Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

Programa nº 571

>>Mais humildade
>>A tragédia da política

Por Luciano Martins Costa em 24/07/2007 | comentários

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Ainda é cedo
Completada uma semana da maior tragédia da aviação no Brasil, os jornais seguem semeando mais confusão que informação. A rigor, nenhuma nova revelação que não tenha sido apresentada nos primeiros dias após o desastre vem oferecer algum subsídio capaz de levar o leitor a uma interpretação segura sobre o que ocorreu em Congonhas terça-feira passada. Como era de se esperar, ainda é cedo para que seja completamente desvendado o que aconteceu durante a tentativa de pouso do Airbus que fazia o vôo JJ-3054.


Mais humildade


Uma comparação com as edições anteriores mosta o Estado de S. Paulo mais cuidadoso nesta terça-feira. Em um infográfico de dimensões reduzidas em relação ao que foi publicado no primeiro dia após o acidente, no qual afirmara que o avião tinha derrapado na pista, desta vez o jornal reconhece que há três hipóteses para a causa do desastre.
Além disso, o Estadão afirma que há dúvidas sobre se o piloto tentou arremeter ou não após chegar ao solo. E observa que ainda não se sabe se a pista molhada contribuiu para o acontecimento.


Mais cunfusão


O Globo abre a primeira página com uma manchete sobre fato irrelevante, o deslizamento de terra na cabeceira da pista, evento natural após a destruição da cobertura de concreto e com chuvas fortes. O escorrimento de lama, fartamente mostrado em programas escandalosos de televisão na tarde de ontem, é notícia apenas visual, sem relação com a questão central do acidente, mas ajuda a induzir no leitor uma imagem negativa do aeroporto de Congonhas.


Mas é também o Globo o jornal que escapa com mais agilidade da confusão armada pelos deputados que foram aos Estados Unidos ‘fiscalizar’ a análise da caixa-preta do Airbus. ‘Trapalhadas nos Estados Unidos’, diz um título de primeira página do Globo, ao informar que os deputados Efraim Filho e Marco Maia ‘causaram confusão ao anunciar falsas conclusões da investigação’.
Agora se sabe o que os deputados foram realmente fazer nos Estados Unidos: mais confusão.


O Estado de São Paulo não teve acesso, ou ignorou o desmentido da informação apressada dos deputados, segundo a qual a caixa-preta revelaria que os pilotos não tentaram arremeter. Com base na informação, que se revelou leviana, o jornal paulista apostou na tese de erro humano desencadeado por falha no avião.


Medo de pousar


A Folha chegou mais perto do que os outros grandes jornais sobre as causas da paralisação do aeroporto de Congonhas, ocorrida durante quase todo o dia de ontem, segunda-feira, enquanto persisiu a chuva forte. Ao contrário do que diz o Estado, a decisão de evitar operações naquele aeroporto foi tomada pelas empresas aéreas, e não pelos pilotos.


A tragédia da política


Com a diminuição de grandes novidades no acidente em Congonhas, os jornais retomam a atenção para os escândalos na política. Ficamos sabendo que a Construtora Gautama, envolvida no caso que atinge pelo menos treze políticos de nove partidos, está proibida de fazer contratos com o governo federal.

E a Petrobras toma a iniciativa de negar que os gastos com a construção de plataformas, denunciados como superfaturados, foram feitos dentro das regras. Os jornais não avançam nas investigações de nenhum dos casos que moveram a opinião pública antes da tragédia em Congonhas.


Medalhas e protestos*


Enquanto isso, no Rio de Janeiro, os Jogos Panamericanos continuam alimentando a onda de ufanismo que recheia as outras páginas dos jornais.

Mas é longe das grandes redações que acontece um dos fatos jornalísticos mais interessantes do PAN: cerca de cinquenta jovens arregimentados pela ONG Observatório de Favelas, com apoio da revista Viração e da Radiobrás, acompanham os jogos com um olhar diferente.

A cobertura multimídia inclui rádio, vídeo, fotografia e texto e um detalhe especial: a visão da cidade que sedia o evento esportivo. Entre os destaques do trabalho existe uma seção intitulada ‘Enquanto isso, no Rio’, que faz a crônica do que acontece de importante na cidade durante o PAN. Ali está registrado que no dia 13 de julho houve um ato público questionando o destino dos 3 bilhões e meio de reais investidos nos jogos.

Confira no site www.revistaviracao.org.br/agencia. Repito: www.revistaviracao.org.br/agencia.


*Com a colaboração de Tatiane Klein.

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  1. Comentou em 27/07/2007 Ivan Moraes

    ‘no Rio de Janeiro, os Jogos Panamericanos continuam alimentando a onda de ufanismo que recheia as outras páginas dos jornais’: ah, sim, mas que gracinha! Os cariocas sao um amor. Eh um trabalho sujo mas alguem tem que dizer pra eles que o Pan foi uma bomba de gastos, de audiencia, e de clicks. Esse tres e meio bilioes nao serao vistos nunca mais. As favelas, sim, as favelas continuam vistas todo santo dia. O Brasil agradece se der pra abaixar a crista um pouco.

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