Domingo, 24 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
Menu

Programa nº 468

Mauro Malin

>>Mapa da violência é mapa da ausência
>>Opinião pública

Por Mauro Malin em 28/02/2007 | comentários

Ouça aqui

Download

Mapa da violência é mapa da ausência


O Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros divulgado ontem é também o mapa da ausência da mídia das cidades afastadas. Não se trata apenas de locais distantes, como Colniza, em Mato Grosso, ou Crixás do Tocantins, mas de cidades paulistas, como Barra do Turvo e Rifaina. São praticamente desconhecidas do leitor dos grandes centros, a menos que ocorra em alguma delas fato bizarro, que, real ou supostamente, seja capaz de atrair audiência. Da vida cotidiana desses lugares, e mesmo da periferia dos grandes centros, sabe-se muito pouco, ou nada. Hoje, algumas cidades ganham destaque, mas as razões disso são as piores possíveis.


Opinião pública


Fábio Wanderley Reis, professor emérito de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais e desde janeiro colunista do jornal Valor, diz que não deve haver absolutização da chamada opinião pública.


Wanderley Reis:


– Há uma certa santificação da opinião pública que tem claramente efeitos negativos. É claro que a imprensa tem um papel importante na produção da opinião pública. Se, por um lado, a opinião pública é uma parte autêntica e oficial de uma dinâmica democrática, por outro lado ela é um fator de patologias várias, que podem assumir a forma mais branda do politicamente correto e podem assumir a forma do linchamento moral, com conseqüências que podem ser claramente antidemocráticas, que, aliás, são manipuladas com muita freqüência por governos ditatoriais, autoritários, precisamente criando um clima no qual se impede a comunicação adequada e se cria a impressão de que determinada posição favorável ao governo, ou o que seja, é a posição dominante.


Aquilo que uma certa literatura da Psicologia Social costuma designar como fenômeno da ignorância pluralística. Por um lado, o fato de que as pessoas, com freqüência, não sabem o que as outras pensam, e a possibilidade de produzir em cima disso uma suposta opinião pública que, na verdade, você não sabe direito opinião de quem é, e acaba tendo impactos negativos.


Mauro:


– Fábio Wanderley Reis critica o tipo de dobradinha que a mídia faz com a academia, ou vice-versa, no Brasil.


Wanderley Reis:


– Sobretudo num certo casamento negativo, por aspectos importantes, entre o que se faz na academia e a mídia, você acaba tendo na mera manifestação da indignação, que ressoa publicamente, etc., algo que supostamente justifica prestígio acadêmico. No limite, você acaba tendo o prestígio acadêmico determinado pelo fato de até que ponto você vai aparecer na imprensa ou não. E para aparecer na imprensa, o que, com muita freqüência, pelo menos o leitor espera, é que você xingue, que você mostre indignação, que você denuncie a fome dos famintos, a violência dos violentos. Estudo mesmo acaba vindo pouco.


Clique aqui para ler a entrevista completa de Fábio Wanderley Reis.


Política externa


As críticas do ex-embaixador em Washington Roberto Abdenur à condução da política externa brasileira devem ser aproveitadas para remover véus de um assunto historicamente conduzido com pouco ou nenhum conhecimento da opinião pública.



Terra de ninguém


O editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto, fala da terra de ninguém em que se transformou a política para a radiodifusão no Brasil.


Egypto:


– Logo após o carnaval, foi anunciada a compra da Rede Guaíba de rádio e TV, do Rio Grande do Sul, pela Igreja Universal do Reino de Deus. A igreja começou a investir pesado na mídia no fim dos anos 1980, quando adquiriu a Rede Record, de São Paulo, numa operação de 45 milhões de dólares. Hoje, além da Record, a Universal dá as cartas em dois outros grupos de TV – a Rede Família e a Rede Mulher – afora um número expressivo de emissoras de rádio.


O negócio que redundou no controle da TV Guaíba e das rádios Guaíba AM e FM, pela Universal, é o retrato acabado da terra de ninguém em que se transformou a política para a radiodifusão no Brasil. Canais de rádio e TV – que não são propriedades particulares, mas concessões públicas – são negociados livremente sem que a sociedade ou o Estado sejam consultados.


Até quando? Com a palavra os legisladores. Muitos deles, aliás, também concessionários de radiodifusão…


Operações especiais


Sete integrantes do Batalhão de Operações Especiais da PM do Rio de Janeiro, Bope, foram presos ontem sob acusação de invasão de domicílio e furto. O Bope já teve fama de incorruptível.


