Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 339

Mauro Malin

>>Mentirinhas e questões de fundo
>>O santo nome de Castellinho

Por Mauro Malin em 25/08/2006 | comentários

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Mentirinhas e questões de fundo


Parece haver dois países. Um é o do discurso marqueteiro, o inacreditável deserto de idéias, baseado em pesquisas qualitativas, que chega ao povo no horário obrigatório. Outro é o da reação de jornalistas, leitores, eleitores, parlamentares e juízes a safadezas cometidas nos três poderes. A cobertura jornalística é pífia quando segue o país de mentirinha da campanha, ou quando tenta mal disfarçadamente influir nos rumos da eleição, e mais rica quando discute as questões de fundo.


Pobreza e desigualdade


O Estadão procura compensar a rarefação de idéias com a publicação semanal de um caderno temático de debate. Hoje aborda pobreza e desigualdade. Os debatedores entram em conflito. É uma discussão viva. Duas frases podem ser pinçadas, entre muitas. Ricardo Paes de Barros diz que até agora se deu apenas o primeiro passo de uma longa jornada. E Claudio Salm propõe: “Temos que pagar um salário para a mulher cuidar dos filhos, ao invés de obrigá-la a ser doméstica”.


Som pode dar cor local


A repórter Fabíola Cidral, da Rádio CBN, fez reportagem sobre saúde que integra uma série temática produzida pela emissora em paralelo à cobertura da campanha eleitoral. Depois de estágio na BBC, em Londres, Fabíola voltou convencida de que é preciso usar mais e melhor recursos que o rádio oferece.


Fabíola:


– No rádio brasileiro a gente usa muito pouco efeitos sonoros e transporta muito pouco o ouvinte àquele ambiente que você está vivendo. Às vezes a gente faz matérias no dia-a-dia, na cidade de São Paulo, por exemplo, você vai fazer uma matéria sobre trânsito, sobre uma manifestação, até mesmo uma campanha eleitoral, ou uma inauguração de um prefeito e você acaba não usando sons daquele lugar que falam às vezes, na minha opinião, muito mais do que as próprias declarações das pessoas que estão participando, dos personagens.


O que dificulta muito isso é questão de tempo. A gente tem às vezes muito trabalho para fazer, e você captar, e mixar tudo isso leva tempo, e você precisa de uma ajuda de um operador de áudio. Isso acaba demandando tempo em estúdio, o estúdio tem que ser usado por vários apresentadores, vários repórteres, uma rádio all-news necessita muito de estúdio e você tem que dividir esse tempo.


Orkut é descartável


O site de relacionamentos Orkut, dominado por brasileiros, pode ser fechado pelo Google. Ou pode ser bloqueado para brasileiros, porque alguns o utilizam para finalidades ilegais, entre elas a promoção da pedofilia, o incentivo a assassinatos e ao racismo. Mas isso não faria muita diferença nem para o Google, nem para a grande maioria de brasileiros que usam decentemente o site. O fato é que a empresa Google não tem como ou não sabe aproveitar economicamente a presença de tantos brasileiros. E os brasileiros poderão migrar para outros sites de relacionamento. Só os delinqüentes perderão, até acharem novos caminhos para delinqüir. Não tem cabimento transformar essa questão num confronto político entre a soberania da Justiça brasileira e o capitalismo americano.


Manual de superfície


Daniel Castro informa hoje na Folha de S. Paulo que a Rede Globo vai publicar um manual com princípios e normas para a produção de novelas e telejornais. Isso sempre ajuda, mas a verdadeira questão reside em outro lugar: o primado da lógica da audiência freqüentemente faz com que as conveniências suplantem as convicções.


O santo nome de Castellinho


Alberto Dines responde novamente hoje no site do Observatório da Imprensa a ataques do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal. Diz que a entidade gastou sua retórica ao tentar apropriar-se do nome do jornalista Carlos Castello Branco, Castellinho, presidente do Sindicato em 1977: “Naquela época o Sindicato estava estava na vanguarda das lutas pela democracia. Hoje arrepiou carreira, passou para o outro lado. Naquela época, o sindicato não fora invadido pelos assessores de imprensa e muito menos pelos assessores de imprensa dos três poderes e entidades chapa-branca. Tinha autonomia e galhardia. Carlos Castello Branco, se vivo fosse, não permitiria que um sindicato de jornalistas embarcasse na louca aventura do Conselho Federal de Jornalismo, um dos maiores vexames já sofridos pela categoria em toda a sua história”.


Clique aqui para ler “Sindicato finge de vítima e agride todos os princípios profissionais”, de Alberto Dines, e  e aqui para ler “Sindicato processará Dines por desrespeito à dignidade humana”, de Romário Schettino.


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Todos os comentários

  1. Comentou em 26/08/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Por que você somente se refere a dois paises, um da propaganda e outro das p. administrativas? Não seja modesto, existem vários outros paises latentes dentro deste território aguardando uma oportunidade para se manifestar. No próprio Okut que você menciona há uma comunidade neo-farroupilha com o nome O SUL É MEU PAÍS. Outro dia escutei um baiano meu cliente o seguinte: De São Paulo para baixo tem muito decendente de europeu, o Brasil mesmo é da Bahia para cima (como se os mamelucos de cujas bolas saimos todos nós não fossem descendentes de portugueses e, portanto, de europeus :o). Há ainda o Brasil Militar, verde-oliva enfurnado nas casernas, sabe-se Deus tramando o que, com que finalidade. Uma amiga minha que trabalhou no governo Lula disse-me certa vez que o pessoal da Casa Militar nem mesmo conversa com o pessoal da Casa Civil apesar de todos usarem os mesmos corredores. A propósito, nesta terra brasilis existem os que recebem vencimentos dos cofres públicos e desperdiçam os dinheiros públicos (nos três poderes) e sequer consideram os contribuintes seus conterrâneos. O contribuinte é uma ficção que só torna real quando paga os impostos calado. Nesta terra brasilis há brasileiros demais e cidadania de menos, servidores de mais e serviços de menos. O Brasil é um país esperando para ser construído ou esfacelado. Voto pelo esfacelamento e tenho dito.

  2. Comentou em 25/08/2006 Marco Costa

    O nosso querido Brasil não tem terremoto, maremoto, furacão, ventania de alta intensidade, porém temos uma classe política que vale por tudo isto e mais um pouco. No país, desde o seu descobrimento o povo pobre vive o faz-de-conta de que os polítcos vão resolver os problemas que dificultam a vida da população. Porém, o país do sistema sofista só engana aqueles que infelizmente não têm acesso a cultura, educação, ler bons livros, jornais, ir ao teatro, cinema, etc. Todos os dias coloco meu cérebro para achar uma formula de reverter esta situação caótica em que estamos enfiados até o pescoço, no entanto a única saída que encontro está na arma do voto. Se conseguirmos acertar o coração da urna eletrônica, este quadro será revertido.

  3. Comentou em 25/08/2006 Antônio Carlos Queiroz

    Alberto Dines está desinformado sobre a posição de nosso sindicato a respeito de muitas coisas. Não é verdade que apoiamos a proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo que a Fenaj negociou com o governo. Nosso sindicato foi o único do país a promover uma consulta formal entre os jornalistas sobre a proposta, e essa não foi aprovada. É notória a oposição que fazemos à atual diretoria da Fenaj. Nas últimas eleições, Beto Almeida, um de nossos diretores, foi o candidato da oposiçãol Chamar-nos, logo a nós, de ‘braço armado da Fenaj’, como Dines fez em outra nota, é apenas uma bobagem.

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