e agir com energia, mesmo que a opção tenha sido anunciada num arroubo oratório. Tão importante quanto este pronunciamento, porém, é o fato de que o presidente da República no dia da sua segunda posse aderiu a um debate antecipado pela imprensa. Para alguma coisa servem os jornais.


Mauro:


– Hoje, e nas demais terças-feiras de janeiro, não haverá programa do Observatório da Imprensa na televisão. O programa voltará em fevereiro.


Promessa antiga


O Globo relembra hoje que na posse de 2003 o presidente Lula já fizera a promessa de chamar os governadores para pôr fim à onda de violência. E desde então a situação se deteriorou, principalmente em São Paulo, que Lula não mencionou ontem, porque sua tomada de posição tem objetivo político-partidário bem preciso.


O uso de tropa federal no Rio não é novidade. O problema não é falta de tropa, nem de leis. É o envolvimento da polícia e da política com o crime.


Nossa História


O ano começa sem a revista Nossa História. Sua editora era Cristiane Costa, que faz o balanço da trajetória da revista.


Cristiane:


– Nesses três anos de vida, a revista Nossa História cumpriu um papel fundamental, que foi divulgar a História do Brasil para o leitor leigo. Na verdade, ela foi uma das pioneiras nesse sentido de tentar aproximar o público do historiador e do material que tem sido produzido nas universidades. Material que muitas vezes revisa e mexe com todas as nossas crenças sobre a História do país. Agora, com seu fim, fica uma lacuna no mercado editorial brasileiro.


Mauro:


– Fica no mercado, entre outras, a Revista de História da Biblioteca Nacional, cujo editor é o historiador Luciano Figueiredo. Ele foi o primeiro editor de Nossa História e defende o duplo benefício que essas revistas oferecem.


Luciano:


– Tanto determinados temas difíceis produzidos na universidade são melhor apresentados para o leitor que desconhece conceitos e jargões, quanto, por outro lado, o historiador também aprende a escrever, porque ele lê também o que os colegas publicam, agora com a linguagem adaptada, o historiador também aprende a escrever para o grande público, uma ferramenta que ele não domina, para a qual ele não é preparado.


A grande pergunta que sempre se fez, e até hoje se faz, aliás, é quem seria o leitor dessas revistas de História. E no fundo todo mundo suspeitava que a pergunta não era essa, que essas revistas criaram um leitor, elas mostraram aos leitores como a História pode ser rica, pode ser apresentada de uma forma que o leitor dificilmente suspeitava. Esse público já está formado.


Clique aqui para ler um texto de Cristiane Costa e uma entrevista completa de Luciano Figueiredo.

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