Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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>>Mapa da violência é mapa da ausência
>>Opinião pública

Por Mauro Malin em 28/02/2007 | comentários

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Mapa da violência é mapa da ausência


O Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros divulgado ontem é também o mapa da ausência da mídia das cidades afastadas. Não se trata apenas de locais distantes, como Colniza, em Mato Grosso, ou Crixás do Tocantins, mas de cidades paulistas, como Barra do Turvo e Rifaina. São praticamente desconhecidas do leitor dos grandes centros, a menos que ocorra em alguma delas fato bizarro, que, real ou supostamente, seja capaz de atrair audiência. Da vida cotidiana desses lugares, e mesmo da periferia dos grandes centros, sabe-se muito pouco, ou nada. Hoje, algumas cidades ganham destaque, mas as razões disso são as piores possíveis.


Opinião pública


Fábio Wanderley Reis, professor emérito de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais e desde janeiro colunista do jornal Valor, diz que não deve haver absolutização da chamada opinião pública.


Wanderley Reis:


– Há uma certa santificação da opinião pública que tem claramente efeitos negativos. É claro que a imprensa tem um papel importante na produção da opinião pública. Se, por um lado, a opinião pública é uma parte autêntica e oficial de uma dinâmica democrática, por outro lado ela é um fator de patologias várias, que podem assumir a forma mais branda do politicamente correto e podem assumir a forma do linchamento moral, com conseqüências que podem ser claramente antidemocráticas, que, aliás, são manipuladas com muita freqüência por governos ditatoriais, autoritários, precisamente criando um clima no qual se impede a comunicação adequada e se cria a impressão de que determinada posição favorável ao governo, ou o que seja, é a posição dominante.


Aquilo que uma certa literatura da Psicologia Social costuma designar como fenômeno da ignorância pluralística. Por um lado, o fato de que as pessoas, com freqüência, não sabem o que as outras pensam, e a possibilidade de produzir em cima disso uma suposta opinião pública que, na verdade, você não sabe direito opinião de quem é, e acaba tendo impactos negativos.


Mauro:


– Fábio Wanderley Reis critica o tipo de dobradinha que a mídia faz com a academia, ou vice-versa, no Brasil.


Wanderley Reis:


– Sobretudo num certo casamento negativo, por aspectos importantes, entre o que se faz na academia e a mídia, você acaba tendo na mera manifestação da indignação, que ressoa publicamente, etc., algo que supostamente justifica prestígio acadêmico. No limite, você acaba tendo o prestígio acadêmico determinado pelo fato de até que ponto você vai aparecer na imprensa ou não. E para aparecer na imprensa, o que, com muita freqüência, pelo menos o leitor espera, é que você xingue, que você mostre indignação, que você denuncie a fome dos famintos, a violência dos violentos. Estudo mesmo acaba vindo pouco.


Clique aqui para ler a entrevista completa de Fábio Wanderley Reis.


Política externa


As críticas do ex-embaixador em Washington Roberto Abdenur à condução da política externa brasileira devem ser aproveitadas para remover véus de um assunto historicamente conduzido com pouco ou nenhum conhecimento da opinião pública.



Terra de ninguém


O editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto, fala da terra de ninguém em que se transformou a política para a radiodifusão no Brasil.


Egypto:


– Logo após o carnaval, foi anunciada a compra da Rede Guaíba de rádio e TV, do Rio Grande do Sul, pela Igreja Universal do Reino de Deus. A igreja começou a investir pesado na mídia no fim dos anos 1980, quando adquiriu a Rede Record, de São Paulo, numa operação de 45 milhões de dólares. Hoje, além da Record, a Universal dá as cartas em dois outros grupos de TV – a Rede Família e a Rede Mulher – afora um número expressivo de emissoras de rádio.


O negócio que redundou no controle da TV Guaíba e das rádios Guaíba AM e FM, pela Universal, é o retrato acabado da terra de ninguém em que se transformou a política para a radiodifusão no Brasil. Canais de rádio e TV – que não são propriedades particulares, mas concessões públicas – são negociados livremente sem que a sociedade ou o Estado sejam consultados.


Até quando? Com a palavra os legisladores. Muitos deles, aliás, também concessionários de radiodifusão…


Operações especiais


Sete integrantes do Batalhão de Operações Especiais da PM do Rio de Janeiro, Bope, foram presos ontem sob acusação de invasão de domicílio e furto. O Bope já teve fama de incorruptível.


Drogas e aborto


É significativo que o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, tenha se manifestado a favor de debater a legalização de algumas drogas e do aborto, em determinadas circunstâncias.

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