Drogas e aborto


É significativo que o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, tenha se manifestado a favor de debater a legalização de algumas drogas e do aborto, em determinadas circunstâncias.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/05/2007 fzldgzks fzldgzks

    jrsbrvsg http://aoqzvmsl.com jbmetjvu jiadtqkl [URL=http://kehoanma.com]roggfumm[/URL] fmudmkpu

  2. Comentou em 01/03/2007 José de Souza Castro

    O professor Fábio Wanderley Reis podia fazer uma análise também do que se diz ser a opinião do mercado. Nas televisões, sobretudo na Globo, o mercado tem sempre uma opinião. O repórter ou o comentarista ouvem três pessoas, se tanto, e lascam lá: ‘O mercado espera…’, ‘O mercado entende…’ — ou outra tabajariice qualquer do gênero, que só não é mais tababaca porque esse mercado não é bobo: sempre tira algum lucro dessas ‘informações’. Enquanto isso, vi pouco auê sobre um estudo que mostra o espantoso número de assassinatos no Brasil. Do Blog do Mino: ‘Segundo um estudo da Organização dos Estados Ibero-Americanos, em 2004, 48,3 mil brasileiros morreram assassinados. Até hoje no Iraque, desde o começo da guerra, o número de baixas chegou, segundo pesquisa por amostragem, a 650 mil, entre civis e militares. Foram quatro anos de conflito. Por causa do Iraque, não somos campeões mundiais, a não ser que se considere nosso tempo de paz. Desde 2003, estamos por volta de 200 mil. Resta ver que paz é esta. Admitem-se divergências a respeito do termo’. Pois é…

  3. Comentou em 01/03/2007 Clerton de Castro e Silva

    Sobre a compra pela Igreja Universal não tenho uma opinião formada a respeito. Tem hora que acho que não é algo muito correto. Porém, tem outros momentos que quando penso que eram redes quase falidas, e hoje já estão disputando alguns pontos no IBOPE com a poderosa Rede Globo, não sei se é saudavel ou não. Acho que é um assunto para maiores debates.

  4. Comentou em 28/02/2007 Fábio Carvalho

    Prezado Mauro, vou ali cortar os pulsos e já volto. Costumo ser otimista, mas às vezes não dá. O chão foge sob meus pés e sigo em queda livre… até onde?

  5. Comentou em 28/02/2007 Levina Ferraz

    Em Chonim, distrito de Governador Valadares, o único posto policial da cidade fecha às 22 horas, a partir de quando não mais circula qualquer viatura, e não mais se vêem policiais em ronda. INCLUSIVE no carnaval, quando Chonim promoveu o 1º Chonim Folia, na praça principal da cidade, MESMO SEM POLICIAMENTO. A chácara onde me hospedei sofreu tentativa de assalto e não me restou outra alternativa a não ser me trancar dentro de casa, porque não me assistia, àquele horário, outro meio de defesa.

  6. Comentou em 28/02/2007 Ivan Moraes

    ‘presidente dos EUA em sua visita oficial ao Brasil ir para São Paulo e não para Brasília… Você sabe o motivo?’: eh onde os sabotadores estao. Brasilia eh miragem no cerrado, e logo passarah.

  7. Comentou em 28/02/2007 Norene rgergerger

  8. Comentou em 28/02/2007 Fábio Linhares

    É realmente necessário iniciar os debates para legalização de algumas drogas. Não sejamos hipócritas. O comércio e o consumo de drogas sempre irá existir independente de fiscalização ou não. O comércio de drogas funciona, hoje, como qualquer um outro, tendo polícia/fiscalização ou não. Reprimir só vai piorar a situação. Podem combater do jeito que for, mas não acabará. Ora, o dinheiro que os traficantes arrecadam com drogas, financiam as armas (para assaltos e mais arrecadação) e consequentemente geram a violência. Com a legalização o Estado pode ganhar com: arrecadação tributária, geração de empregos, com o policial que terá menos um grande motivo (muito dinheiro) para não ser corrompido, com o término da guerra por pontos de venda de droga e etc. Então a fiscalização do comércio de armas vai ficar por conta dos quartéis militares e fronteiras já conhecidas. Mas antes de tudo é preciso que o investimento em educação chegue nas escolas, para professores e alunos.

  9. Comentou em 28/02/2007 Marnei Fernando

    É… ainda sobre a questão do endereço da visita do presidente Bush… Talvez seja mania de perseguição de minha parte… Mas penso que é muito mais que emblemático esse pequeno detalhe logístico… Assim como acho que é recíproco o grau de primeiríssimo com que os paulistas em geral nutrem em relação àquele líder.

  10. Comentou em 28/02/2007 Marnei Fernando

    Já existe uma droga liberada, é o álcool… Já existem alguns casos de aborto liberado, no caso de estupro e de risco de vida das mães… O que tem que ser discutido é um maior controle sobre estes temas e não mais permissividade. Mas a discussão é bem vinda.

  11. Comentou em 28/02/2007 Marnei Fernando

    Malin, uma coisa está me intrigando é qual é o motivo de o presidente dos EUA em sua visita oficial ao Brasil ir para São Paulo e não para Brasília… Você sabe o motivo?

  12. Comentou em 28/02/2007 Marnei Fernando

    O nobre Senador ACM é catedrático nesse assunto de concessões públicas que são negociados livremente sem que a sociedade ou o Estado sejam consultados… Já que agora ele anda sem assunto, sem moral e sem espaço para nada, seria ótimo que ele liderasse esse movimento pela ética nas telecomunicações no Brasil, afinal, tempo ocioso é o que não lhe falta de sobra.

Programas Anteriores

1 2 3 4 5 última

1 de 2625 programas exibidos

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem