Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Programa nº 333

Mauro Malin

>>Manifesto pífio
>>A decisão é não ceder novamente

Por Mauro Malin em 17/08/2006 | comentários

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Caça aos disparates


A Folha de S. Paulo e o Estadão exploram hoje a trilha aberta ontem pelo Globo: assumem-se como ombudsmans de patranhas e disparates cometidos no horário eleitoral. Não vai faltar material. Mas se os jornais seguirem apenas a lógica específica das campanhas, o leitorado do país, que influi na opinião do eleitorado, perderá mas uma oportunidade de debate.


Serra e migrantes


A dianteira no campeonato de lambança retórica eleitoral está por enquanto com José Serra, do PSDB, que atribuiu às migrações as dificuldades no ensino do estado de São Paulo. A avaliação da escola pública paulista não é nada brilhante, principalmente em matemática.


Manifesto pífio


O Alberto Dines diz que o manifesto das entidades empresariais de comunicação contra a violência saiu atrasado e chocho. Fala, Dines.


Dines:


– Demorou e saiu pífio. O manifesto das cinco entidades empresariais de comunicação conclamando as autoridades a um pacto político para enfrentar o terror saiu com atraso de três meses e não causou nenhum impacto. O texto rolou na terça à noite nas telinhas da TV, os jornais repetiram ontem na primeira página e não aconteceu nada. Não animou uma alma. Ao contrário, frustrou os poucos que leram ou ouviram a nota. E por quê? Porque foi uma manifestação burocrática, apresentada de forma convencional e sem qualquer vibração. O cidadão revoltado com a inação das autoridades frente ao PCC nem percebeu que ali estava uma proposta inédita: a mídia assumia-se como um poder moral para forçar os governos, os partidos e os políticos a tirar o combate ao narcoterrorismo dos palanques eleitorais. Ficou claro que os empresários de comunicação não entendem de comunicação e ficou claro também que não se revoltaram suficientemente com o seqüestro de dois profissionais. A resposta à violência de sábado mostrou na quarta-feira um poder sem poder. Uma imprensa que diz basta sem convicção e ainda o diz de forma imprópria tem muito a aprender.


A decisão é não ceder novamente


No título do manifesto quiseram dizer “Um basta à violência” ou “basta de violência”. Não deixa de ser sintomático que tenha saído com um erro de redação, diversas falhas estilísticas, mentiras sobre o passado da mídia e posições reacionárias.


A Rede Bandeirantes não divulgou o texto por discordar da decisão da Globo de atender a exigência dos seqüestradores.


Mas daqui para a frente não existe tal divergência. As empresas decidiram não ceder novamente. Leia-se nas entrelinhas do texto: caso aconteça alguma tragédia, a responsabilidade será atribuída às autoridades. Isso não é explicitado por motivos óbvios, e por outros nem tanto. Por exemplo: subirá o preço dos seguros de vida e patrimônio pagos pelas empresas de mídia, como mostrou ontem Elio Gaspari historiando o problema nos Estados Unidos.


Polícia espetacular


A Polícia Federal continua a ser usada para passar o sentimento de que o governo age com eficácia contra o crime. Operações montadas para a televisão se repetem infindavelmente e acabarão se tornando tão chatas quanto os programas do horário obrigatório. O problema é a banalização e a perda do que ainda resta de credibilidade. Na polícia e na mídia.


Delegados candidatos


Estatística do Rio de Janeiro: há 27 candidatos ligados à segurança pública. Treze concorrem a deputado federal. Os nomes mais conhecidos são o de Marcelo Itagiba, delegado da Polícia Federal que foi secretário de Segurança no governo de Rosinha Matheus, e Álvaro Lins, delegado que foi chefe da Polícia Civil. Itagiba concorre a federal e Lins a estadual.



Mapa do Rio


A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, Firjan, divulgou ontem um Mapa do Desenvolvimento do Rio. A TV Globo deu destaque. Os candidatos a governador bateram ponto no Teatro Municipal, local do evento. Denise Frossard chegou a declarar que a receita para salvar o Rio está pronta e é tudo muito simples. É só seguir o mapa. Ou não entende de mapa, ou não conhece a história da Firjan. O Globo de hoje mostra mais juízo e dá a notícia do tal Mapa do Rio quase escondida.


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  1. Comentou em 17/08/2006 cid elias

    Acho q maurão deveria ser humorista ou assessor da Dora, Rossi, Noblat, josias et caterva. Esta da PERDA DE CREDIBILIDADE DA POLÍCIA FEDERAL e que está sendo usada para PASSAR O SENTIMENTO de que o GOVERNO age com eficácia contra o crime…blablablá… é NUMBER ONE! Pense num observador de terceira linha! Pense num jornalista destituído de todo e qualquer traço ISENÇÃO e de profissionalismo. Que coisa feia! Opinião descasada da ‘tropa’ cara pálida…A EFICÁCIA da PF é pura enganação e mentira! O dono do Banco Santos lá na cadeia foi ilusão de ótica, assim como o Cacciola curtindo com nossos 1,6 U$ bi também é. Dois conhecidos meus estão presos por fazerem parte do esquema, tinham produtos nas lojas mais baratos que o custo. Tão lá no hotel do governo. Os éticos lá do norte também foi só para passar o sentimento, não foi? Juízes, desembargadores, deputados, etc. eram ‘gente boa’ igual ao maurão, mas esta turma de palhaços enganadores da PF em nítida campanha política pro imigrante burro, só querem aparecer na telinha, e enjaularam os POBRES INOCENTES que vendiam sentenças e que fizeram uma obra em um dia para surrupiar o erário! AH! Antes que me esqueça, estou esperando a prova para para de te perturbar… [Ofensas suprimidas]

  2. Comentou em 17/08/2006 Leandro Fortes

    Ontem, dia 16 de agosto, o candidato José Serra, ex-prefeito de SP, disse aquela frase infeliz, de que o problema de educação na cidade era causado pelos migrantes. A notícia ganhou chamada no UOL, com um link, logo abaixo, chamando para uma análise de Gilberto Dimenstein cujo título era ‘Serra é desinformado’. O link, e a análise, ficaram alguns minutos no ar, mas foram retirados em seguida, sem nenhuma explicação. Simplesmente, a coluna de Dimensteins sumiu do portal, sem que o leitor interessado encontrasse nenhum link para acessá-la novamente. Hoje pela manhã, dia 17, eis que aparece de novo a coluna de Dimenstein, mas agora com outro título: ‘Serra foi preconceituoso?’. Veio embaixo de uma chamada maior, sobre um ato de censura tratado como medida de justiça: uma liminar que proíbe o site de Mercadante de chamar Serra de preconceituoso por acusar os migrantes de serem responsáveis pela má educação oferecida pelo governo do PSDB. O texto de Dimenstein, além de condescendente, refaz o conceito de preconceito, agora tratado, lá no fim, por desinformação, e também acusa Mercadante de desinformado, por razões obviamente empurradas pela direção da Folha. Enfim, um desastre para o jornalismo.

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